Bem-vindo(a)!

Guardamos nossas lágrimas para o momento oportuno. Quando o choro não é só meu. Quando desarmados e despretensiosos unimos as lágrimas e os corações. Não somos reféns nem salvadores, apenas sócios da mesma dor. Ela nos une como se fosse uma festa de contrário efeito. Que se celebra sem esquecer ninguém, como um evento que interessa a todos. Sem convite ou bilhete de ingresso. Nela todos já estão. Estão onde se encontram. E se encontram para dividir o que todos buscam: abraço, consolo, esperança… (Pe. Rogério das Neves)

Desejamos que todas as pessoas que sofrem a difícil experiência da perda de um filho tenham também a bela experiência de reencontrá-lo no Céu, isto é, no mistério de Deus.

Grupo de reflexão Filhos no Céu

Anúncios

REFLEXÃO DO MÊS – Maio de 2018

“uma núvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo” (At 1,9)

 

Maio é o mês da “Presença Transcendente”. O tempo no qual a liturgia nos faz viver, já aqui e agora, as coisas do alto. Como os Apóstolos, somos convidados a ir além dos nossos olhares e permitir ao Espírito que nos dê a sabedoria do coração. “Mães, pais – ainda hoje os dois homens de brancas vestes nos repetem – por que vos obstinais em ver as coisas com os vossos olhos? Não podeis mais do que ver uma densa nuvem diante de vós que obscurece o além, o maravilhoso mundo de Deus, onde agora vivem os vossos filhos”.

Embora Jesus tenha subido ao Céu envolto por uma nuvem, não está ausente. Ainda que não o vejamos com os nossos olhos, está mais presente do que nunca. Transformou-se numa presença transcendente, real, concreta, mais íntima a nós do quanto somos a nós mesmos. Se antes era visível a poucos, agora, mediante o seu Santo Espírito, pode estar com todos, para todos, em todos. Assim os nossos filhos que subiram com Ele ao Céu. Não estão ausentes, mas mais presentes que antes. Mais próximos e íntimos que antes Agora estão sempre ao nosso lado. Conosco, para nós, em nós.

Agora os nossos filhos entraram em um relacionamento constante e definitivo com Deus. Refletem o Seu Rosto e nos indicam o caminho a percorrer. Transformaram-se numa Presença Transcendente que ilumina os nossos passos. Nos confortam nos momentos difíceis, nos dão força nos momentos fatigosos, nos protegem de todo mal e nos aplainam o caminho. Nos convidam a contemplar a imensa beleza paradisíaca que eles estão já saboreando, mas sobretudo, a realizar a nossa vocação: ser testemunhas credíveis daquela eterna relação de amor que Jesus nos doou. Uma ponte bendizente que une terra e céu, nós e os nossos filhos, em um único abraço: a comunhão dos santos.

 

Refletindo e rezando:

Vivo a “Presença Transcendente” de meu filho ou vejo diante de mim uma nuvem densa que me obscurece a sua nova presença, o evento acontecido, o passado, o presente, o futuro?

Creio que a potência do Espírito de Jesus ressuscitado e elevado ao Céu derrubou toda barreira entre o aqui e o além? Como vivo a Comunhão dos santos?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora para ajudar-nos a compreender a qual destino de glória Deus nos chamou a tornar-nos filhos no Filho e a realizar com alegria a nossa especial missão no mundo: ser reflexo credível de Jesus ressuscitado elevado ao Céu.

                                                                                   Andreana Bassanetti

 

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar…

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar que uma pessoa que chega na nossa vida é um presente que nos foi oferto.

Há presentes assim valiosos que não duram muito, quando nossos corações desejariam que durassem eternamente e ignoramos por que eles se vão quando a vida parece apenas começar.

Mas se nos perdemos nesse mundo de questões sem respostas, a dor será muito maior que as lembranças de tudo o que a vida nos permitiu juntos enquanto durou a caminhada na terra.

Se tivéssemos que voltar atrás, teríamos preferido não ter encontrado, não ter conhecido, somente por que não pudemos guardá-lo no nosso seio mais tempo?

Não…

O vento passa, mas nos refresca; a chuva vem e vai, mas sacia a terra. O importante mesmo não é a quantidade de tempo que as coisas ou pessoas duram, mas a riqueza que elas trazem à nossa alma, o amor que nos permitimos dar e o que aceitamos receber.

As dores das partidas definitivas são indizíveis, indefiníveis, mas que elas nunca nos impeçam de nos lembrar da vida compartilhada.

Que as lágrimas não nos impeçam de sorrir novamente um dia quando a dor for mais amena e as lembranças felizes começarem a voltar, como as flores no jardim a cada primavera.

A eternidade existe para que esperemos por ela, para que tenhamos o consolo de saber que um dia, se o Deus-Pai permitir, Ele que nos ama de amor infinito, poderemos novamente nos encontrar.

Letícia Thompson

Eternamente: “Eis aí a tua mãe!”

No último dia 21 de abril, tomando soro e medicamentos durante todo o dia no pronto atendimento, antes de ser transferida para a UTI do hospital onde no dia 28 de abril ela encerraria sua caminhada nesse mundo, minha mãe sugeriu que eu fizesse uma “self”… E ela me deixou esse lindo presente…

Padre Rogério Augusto das Neves.

DOR DA PERDA DO FILHO

 

Quatro estações são necessárias para que se possa passar adiante depois de uma perda. O primeiro tudo depois da morte é sempre o mais difícil: o primeiro aniversário, o primeiro natal, o primeiro réveillon, as primeiras férias… são as ocasiões mais doloridas. Mas o passar dos dias ameniza a dor e vai dando lugar a uma certa nostalgia, ao carinho da lembrança.

Pensamos no instante da perda que nunca mais seremos capazes de sorrir, mas isso não é verdade. Depois de algumas auroras e alguns entardeceres, vamos descobrindo que a vida ainda está muito presente, que ainda somos capazes de nos alegrar com outras coisas, sem que isso diminua o amor e a saudade que sentimos de quem partiu.

Aceitamos dificilmente a morte porque nos esquecemos com facilidade que nossa vida na terra é apenas uma passagem. E quando alguém parte, é como se acordássemos para essa realidade: somos eternos para a vida, mas não a terrena! Inconscientemente pensamos na nossa própria morte e na daqueles que ainda estão conosco.

Mas… enquanto o sangue pulsar nas nossas veias, é a vida que pulsa e tudo o que podemos e devemos fazer é vivê-la. Alguém que amamos parte para sempre e isso é tremendamente doloroso. Essa pessoa é insubstituível ao nosso coração, já que cada pessoa é única em si no nosso viver e somos conscientes disso. Mas outros que amamos e que nos amam ainda estão por aqui e isso deve ser motivo de alegria e reconforto.

Por esses, pelo menos, devemos nos reerguer, reagir, fazer um esforço. E para nós, para nosso bem. Deus nos consola; amigos, família nos consolam… só precisamos é aceitar as mãos estendidas. Quatro estações e um pouco de paciência… o sol vai brilhar novamente, a alegria vai de novo encher o coração e tudo vai voltar ao normal. É preciso acreditar nisso!

Letícia Thompson

Reflexão do mês – Abril de 2018

“Então Jesus abriu a mente deles... (Lc 24,45)

Abril é o mês da “Corporeidade do Ressuscitado” . O tempo no qual Jesus deseja abrir a nossa mente e o nosso coração às profecias anunciadas nas Sagradas Escrituras. Ressuscitado da morte, aparece aos Seus discípulos, e hoje a todos nós, no esplendor do seu novo estado, “em carne e osso”. Se faz visível com um corpo real, consistente, igual ao que tinha durante a sua vida terrena, mas diferente na substância, incorruptível, eterno, reconhecível somente com olhos novos. Só com os olhos da fé. Só com os olhos do amor confiante.

Jesus não “vem” entre os discípulos, “está”, “é” com eles. Está já ali, ao lado deles e, portanto, ao nosso lado. Se faz visível só a quem sabe reconhecê-lo. E é belo, tranquilo, confortante saber que também os nossos filhos no Céu, com Jesus, em Deus, têm mantida a sua identidade corpórea, têm um corpo igual àquele de antes que tanto amamos, “em carne e osso”, hoje glorioso e, já aqui e agora, estão aqui, ao nosso lado. Basta ter olhos novos para saber reconhecê-los.

Se da fase da rebelião, da dor cega, das culpas e dos temores, permitimos a Jesus de abrir-nos para um além, podemos perceber a sua presença real ao nosso lado.

Sentimos dia após dia que nos confortam, nos iluminam, nos acompanham. Mais nos aproximamos com fé do Mistério de Jesus Ressuscitado, da sua Palavra, mais nos aproximamos da sua nova realidade.

A proximidade torna-se encontro, o encontro torna-se diálogo. Não lhes vemos com os nossos olhos, mas o relacionamento íntimo com eles lhes faz sentir tão vivos e reais a ponto de fazer a sua corporeidade quase visível.

Refletindo e Rezando:

Creio firmemente no mistério da ressurreição de Jesus? Quais são as minhas dúvidas? Creio que meu filho, minha filha, como Jesus, tem seu corpo transformado e transfigurado em relação ao que era antes? É o mesmo de antes, mas é diferente de antes? Quais as transformações a ressurreição de Cristo suscitou em mim? Sou testemunha credível e eficaz da ressurreição de Cristo?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, que esperou contra toda esperança e creu nas promessas do Senhor, de tirar toda dúvida da nossa mente e do nosso coração para que se abram ao grande mistério da Corporeidade de Jesus Ressuscitado.

                                                                                  Andreana Bassanetti