Bem-vindo(a)!

Guardamos nossas lágrimas para o momento oportuno. Quando o choro não é só meu. Quando desarmados e despretensiosos unimos as lágrimas e os corações. Não somos reféns nem salvadores, apenas sócios da mesma dor. Ela nos une como se fosse uma festa de contrário efeito. Que se celebra sem esquecer ninguém, como um evento que interessa a todos. Sem convite ou bilhete de ingresso. Nela todos já estão. Estão onde se encontram. E se encontram para dividir o que todos buscam: abraço, consolo, esperança… (Pe. Rogério das Neves)

Desejamos que todas as pessoas que sofrem a difícil experiência da perda de um filho tenham também a bela experiência de reencontrá-lo no Céu, isto é, no mistério de Deus.

Grupo de reflexão Filhos no Céu

Anúncios

Não tenhamos pressa

Quando perdemos alguém sentimos rapidamente a cobrança externa e até mesmo interna para nos recuperarmos logo. Mas é importante ter a clareza de que o luto é um processo e não ter pressa é fundamental.

A morte tira tudo do lugar, inclusive o tempo. Parece que passamos a operar em outra rotação. As pessoas nos pedem calma, mas ao mesmo tempo nos apressam para ficar bem.

A gente se cobra para voltar à rotina, mas não temos controle das nossas próprias emoções: um dia estamos bem e no outro não.

Quando achamos que vamos melhorar de vez, uma simples lembrança é capaz de nos levar de volta à estaca zero.

Vivenciar o luto é uma verdadeira montanha russa de sentimentos.

É importante ter paciência, ter a clareza de que cada um tem o seu próprio ritmo e que nesse processo o tempo não é linear, os altos e baixos são frequentes e o melhor a se fazer é caminhar devagar, sem pressa e sem cobrança.

Por Amanda Thomaz (Vamos falar sobre o luto?)

ABANDONO EM DEUS

 

 

“O abandono é a indiferença pelo que sucede e pelo que venha a suceder. Ser criança é não se inquietar de nada, deixar tudo nas mãos de Deus.

O abandono é o repouso e a paz. Assim deves descansar de tudo o que te diz respeito, no tocante a ti e ao que te rodeia. Deixa que o bom Deus encaminhe as coisas. Deposita em Deus tuas preocupações, e Ele te sustentará.

Sofre em paz qualquer tentação e qualquer tribulação. Teu coração deve repousar mesmo em Jesus. Sofrer em paz não significa consolação ou alegria.

Tu não te pertences. Já te entregastes a Jesus há muito tempo.

Tua pátria e teu lugar de repouso eterno é outro.

Quando a alma chega ao ponto em que não se inquieta mais com o presente e o futuro, pondo todo cuidado em viver de amor, atingiu o perfeito abandono.

Para chegar a este estado e grau de abandono, deves exercitar-te durante muito tempo, até que o bom Deus mesmo te tome e ali te coloque.

É coisa divina, mas dos pequenos.”

Santa Teresinha do Menino Jesus

REFLEXÃO DO MÊS – Maio de 2018

“uma núvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo” (At 1,9)

 

Maio é o mês da “Presença Transcendente”. O tempo no qual a liturgia nos faz viver, já aqui e agora, as coisas do alto. Como os Apóstolos, somos convidados a ir além dos nossos olhares e permitir ao Espírito que nos dê a sabedoria do coração. “Mães, pais – ainda hoje os dois homens de brancas vestes nos repetem – por que vos obstinais em ver as coisas com os vossos olhos? Não podeis mais do que ver uma densa nuvem diante de vós que obscurece o além, o maravilhoso mundo de Deus, onde agora vivem os vossos filhos”.

Embora Jesus tenha subido ao Céu envolto por uma nuvem, não está ausente. Ainda que não o vejamos com os nossos olhos, está mais presente do que nunca. Transformou-se numa presença transcendente, real, concreta, mais íntima a nós do quanto somos a nós mesmos. Se antes era visível a poucos, agora, mediante o seu Santo Espírito, pode estar com todos, para todos, em todos. Assim os nossos filhos que subiram com Ele ao Céu. Não estão ausentes, mas mais presentes que antes. Mais próximos e íntimos que antes Agora estão sempre ao nosso lado. Conosco, para nós, em nós.

Agora os nossos filhos entraram em um relacionamento constante e definitivo com Deus. Refletem o Seu Rosto e nos indicam o caminho a percorrer. Transformaram-se numa Presença Transcendente que ilumina os nossos passos. Nos confortam nos momentos difíceis, nos dão força nos momentos fatigosos, nos protegem de todo mal e nos aplainam o caminho. Nos convidam a contemplar a imensa beleza paradisíaca que eles estão já saboreando, mas sobretudo, a realizar a nossa vocação: ser testemunhas credíveis daquela eterna relação de amor que Jesus nos doou. Uma ponte bendizente que une terra e céu, nós e os nossos filhos, em um único abraço: a comunhão dos santos.

 

Refletindo e rezando:

Vivo a “Presença Transcendente” de meu filho ou vejo diante de mim uma nuvem densa que me obscurece a sua nova presença, o evento acontecido, o passado, o presente, o futuro?

Creio que a potência do Espírito de Jesus ressuscitado e elevado ao Céu derrubou toda barreira entre o aqui e o além? Como vivo a Comunhão dos santos?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora para ajudar-nos a compreender a qual destino de glória Deus nos chamou a tornar-nos filhos no Filho e a realizar com alegria a nossa especial missão no mundo: ser reflexo credível de Jesus ressuscitado elevado ao Céu.

                                                                                   Andreana Bassanetti

 

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar…

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar que uma pessoa que chega na nossa vida é um presente que nos foi oferto.

Há presentes assim valiosos que não duram muito, quando nossos corações desejariam que durassem eternamente e ignoramos por que eles se vão quando a vida parece apenas começar.

Mas se nos perdemos nesse mundo de questões sem respostas, a dor será muito maior que as lembranças de tudo o que a vida nos permitiu juntos enquanto durou a caminhada na terra.

Se tivéssemos que voltar atrás, teríamos preferido não ter encontrado, não ter conhecido, somente por que não pudemos guardá-lo no nosso seio mais tempo?

Não…

O vento passa, mas nos refresca; a chuva vem e vai, mas sacia a terra. O importante mesmo não é a quantidade de tempo que as coisas ou pessoas duram, mas a riqueza que elas trazem à nossa alma, o amor que nos permitimos dar e o que aceitamos receber.

As dores das partidas definitivas são indizíveis, indefiníveis, mas que elas nunca nos impeçam de nos lembrar da vida compartilhada.

Que as lágrimas não nos impeçam de sorrir novamente um dia quando a dor for mais amena e as lembranças felizes começarem a voltar, como as flores no jardim a cada primavera.

A eternidade existe para que esperemos por ela, para que tenhamos o consolo de saber que um dia, se o Deus-Pai permitir, Ele que nos ama de amor infinito, poderemos novamente nos encontrar.

Letícia Thompson

Eternamente: “Eis aí a tua mãe!”

No último dia 21 de abril, tomando soro e medicamentos durante todo o dia no pronto atendimento, antes de ser transferida para a UTI do hospital onde no dia 28 de abril ela encerraria sua caminhada nesse mundo, minha mãe sugeriu que eu fizesse uma “self”… E ela me deixou esse lindo presente…

Padre Rogério Augusto das Neves.