Bem-vindo(a)!

Guardamos nossas lágrimas para o momento oportuno. Quando o choro não é só meu. Quando desarmados e despretensiosos unimos as lágrimas e os corações. Não somos reféns nem salvadores, apenas sócios da mesma dor. Ela nos une como se fosse uma festa de contrário efeito. Que se celebra sem esquecer ninguém, como um evento que interessa a todos. Sem convite ou bilhete de ingresso. Nela todos já estão. Estão onde se encontram. E se encontram para dividir o que todos buscam: abraço, consolo, esperança… (Pe. Rogério das Neves)

Desejamos que todas as pessoas que sofrem a difícil experiência da perda de um filho tenham também a bela experiência de reencontrá-lo no Céu, isto é, no mistério de Deus.

Grupo de reflexão Filhos no Céu

Ressignificar o luto

Se não está em suas mãos mudar uma situação que causa dor, você pode escolher com que atitude vai enfrentar esse sofrimento” (Viktor Frankl)

Durante todos esses anos de encontros do Grupo Filhos no Céu, aprendemos que não devemos classificar qual processo de luto é mais difícil de ser elaborado, pois cada pessoa responde de forma muito particular. Entretanto, sem dúvida alguma, enfrentar o luto pela morte de um filho é a tarefa mais difícil da vida.

Não existe dor maior no mundo do que a perda de um filho.

Mesmo sabendo que a ordem natural da vida é os pais partirem antes dos filhos, tememos morrer antes e deixá-los sozinhos, mas ainda que essa realidade seja dura, a aceitamos. Porém a morte precoce de um filho vai contra tudo.  Inverte a ordem da vida.

Não há de se falar em estar preparado. Ninguém se prepara para esse dia. Não é porque o filho enfrentou um longo período de tratamento que os pais estão preparados, e com isso a dor é menor. Qual pai, qual mãe que assimila isso? Será que é possível pensar que os pais, vendo o filho naquele sofrimento, já se prepararam para a despedida? Cruel dizer isso.

Posso afirmar que isso não acontece. Há sempre uma esperança de que a doença vai ser curada, que a vida vai vencer. E de certa forma a vida vence, só que em outra dimensão, a dimensão espiritual. Essa compreensão é que precisa ser trabalhada por nós.

A morte de um filho nos tira o chão, nos tira o brilho da vida. Quando isso acontece precisamos reelaborar as crenças e verdades que acreditávamos, para assim iniciarmos um longo e doloroso processo de reaprendizado. Será preciso reaprender a viver, e isso não tem tempo certo para acontecer. Cada um é único. Não existe regra geral. É preciso um respeito profundo por esse tempo, caso contrário a violência consigo mesmo será irreparável.

Aos poucos a dor se acalma e nos damos conta de que é preciso seguir em frente, que a vida nos espera para concluirmos nossa missão, se quisermos um dia reencontrar com nosso filho ou nossa filha que partiu antes de nós.

Já não somos mais como antes. A mudança que ocorre é imensa, os valores são revistos, as prioridades também. De certa forma isso é bom, porque assim damos valor ao que realmente precisa ser dado. Na verdade a vida ganha outro sentido, ou melhor, damos outro sentido para a vida. Muda tudo! Muda a cor e o sabor da vida!

A dor que não nos deixará jamais passará a se chamar SAUDADE. E a saudade será nossa companheira até o último dia da nossa vida. Teremos que nos reorganizar considerando que ela estará sempre ao lado, pronta para a qualquer momento explodir no peito e balançar as estruturas.

Para quem tem outros filhos, a urgência em recomeçar é ainda maior. Se eles já sofrem por terem perdido um irmão ou irmã, imagine se o pai ou a mãe pararem no luto… Serão várias perdas na vida desse filho, que também sofre e precisa de apoio. Por eles é preciso sair do quarto escuro e voltar a viver, a seguir em frente mesmo sem as respostas para tantas perguntas que gritam no coração.

Chega um dia que a gente percebe que não tem saída. A duras penas teremos que seguir em frente, reaprendendo a viver e reorganizando nossos sentimentos.

É nesse momento que avançamos na fé. Pela graça concedida por Deus vamos aprendendo a enfrentar a vida de frente, com suas alegrias e tristezas. Não há como recuar. Não há como desistir. Nosso destino é o Céu, onde está nosso filho ou nossa filha. E a estrada para chegar até lá é estreita, cheia de pedras e obstáculos.  Sozinhos não temos forças, mas Deus sempre providenciará o que precisamos para podermos continuar.

Embora nossos dias sejam muito difíceis, sabemos que depende de nós escolhermos viver na escuridão da dor ou sob o brilho da esperança. De qualquer forma teremos que percorrer esse caminho. Agora como o percorremos, nós é que escolhemos.

Deus é nosso consolo e Ele nos concede o tempo como um grande remédio. Nele conquistamos o consolo, a serenidade, as lembranças dos bons momentos. E com um pouco mais de tempo, transformamos nosso filho ou filha em eternos companheiros, em Anjos a nos acompanhar durante toda nossa caminhada.

A graça de Deus nos dá a certeza que eles estarão sempre conosco! Nossa caminhada pode ser longa, mas não estamos sós.

Então, com a ajuda de Deus vamos tentar transformar nossa dor em missão, pois acredito que nossos filhos cumpriram na plenitude as suas, e quanto a nós, existe muito que fazer.

Que possamos olhar além da dor, com os olhos da fé, a vida que nos espera. Por mais difícil que seja acreditar, acredite: há espaço em nosso coração para a esperança, para o riso e até para novos sonhos. No fundo, se percorrermos esse caminho tendo Deus a nossa frente, saberemos transformar a dor em missão! Saberemos reconhecer a Graça de Deus acontecendo nos mínimos detalhes da nossa vida.

Assim tem sido, desde o dia 15 de janeiro de 2007, quando a Renatinha foi morar na casa de Deus.

Hoje, dia 21 de julho, é aniversário dela. Tenho certeza que no Céu há uma grande festa. Um Anjo nos visitou, e por 17 anos e 6 meses transbordou nossa vida de muito amor e muita alegria.

Permita Deus que hoje minhas preces de gratidão subam até o Céu e a abrace demoradamente, e daqui eu consiga sentir meu coração abraçado também.

Obrigada Deus pela vida da Renatinha!

Assim vamos seguindo, a cada instante renovando a fé em Deus e confiantes seguiremos até o dia do nosso reencontro. Amém!

 “A vida do exílio é brevíssima. Assemelha-se a uma noite passada em má hospedaria. O pensamento de que tudo passa projeta sobre o sofrimento de hoje um raio abençoado de eternidade. O tempo é uma miragem. Deus já nos vê em sua glória”  (Santa Teresinha).

Regina Araújo

Evangelho do dia 30 de junho de 2017

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8,1-4

1Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: ‘Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar.’ 3Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: ‘Eu quero, fica limpo.’ No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. 4Então Jesus lhe disse: ‘Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles.’ Palavra da Salvação.

Reflexão

Descendo do monte e sendo seguido por numerosas multidões, é de se admirar que um indigente dele se aproxime e faça um pedido muito pessoal. Na verdade, o homem não lhe faz um pedido. Ele, no fundo, faz uma adoração e uma profissão de fé. De joelhos, diz: Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar. É uma proclamação que, primeiro manifesta sua reverência, depois expressa o que pensa dele, porque o chama de Senhor, e por fim, declara a primazia de sua vontade. Bastaria isso para que Jesus o abençoasse e se alegrasse com a sua fé. Mas Jesus faz mais que isso, porque confirma tudo que o homem disse. Eu quero! A vontade de Jesus é que conta. E Ele sempre deseja nos purificar. Nem sempre somos capazes de nos colocarmos de joelhos diante dele para manifestar o quanto confiamos nele, o quanto sabemos de sua onipotência, e o quanto esperamos de sua vontade amorosa. Importante seria para nós sabermos fazer outra afirmação: Senhor, se queres… eu também quero…

Pe. Rogério Augusto das Neves

Papa Francisco – audiência geral- 28/06/2017

Quando lemos a vida dos mártires, de ontem e de hoje, ficamos maravilhados ao ver a fortaleza com que enfrentam as provações. Esta fortaleza é sinal da grande esperança que os animava: nada e ninguém poderia separá-los do amor de Deus que lhes foi dado em Cristo Jesus.

Nos tempos de tribulação, devemos crer que Jesus vai à nossa frente e não cessa de acompanhar os seus discípulos.

A perseguição não está em contradição com o Evangelho; antes pelo contrário, faz parte dele: se perseguiram o divino Mestre, como podemos esperar que nos seja poupada a luta?

Assim, mesmo no meio do turbilhão, o cristão não deve perder a esperança, julgando-se abandonado. Jesus assegura-nos: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais!” Como se dissesse: Nenhum dos sofrimentos do homem, nem mesmo os mais íntimos e ocultos, passam despercebidos ou são invisíveis aos olhos de Deus. Deus vê; e, seguramente, protege e resgata-nos do mal. De facto, no nosso meio, há Alguém que é mais forte do que o mal; Alguém que sempre ouve a voz do sangue de Abel que clama da terra. Com esta certeza, os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias e aceitam morrer apenas por fidelidade ao Evangelho. A única forma de vida do cristão é o Evangelho.

O martírio não é sequer o ideal supremo da vida cristã, porque, como diz o apóstolo Paulo, acima dele está a caridade, o amor a Deus e ao próximo. Repugna aos cristãos a ideia de que, nos atentados suicidas, aqueles que os fazem se possam chamar “mártires”: naquele desfecho final, não há nada que lembre a atitude dos filhos de Deus.

A lógica evangélica aceita, nos cristãos, a prudência e até a esperteza, mas nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal.

Uma cartinha para Papai e Mamãe do Céu…

Meus amados.

Paz de Jesus ao coração de nossa linda família.
Vou deixar aqui, a entrega de um jovem pai ao ver sua filhinha partir para o céu.
Para mim, uma demonstração de fé e confiança; de entrega mesmo.
Talvez alguém tenha visto o testemunho no programa Direção Espiritual do Pe. Fábio de Melo, no dia 14/06.
Eis a carta dele dirigida ao céu:

“Queridos Papai e Mamãe do Céu!
A minha princesinha e anjinho amado retornou ao céu.
Sei que a Senhora sabe de tudo, mas mesmo assim quero contar-lhe sob os meus olhos.
Ela é linda!
Seu perfil como que desenhado com pincel, de tão perfeitinha.
Acho que Deus estava com tempo no momento.
Os olhos dela são vivos e “falam”, tenho certeza de que a Senhora vai se encantar.
Ela é um doce de criança, a Senhora já deve ter percebido.
Mas aqui, perto de nós, ela teve de tudo que precisava, mas algumas coisas não foram possíveis. Então peço que a Senhora a ajude.
Ela não brincou no mar, peço que a leve para pular a espuminha.
Ela não sentiu a areia sumir sob seus pezinhos, e nem o calor gostoso do sol na pele salgada.
Sei que ela vai amar!!! Peço também que dê a ela um lindo velotrol, de preferência vermelho e se for possível com bolinhas brancas como uma joaninha para que ela corra pedalando e possa sentir o vento em seu cabelinho.
Ela tinha pouca convivência com coleguinhas.
Ela é um amor de menina e vai amar uma turminha sapequinha.
Leve-a, por favor, para brincar no parquinho, e balance-a no balanço beeeem altão para que ela pense que está voando.
Se bem que agora ela já pode voar.
Leve-a também para brincar de comidinhas com outras criancinhas com os pezinhos descalço na grama fofinha que deixa os pezinhos sujos.
Peço minha Mãe, que deixe ela ser criancinha por bastante horas e que quando o soninho chegar deite ela no colo do papai, da mamãe ou da vovó, ou do vovô, ou da titia ou do titio para que eles possam matar as saudades dela.
Mas peço mais!
Todas as vezes possíveis, filme ela com um bom celular daqueles que só a Senhora tem e passe na mente de todos nós como se fosse um sonho.
Deixe Mãe, que eles vejam, que eles sintam, como ela está bem.
Deixe Mãe, que eles sonhem para saber notícias dela.
Deixe Mãe que eles acordem com a sensação de que estiveram com ela nos braços.
Sabemos que ela está bem.
Sabemos que agora não há mais nada que a impeça de ser uma criancinha sapeca…”

Beijo no coração de cada um.

Stela