Dor que mutila
por Denise Rangel em 03/12/2006

Uma mãe órfã de filho sente saudades, quer ter todas as lembranças (restaram muito poucas para uma mãe que perdeu um filho tão jovem…) Nenhum idioma tem nome para quem sobrevive a um filho. Para tal dor não há lugar sequer na língua. Por isso, sente-se órfã, mutilada de uma parte de si que lhe foi arrancada à força.
Ainda há outros filhos, talvez netos. Seu tesouro. E é com eles que ainda resiste. Ela não queria que a vida a tivesse mutilado. Marcada, estigmatizada. Foi-se quase tudo. A dor que devasta uma mãe não é morte provocada por doença, por um sarampo, por um câncer, ou por um acidente, algo já esperado por todos nós, conscientes de que a morte é certa. Mas a dor que é deixada pelos filhos que se foram de “morte matada“. Essa, sem dúvida, é a morte sem esquecimento.
“Crises sem Deus é só a vida abrindo-se em tragédias. Crise com Deus é caminho para a casa, é acolhimento.”
Deus sustenta minha vida.
(Extraído da página eletrônica: http://drang.com.br/blog/2006/12/dor-que-mutila/)