Bem-vindo(a)!

Guardamos nossas lágrimas para o momento oportuno. Quando o choro não é só meu. Quando desarmados e despretensiosos unimos as lágrimas e os corações. Não somos reféns nem salvadores, apenas sócios da mesma dor. Ela nos une como se fosse uma festa de contrário efeito. Que se celebra sem esquecer ninguém, como um evento que interessa a todos. Sem convite ou bilhete de ingresso. Nela todos já estão. Estão onde se encontram. E se encontram para dividir o que todos buscam: abraço, consolo, esperança… (Pe. Rogério das Neves)

Desejamos que todas as pessoas que sofrem a difícil experiência da perda de um filho tenham também a bela experiência de reencontrá-lo no Céu, isto é, no mistério de Deus.

Grupo de reflexão Filhos no Céu

Uma cartinha para Papai e Mamãe do Céu…

Meus amados.

Paz de Jesus ao coração de nossa linda família.
Vou deixar aqui, a entrega de um jovem pai ao ver sua filhinha partir para o céu.
Para mim, uma demonstração de fé e confiança; de entrega mesmo.
Talvez alguém tenha visto o testemunho no programa Direção Espiritual do Pe. Fábio de Melo, no dia 14/06.
Eis a carta dele dirigida ao céu:

“Queridos Papai e Mamãe do Céu!
A minha princesinha e anjinho amado retornou ao céu.
Sei que a Senhora sabe de tudo, mas mesmo assim quero contar-lhe sob os meus olhos.
Ela é linda!
Seu perfil como que desenhado com pincel, de tão perfeitinha.
Acho que Deus estava com tempo no momento.
Os olhos dela são vivos e “falam”, tenho certeza de que a Senhora vai se encantar.
Ela é um doce de criança, a Senhora já deve ter percebido.
Mas aqui, perto de nós, ela teve de tudo que precisava, mas algumas coisas não foram possíveis. Então peço que a Senhora a ajude.
Ela não brincou no mar, peço que a leve para pular a espuminha.
Ela não sentiu a areia sumir sob seus pezinhos, e nem o calor gostoso do sol na pele salgada.
Sei que ela vai amar!!! Peço também que dê a ela um lindo velotrol, de preferência vermelho e se for possível com bolinhas brancas como uma joaninha para que ela corra pedalando e possa sentir o vento em seu cabelinho.
Ela tinha pouca convivência com coleguinhas.
Ela é um amor de menina e vai amar uma turminha sapequinha.
Leve-a, por favor, para brincar no parquinho, e balance-a no balanço beeeem altão para que ela pense que está voando.
Se bem que agora ela já pode voar.
Leve-a também para brincar de comidinhas com outras criancinhas com os pezinhos descalço na grama fofinha que deixa os pezinhos sujos.
Peço minha Mãe, que deixe ela ser criancinha por bastante horas e que quando o soninho chegar deite ela no colo do papai, da mamãe ou da vovó, ou do vovô, ou da titia ou do titio para que eles possam matar as saudades dela.
Mas peço mais!
Todas as vezes possíveis, filme ela com um bom celular daqueles que só a Senhora tem e passe na mente de todos nós como se fosse um sonho.
Deixe Mãe, que eles vejam, que eles sintam, como ela está bem.
Deixe Mãe, que eles sonhem para saber notícias dela.
Deixe Mãe que eles acordem com a sensação de que estiveram com ela nos braços.
Sabemos que ela está bem.
Sabemos que agora não há mais nada que a impeça de ser uma criancinha sapeca…”

Beijo no coração de cada um.

Stela

Eu aprendi…

Eu aprendi:

Que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim
e ter paciência para que a vida faça o resto;
Que não importa o quanto certas coisas
são importantes para mim, tem gente que não dá
a mínima e jamais conseguirei convencê-las que posso
passar anos construindo uma verdade e destruí-la
em apenas alguns segundos.

Eu aprendi:

Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da minha vida;

Que por mais que você corte o pão em fatias,
esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale
para tudo o que cortamos de nosso caminho.

Eu aprendi:

Que vai demorar muito para me transformar
na pessoa que quero ser, e devo ter paciência;
Que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei;
Que eu preciso escolher entre controlar meus pensamentos
ou de ser controlada por eles.

Eu aprendi:

Que os heróis são pessoas que fazem o que acham
que devem fazer naquele momento,
independentemente do medo que sentem;
Que perdoar exige muita prática; condenar é mais fácil !
Que há muita gente que gosta de mim,
mas que não conseguem expressar isso.

Eu aprendi:

Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio
justamente daquela pessoa que eu achava
que iria tentar piorar a minha vida.
Que eu posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar,
mas não tenho o direito de ser cruel;
Que jamais  posso dizer a uma criança que seus sonhos
são impossíveis. Será uma tragédia para o mundo
se eu conseguir convencê-la disso.

Eu aprendi:

Que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando,
que eu tenho que me acostumar com isso;
Que não é bastante ser perdoado pelo outros,
eu preciso me perdoar primeiro;
Que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo,
o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi:

Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis
pelo que eu sou, mas  não pelas minhas escolhas
que eu fiz quando adulto
Que numa briga, eu preciso escolher de que lado estou,
mesmo quando não quero me envolver.
Que , quando duas pessoas discutem não significa que elas
se odeiem. E quando  duas pessoas não discutem
não significa que elas se amem.

Eu aprendi:

Que por mais eu queira proteger meus filhos,
eles vão se machucar e eu também serei machucado,
isso faz parte da vida;
Que minha existência pode mudar para sempre
em poucas horas, por causa de gente que nunca vi antes;
Que diplomas na parede não me fazem
mais respeitável ou mais sábio.

Eu aprendi:

Que a palavra amor perde o sentido, quando usada sem critério;
Que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;
quer você queira ou não;
Que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir pessoas, e saber lutar pelas coisas que  acredita.

Eu aprendi:

Que sou mais forte que imaginava, e que posso ir mais longe depois de pensar que não podia mais;
E que realmente a  vida tem valor e eu tenho valor diante da vida !

(autor desconhecido)

 

Reflexão do mês de Junho de 2017

“Eu sou o pão da vida…” (Jo 6,35)

 Junho é o mês do “Coração”. É o tempo no qual somos convidados a entrar no Coração de Deus para imergir-nos no seu amor, para saborear a sua ternura e a sua docilidade, a sua infinita misericórdia. Para conhecer melhor os seus sentimentos, os seus pensamentos, os seus desejos, para conformar o nosso pequeno e humilde coração ao seu.

O seu “pão”, que vem do céu, mais forte do que a morte, consegue tirar as pedras que estão na entrada do nosso coração, endurecido pela dor, pela fadiga, pela separação e pela distância com nosso filho, e nos liberta, nos abre de novo à vida, nos faz novos. Nos dá um coração novo, de carne. Vivo, pulsante, que bate no mesmo ritmo que o seu. O mesmo ritmo que bate no coração dos nossos filhos que estão n’Ele.

Quem se nutre d’Ele, quem vive em comunhão com Ele, está em comunhão também com quem já está n’Ele, e pode já aqui e agora, iniciar aquele abraço que se completará depois no céu. Quem crê n’Ele, no anúncio da verdade que nos veio trazer, com a sua morte-ressurreição, não terá mais sede de outras verdades, de outras coisas. Com o coração reconciliado, pacificado, não terá mais fome e não terá mais sede. Se sentirá satisfeito e, com esperança confiante, se abandonará a Ele, percorrerá os seus caminhos. O seu verdadeiro alimento será fazer a Sua vontade.

Terá verdadeiramente um coração novo, renovado e regenerado pelo próprio coração de Jesus. Um coração capaz de abrir-se à dor do irmão, de acolhê-la, de partilhá-la, de levar consolação, de fazer sentir a sua Presença viva, o seu Espírito de consolação e de ressurreição. Nutrindo-nos d’Ele, nos tornamos progressivamente como Ele, sempre mais transparentes, à sua imagem, como os nossos filhos no Céu, porque permitimos ao seu coração revelar-se em nós.

Refletindo e Rezando:

Vivendo a celebração da Eucaristia, vivo verdadeiramente em comunhão com Jesus e com meu filho? Quando me nutro com o seu Corpo, consigo preencher o vazio interior que me deixou meu filho? Quais são as resistências que lhe oponho e os impedimentos para transformar o meu coração? Quando tenho sede de verdade atinjo a Fonte segura ou vou pedir água que não pode saciar a sede? Peçamos a Maria, Mãe de Deus, confiando-me ao seu Coração Imaculado, para ajudar-nos a dilatar o nosso coração e a plasmar Jesus dentro de nós para nos tornarmos testemunhas visíveis e credíveis do seu amor, para amar como Ele nos ama.

 Andreana Bassanetti

Reaprendendo a viver

A morte, por si só, é um mistério, é incompreensível.  Pela fé cremos que a partir dela se inicia uma nova vida, plena, feliz e eterna. Cremos que nossos filhos estão vivos na presença de Deus, e temos esperança de um dia reencontra-los no céu.   Sem a fé a morte é o fim. O desespero chega e a dor nos vence.

O luto é um processo, um tempo necessário que precisamos para aprender a viver com a dor da saudade. Existem momentos de tristeza profunda, de silêncio interminável, de questionamentos desesperadores.

Experimentamos sentimentos contraditórios, emoções nunca vividas, nem conhecidas. Mas aos poucos a dor se acalma e vamos colocando as emoções nos lugares. Aos poucos vamos percebendo que é preciso retomar a vida, seguir em frente, amar e cuidar daqueles que ficaram ao nosso lado, que também precisam e contam conosco para seguir suas vidas.

Sabemos que nunca mais seremos os mesmos, mas podemos lutar para que esse sofrimento nos faça pessoas melhores, que valorizam cada minuto como se fosse o último, que conseguem olhar a vida com os olhos da fé, muito além das aparências.

São atitudes sábias que transformam a dor em aprendizado, em passos largos rumo ao encontro dos nossos filhos no céu. Do contrário ficaremos  imobilizados e indiferentes ao amor de Deus, dos nossos filhos, familiares e amigos que estão conosco.

O sofrimento realmente pode nos paralisar ou nos ensinar, depende exclusivamente de nós. É claro que num primeiro momento a dor nos tira o chão, vira nossa vida ao avesso, porém,  ao confiarmos em Deus, permitimos que Ele derrame sobre nós as Graças necessárias que nos capacitam.

Não dá para simplesmente “virar a página” e esquecer. Não é possível arrancar a saudade do coração, porque ela é a presença dos nossos filhos. Ela só não vai doer se os esquecermos. Mas quem deseja esquecer?

As lágrimas nunca secarão, e qual o problema em chorar? As lágrimas não significam fraqueza nem falta de fé.   A superação dessa dor, se assim podemos dizer, só se dá a partir de um processo, e cada um tem seu tempo, que não quer dizer esquecimento.

Superar, no nosso caso,  significa continuar, reaprender a viver, refazer a vida a partir dessa dor. É seguir em frente mesmo sem as respostas para os questionamentos. É buscar em Deus forças para enfrentar a vida com suas alegrias e tristezas.

Superar é aprender a olhar além da dor, além do quarto vazio,  do violão que há muito está silencioso… É aprender a olhar além da dor pela falta daquela voz suave a nos chamar de “mamãe”, “papai”, daquele abraço que não nos envolve mais, daquele sorriso que preenchia nosso coração.

É compreender que embora a casa tenha ficado mais vazia,  nela moram pessoas escolhidas por Deus para fazer parte da nossa vida. É, na verdade,  crer que nossos filhos estão vivos em Deus, e que é preciso seguirmos em frente, sem desanimar, por mais profunda que a dor seja. É uma luta constante, que sozinho dificilmente se consegue.

Cada filho é único e seu lugar jamais será preenchido, sabemos disso, e justamente por isso não podemos nos fechar na dor e deixar de amar com toda intensidade aqueles que ficaram.

Já que não podemos mudar a situação, podemos ao menos tentar mudar a maneira de como enfrenta-la.

Que o amor Misericordioso de Deus nos dê sempre, e cada vez mais, força, coragem, fé e a esperança de um dia reencontrarmos com os nossos filhos no céu. Que assim seja, amém!