O título é longo, como longa é a história das mães e das suas dores. Perpassar a saga do ser humano com suas glórias e atrocidades é falar sobre elas. O solo do planeta foi milhões de vezes regado com sangue. Com ele misturaram-se as lágrimas de mãe. Se é no seu colo que repousa a vida, infelizmente é no colo delas que também repousa a morte. Estão lá, como Maria, ao lado dos filhos e das filhas, chorando com e por eles e ao pé de praticamente todas as cruzes que o mundo já conheceu. Onde houver crianças, adolescentes e jovens a sofrer, haverá mães por perto. Estão perto dos maridos feridos, dos avós enfermos, daqueles que precisam de mãos e de mães. Com raras exceções de mães que causam dores, a maioria quase absoluta delas carrega, suaviza e apara os golpes da crueldade humana.
Contem a história das guerras, das drogas, dos assaltos, dos seqüestros, dos estupros, da vingança, do fanatismo religioso enfurecido, do fanatismo político e ideológico inclemente, dos crucificados e dos crucificadores e olhem ao redor. Havia mães a chorar ao pé daquelas cruzes e a descrucificar. Ninguém é mais presente antes, durante e depois da cruz do que a mulher que gerou vidas.
Existem as cruéis, mas são minoria ínfima. Colo de mãe foi feito para a alegria, mas também para a dor. A mão que balança e embala o lindo bebê no colo será a mesma que afagará os filhos feridos ou os levará ao túmulo, se caírem enfermos, vítimas de si mesmos ou de alguma violência de rua. Por isso, um dia das mães é mais do que oportuno, como é um dia dos pais, homens amorosos e também sofridos. E é bom que não sejam lembrados na mesma data para que o mundo entenda a festa e a dor de mãe e de pai, festas e dores distintas e com respostas também distintas. O enfoque da mulher é mais abrangente. Quem levou uma vida no ventre sente sua perda com maior intensidade. É vida que passou por ela.
Nós, católicos, nos lembramos bem disso quando carinhosamente falamos com Maria, que acreditamos estar viva no céu, ao lado do Filho, perto de quem esteve por mais de 30 anos. “Ora por nós pecadores agora e na hora da cruz e da morte”. De vida, de alegrias, de cruz e de morte Maria entende. Esteve lá, viu e refletiu (cf. Lc 2,19.51).
Palavra sagrada – A Igreja lhe deu muitos títulos, entre os quais: dos Prazeres, das Luzes, dos Mártires, da Alegria, da Paz e… Nossa Senhora das Dores. É nossa tentativa exemplificar as mães do mundo na figura daquela que seguiu de perto o Filho das Alegrias, mas também o Homem das Dores. Nada de trágico: é real. Vemos isso todos os dias ao abrirmos os jornais ou ao ligarmos o rádio e a televisão. Alguém matou alguém e ao redor há lágrimas de mãe. É que nelas dói bem mais a dor do mundo.
Shows, missas, cultos ecumênicos, programas de rádio e de televisão, palestras e reportagens ajudam a entender, mas ainda não traduzem adequadamente a presença da mulher, a força e a graça do seu ventre na história de um mundo sem coração. Mães são palavra sagrada. Oremos pelas mães.
(Texto do Pe. Zezinho, publicado na revista Família Cristã, Ano 76 – No 893 – Maio de 2010, p. 36).