Bem-vindo(a)!

Guardamos nossas lágrimas para o momento oportuno. Quando o choro não é só meu. Quando desarmados e despretensiosos unimos as lágrimas e os corações. Não somos reféns nem salvadores, apenas sócios da mesma dor. Ela nos une como se fosse uma festa de contrário efeito. Que se celebra sem esquecer ninguém, como um evento que interessa a todos. Sem convite ou bilhete de ingresso. Nela todos já estão. Estão onde se encontram. E se encontram para dividir o que todos buscam: abraço, consolo, esperança… (Pe. Rogério das Neves)

Desejamos que todas as pessoas que sofrem a difícil experiência da perda de um filho tenham também a bela experiência de reencontrá-lo no Céu, isto é, no mistério de Deus.

Grupo de reflexão Filhos no Céu

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Reflexão do mês de Setembro

“Aprendeu o que significa a obediência, por aquilo que ele sofreu.” (Eb 5,8)

 

Setembro é o mês da “Obediência”. É o tempo no qual a Palavra nos convida a parar sobre um aspecto crucial da vida de Jesus para aprender também nós a sua mesma obediência filial pelas coisas que “sofremos”.

Somos assim chamados a compreender e a aderir sempre mais totalmente também nós à vontade do Pai procurando ver com os seus mesmos olhos as experiências vividas, que cotidianamente encontramos, mas sobretudo o evento dolorosíssimo que golpeou a nossa vida.

Quem sabe quantas vezes diante de um fracasso, de uma doença, sobretudo diante da morte de um filho ou de uma pessoa particularmente querida nós repreendemos Deus com a frase “mas o quer de mim?”.

Jesus nos convida a escutar humildemente, docilmente, ab-audire, isto é, a deixar-nos instruir por aquele acontecimento “sofrido” e sentir a vontade boa de um Deus que nos chama a ir além, a dilatar os nossos horizontes e o nosso coração, a amar como Ele nos ama e tornar-nos verdadeiramente seus filhos.

O versículo da Carta aos Hebreus (5,8), farol luminoso sobre o nosso caminho impera no nosso estatuto. Tantas famílias das nossas Comunidades, seguindo os passos de Jesus, aprenderam a obediência pelas coisas que “sofreram”. A morte do Filho (de Deus) ilumina a morte de um filho, a transforma, a transfigura. À sua luz viram a luz e vieram à Luz, ressuscitaram, renascidos do alto, tornaram-se “lugar de vida nova em Cristo”, anúncio autêntico e real de ressurreição, Eucaristia vivente para toda a Igreja. Farol luminoso de segura esperança no mundo. Testemunhas alegres dos seus filhos que estão no Céu.

 Refletindo e Rezando:

Deixo-me instruir, como Jesus, pelo doloroso acontecimento que sofri ou estou fechado a qualquer outro horizonte? Os numerosos por quês, que se aglomeram nos meus dias e nas minhas noites, são uma repreensão a Deus ou são uma busca da sua vontade e adesão ao seu projeto de amor? Quais são os obstáculos que me impedem de abandonar-me à sua escuta mais fiel e colaborativa? A materna presença de Maria aos pés da cruz, ícone da Igreja e de cada fiel, me ajuda a “estar” aos pés da minha cruz, sem sucumbir. Peçamos a ajuda da nossa Mãe Consoladora para poder contemplar, penetrar, e decifrar com olhos novos, a riqueza e o incrível esplendor que dela emana.

Andreana Bassanetti

Partida e chegada

 

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “já se foi”. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: “já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro” !!!

Assim é a morte.

Quando o veleiro parte,  levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “já se foi”.

O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino.

Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “já se foi”, no céu outro alguém dirá: “já está chegando”. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Assim, um dia todos nós partiremos, como seres imortais que somos, todos nós iremos ao encontro daquele que nos criou.

(Henry Sobel) 

Superar o luto requer tempo

Sufocar a tristeza e as lágrimas pode ser prejudicial, dê tempo ao luto, pois pode demorar semanas, meses, até mesmo anos.

A dor de perder um ente querido é singular. Toda pessoa tem o direito de chorar essa perda o quanto desejar, pois somente ela sabe a dor que passa em seu coração. Em muitos momentos de perda, sempre encontramos os “psicólogos de plantão”, os quais, com suas frases pré-fabricadas, não colaboram em nada com quem está sofrendo a separação. Muitos dizem: “Foi a vontade de Deus”, ou “Ele quis assim!” ou ainda “Foi melhor para ele”. Essas frases pobres e sem fundamento não ajudam em nada; pelo contrário, desfiguram o rosto amoroso do Senhor.

Deus não deseja que o ser humano sofra. O sofrimento é uma condição humana, não um desejo divino. O Senhor é amor, e tudo o que desqualifica o amor de Deus é um jeito impróprio de compreendermos a vida e os seus desdobramentos.

Muitos surgem com frases extremamente “formatadas”, afirmando: “Não chore!”. Como não chorar diante da dor da separação de alguém que nos deixou? Temos, sim, o direito de chorar o quanto quisermos e pelo tempo que desejarmos.

Sufocar a tristeza e as lágrimas pode ser prejudicial

Contudo, o luto é um processo e precisa ser elaborado aos poucos. Sufocar a tristeza e as lágrimas pode ser prejudicial. Dê tempo ao luto, pois pode demorar semanas, meses, até mesmo anos. Durante esse tempo, é normal que você sinta raiva, chore, se revolte e até mesmo questione Deus. É preciso viver esse “outono” para que um novo tempo comece a surgir lentamente, anunciando novas esperanças.

Muitos querem ficar sozinhos, outros preferem partilhar sua dor com algumas pessoas. Tudo isso ajuda a elaborar o processo do luto na vida. Outros ainda buscarão forças na oração.

Sentimentos de culpa

Durante esse processo, muitos questionamentos podem surgir: Por que ofendi tal pessoa naquele dia? Por que não a abracei mais? Por que não lhe disse que a amava? O que não fiz que deveria ter feito? Muitos outros questionamentos poderão surgir. Não os sufoque, mas também não se prenda a eles. Carregue em seu coração a certeza de que Deus, em Seu amor, acolheu seu ente querido.

Alguns rituais podem nos ajudar a superar para viver o processo do luto. Se desejar poderá escrever em uma folha os bons momentos que juntos viveram e também escrever as dores da saudade. Poderá ainda acender uma vela e fazer uma oração ao ente querido. Se sentir necessidade de partilhar com um amigo próximo a dor que sente em seu coração, não fique com medo. Fale, partilhe, desabafe. Nesse momento, é normal que as lágrimas venham. Deixe-as cumprir o papel de desabafo e saudades.

No luto sentimos um vazio enorme

O coração sente que falta algo, um espaço foi aberto. A saudade dói, mas não tenha medo de sorrir novamente, de contemplar as flores, de amar e se sentir amado pelos amigos e familiares. Permita-se recomeçar. A saudade ficará, as lágrimas voltarão, pois o amor que você sente pela pessoa que se foi nunca se apagará. Este amor que você sente lhe dará forças para continuar sua vida e cuidar daqueles que também precisam do seu carinho, do seu abraço e da sua ternura.

Pe. Flávio Sobreiro

(http://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/cura-interior/superar-o-luto-requer-tempo/)