Reencontrando a felicidade

REENCONTRANDO A FELICIDADE (RABBIT HOLE)

Tive a oportunidade de assistir recentemente ao filme “Reencontrando a felicidade”, adaptação do título original em Inglês: “Rabbit Hole” (Burado do Coelho), que trata sobre o tema do luto e como as pessoas lidam com ele. A história gira em torno de um casal, Becca (Nicole Kidman) e Howie (Aaron Eckhart) que recentemente perdeu o filho de apenas quatro anos, vítima de atropelamento por um adolescente, na frente de casa. Na verdade essa cena não faz parte do filme, nem mesmo o filho aparece. Apenas as lembranças sobre ele e sobre o acontecimento. Em seu dia-a-dia, marido e mulher precisam lidar com o que sentem, até mesmo freqüentando um grupo de apoio para pais que perderam filhos, buscando desesperadamente retomar a própria vida, cada um a sua maneira. Enquanto Howie mergulha no passado tentando recuperar as lembranças do tempo que passou com seu filho, Becca passa a seguir Jason (Miles Teller), o adolescente que atropelou seu filho e que acaba se transformando em seu confidente. Vale observar que Becca é resistente à busca de consolo que remete ao pensamento em Deus e sua vontade. Não suporta nem mesmo ouvir falar disso. Também há uma importante presença para Becca de sua mãe (Diane Wiest), que por sua vez, também tenta superar a dor da perda de um de seus filhos, onze anos antes. O filme é baseado em uma peça de teatro “Rabbit Hole”, escrita por David Lindsay-Abaire, que também fez a adaptação do roteiro. Tem a direção de John Cameron Mitchell e rendeu a Nicole Kidman sua sétima indicação para o Globo de Ouro de melhor atriz (Drama) e a terceira indicação ao Oscar.

Não sei o que possa representar um filme assim para pessoas que vivem a mesma experiência. Talvez seja muito doloroso para eles assistí-lo. Mas acho que a história poderia ajudar muito quem está próximo a essas pessoas, para que possa talvez compreender um pouco mais a singularidade dessa dificílima vivência. Acho que o filme expressa bem isso: o filho que o casal perdeu não aparece em cena, no entanto, sua ausência é a maior presença em todo o desenrolar da história. Às vezes pode parecer uma história de pessoas fechadas unicamente na sua dor, mas ela revela que quando existe essa dor, é muito difícil para quem a vive olhar para outra realidade. Também mostra o quando é difícil para quem está de fora, alcançar o nível de um diálogo com esses pais. Talvez seja por isso que Becca entra em colóquio com sua mãe, porque também enfrenta o mesmo que ela. Há conflitos quando fazem comparações entre  o tempo passado depois da perda e as circunstâncias da morte ou idade dos filhos perdidos. Talvez por isso também ela busque a presença do adolescente responsável pela morte do filho. Becca não quer saber de falar em Deus, diferentemente de sua mãe. É bem verdade que Deus se torna um problema na mente de quem perdeu um filho, especialmente quando se raciocina a partir de sua anunciada bondade. Acho que Ele somente poderá ser alívio e consolo quando os pais enlutados chegarem à lembrança ou convicção de que Ele é o responsável pelo filho ter sido, primeiro, chamado à existência, que o filho foi dado por Deus ou, então, quando voltarem a alimentar a esperança de um reencontro. Mas isso tudo leva tempo.

De todo o filme, destaco uma bonita e comovente cena, quando Becca resolve dar fim nas roupas do filho e, sendo ajudada pela mãe, descobre que a mãe ainda mantém uma caixa com os pertences do filho morto, apesar de já se terem passado onze anos. Ela diz à filha que isso é uma maneira de sentir que ele está presente, já que não o tem mais como antes. Então, Becca pergunta se a dor nunca passa. A mãe responde que nunca! Mas que, com o tempo, ela se torna suportável…

Pe. Rogério das Neves

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