História de Fé

Quero falar sobre a vida da minha mãe. Seu nascimento foi em 31 de dezembro de 1907, recebeu o nome em seu batizado de Eva Maria de Jesus.
Sua mãe faleceu quando ela tinha por volta dos seus 5 anos. Ainda menina começou a trabalhar para seu próprio sustento, pois seu pai sofreu um grave acidente.

Superou os obstáculos que apareceram em sua vida, pois era muito perseverante e tinha muita confiança em Deus. Era muito devota de Nossa Senhora Aparecida, apesar de não conhecer a Basílica e a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Era de uma família muito pobre e não tinha condições nenhuma para visitar a cidade onde se localizava a Basílica e a Imagem. Aos 18 anos, ela conheceu a Basílica e a Imagem de Nossa Senhora Aparecida, pois um casal de amigos dela a acompanhou na viagem. Aos 26 anos, Eva se casou com Benedito Augusto, ali, na Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

O casal enfrentava muitas dificuldades para sobreviver, mas nunca deixou de fazer a visita periódica à Basílica, junto com as três filhas que nasceram. No Santuário, faziam a visita a imagem, participavam da confissão e da santa missa, como devoção a Nossa Senhora.  Essa devoção não permanecia apenas nas visitas à Basílica, mas também em sua própria casa. Todos os dias, depois de um duro dia de trabalho na roça, Eva e Benedito, junto com suas filhas, Maria, Dirce e Helena, diante de um oratório que havia na sala, se ajoelhavam para rezarem o terço, a ladainha e a oração pela Santa Igreja e pela pátria.
Eva ficou viúva em 2001. Os anos se passaram e em 13 de maio de 2007, aos 100 anos,  o Papa Bento XVI, veio ao Brasil ao Santuário Nacional de Aparecida. Ela participou da Santa Missa e recebeu a Santa comunhão das mãos do Santo Padre, o Papa Bento XVI.

Em 2009, aos 101 anos, perdeu uma  de suas filhas, Maria Augusta, vítima de câncer. Para Eva não foi nada fácil perder a filha Maria que já estava doente há alguns anos, porém com Fé em Deus e Nossa Senhora Aparecida não se deixou abater. Ela dizia sempre que Nossa Senhora sofreu sem merecer e que o sofrimento que ela passava não se comparava ao de Nossa Senhora.

Sua última visita ao Santuário foi com suas duas filhas, Dirce e Helena, assim realizando mais uma vez seu sonho que teve início aos 18 anos.

Minha mãe faleceu em 17 de maio de 2010, assim retornando a Casa do Pai, deixando um exemplo de vida e Fé. Era uma mulher muito corajosa e perseverante, com muita confiança em Deus e devoção a Nossa Senhora Aparecida. Tinha uma fé muito viva! Uma grande mulher que sempre depositou sua confiança no Senhor, que sempre colocou Deus em primeiro lugar.

Um dos resultados desta escolha a Deus, foi poder participar da formação de dois de seus netos, que se tornaram sacerdotes: Dom Moacir Silva, hoje bispo da diocese de São José dos Campos e Padre Rogério Augusto das Neves, também do clero diocesano de São José dos Campos.

Eterna saudades e Exemplo de vida e Fé é o que Eva deixou a sua família, familiares e amigos.

Redigido por Helena Augusto das Neves, Filha de Eva, mãe de padre Rogério Augusto.

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6 pensamentos sobre “História de Fé

  1. Hoje é dia catorze de dezembro. Faltam dez dias para a véspera de Natal. Estou recordando como foi para minha mãe o Natal de 2009 sem a filha querida que faleceu. Naquela noite, ao invés de ir na Missa do galo eu peguei um presépio e fui até a casa da minha irmã, onde ela estava, e o silencio reinava naquele local pois estavam só as duas. Este foi o ultimo Natal de Eva maria de jesus enquanto estava presente nesta terra. Mas tenho a certeza de que para ela 2010 será cheio de glória, na presença do Pai, junto com o Filho e o Espírito Santo.

  2. Ao escrever o testemunho de Vida de Fé de minha mãe não imaginava que refletiria tanto para a comunidade, pois ontem ao terminar a missa uma pessoa da comunidade veio me dizer “o quanto este testemunho de vida é importante para ser seguido” e o quanto ela gostou e achou maravilhoso e quer passar para suas filhas este exemplo de fé.
    Eu agradeço a Deus que é grande e misericordioso em permitir que este testemunho fosse transmitido para comunidade.

  3. É uma enorme responsabilidade falar sobre esta mulher que durante tanto tempo pôde, se doando pela família, nos ensinar a saber viver amando Deus nas dificuldades, vendo Deus agir nos momentos de dor e sofirmento. Sem sombras de dúvidas a fé era seu melhor tesouro. Não só nos momentos difíceis, mas como nos de alegria ela não deixava de demonstrar que Deus tem que vir sempre em primeiro lugar. Me lembro que na ocasião da visita do Papa Bento XVI, quando ela pôde receber Jesus Sacramentado diretamente das mãos deste servo de Deus tão amado, ainda no carro, na viagem de volta a São José dos Campos não esitamos em perguntar: como ela estava se sentindo em ter Comungado o Cristo vivo diante deste importante homem? Com um sorriso no rosto ela simplesmente nos disse que era a mesma coisa. Que o Deus que ela recebeu das mãos do papa era o mesmo. Víamos em seu olhar que ela estava muito feliz com o ocorrido, mas, sempre com a certeza de que o importante nesta história era o DEUS que ela sempre professara.
    Perder sua filha foi muito doloroso para ela, e sabemos disso pois ficou estampado em seu rosto desde a ocasião. Mas como sempre ela buscava forças em Deus, nos ensinamentos que sempre aprendeu e ensinou.
    Hoje para os familiares fica a certeza de que ela sempre buscou:
    …Amar como Jesus amou
    Sonhar como Jesus sonhou
    Viver como Jesus viveu.
    Sentir o que Jesus sentia
    Sorrir como Jesus sorria…

    E para nós resta a certeza de que o que ela mais queria é ver a família seguindo este amor, sonhando, sentindo, sorrindo e vivendo como Jesus viveu. A fé e o amor sempre foram prioridades em sua vida. Espero que agora, mesmo em sua morte, consigamos por em prática estes ensinamentos que ela nos deixou durante seus 102 anos de vida. Que ela possa interceder sempre por nós, para que, tendo aprendido tantas coisas com ela, principalmente a nos adaptarmos com as perdas que a vida nos proporciona, que possamos nós também seguir estes ensinamentos e transmití-los a quem precisa.

  4. Apesar da estatura pequena e fragil, Dª. Eva foi uma grande mulher. Tive a oportunidade de acompanhar de perto seus últimos anos de vida em nosso meio, e posso afirmar que nos momentos mais dolorosos ela sempre demonstrou muita fé. Quando naquela noite do dia 06 de setembro de 2009, apesar do peso da idade, ela permaneceu firme durante toda a noite ao lado do leito de dor da sua filha com o terço nas mãos, ela sabia que sua filha estava quase partindo para a eternidade, e por isso ela rezava o tempo todo, e isso jamais posso esquecer.
    Quero lembrar também de momentos felizes como a celebração dos seus 100 anos de vida, quando logo pela manhã fui dar-lhe os parabéns e ela dizia que não acreditava que havia chegado nesta idade, não só chegar nesta idade, mas principalmente chegar com saúde. Era momento de muita ação de graças ao Bom Deus por permitir que ela vivesse conosco por tanto tempo.
    Tive a graça de presenciar momentos marcantes em sua vida, momentos felizes e momentos difíceis, em tudo ela sempre nos dava uma lição de vida, uma lição de fé, até nos seus últimos dias entre nós.
    Hoje tenho certeza que ela está na plenitude da Vida, por isso louvo e bendigo a Deus por sua existência.

  5. por favor corrigir minha mensagem “um pouco de tempo me verão ” , “…de existir sem nunca deixar de ter uma Palavra….”.

  6. No dia em que esperávamos a chegada do “corpo” de sua filha Maria tive a oportunidade de permanecer junto a Eva e eu ficava dentro de mim pensando o que dizer naquele momento de espera, ansiedade para a chegada da filha já sem sopro de vida…. algumas vezes ela contou algumas estórias do passado, mas entre uma e outra vinham frases como ” eu permanecerei com vocês ” , “um pouco de tempo me verão, outro tempo não me vereis..” “a Maria Mãe de Jesus sofreu. Ela sendo a Mãe de Deus passou por isto, porquê que eu não ia poder passar!”.
    Os frutos são incontáveis da vivência de seu matrimônio por mais de 60 anos. Um mês no Céu, mais de 102 anos com Deus.
    Te agradeço Maria Santíssima, e Deus Pai de Misericórdia por todas oportunidades que tive junto à “ela”, Eva. Amém.

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