Meditações sobre os mistérios do Rosário VI

Primeiro Mistério da dor

A oração de Jesus no horto do Getsêmani.

“Jesus saiu, foi dalí, segundo o seu costume, ao monte das Oliveiras; seguiram-no também os discípulos. Quando chegou ao lugar, disse a eles: ‘Orai para não cairdes em tentação’. Depois se afastou deles alguns passos e ajoelhando-se, rezava: ‘Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice. Mas não se faça a minha, mas a tua vontade’.” (Lc 22,39-42)

Pai Nosso – dez Ave Marias – Glória…

Perdemos tragicamente o nosso adorado menino há poucos meses e a escuridão e o sofrimento que temos no coração são muito fortes a ponto de obscurecer, por hora, cada chama de esperança e de paz. Até este momento vemos a nossa vida somente destruída, aniquilada por esta grande dor.

As tímidas tentativas de sair do nosso túnel são toda vez anuladas pela sensação de solidão que nos toma sempre que entramos em casa e começamos a vagar pelos cômodos vazios, como fantasmas à procura de um sinal de presença, na esperança que o nosso menino nos venha encontrar de um momento para o outro.

Desde de tenra idade demonstrava um talento extraordinário nas matérias artísticas, uma sensibilidade e um temperamento dignos de um pequeno gênio. Estava tardes inteiras a escutar música clássica e a sua paixão cresceu a tal ponto que decidimos inscrevê-lo no conservatório, para o violino e o piano.

Era um prazer entrar em casa e ouvir aquelas doces melodias que apaixonavam a alma, cada cômodo se enchia de tantos sons harmoniosos que se mantinha contato com o divino, se tinha mesmo a impressão de que ele nos abrisse as portas do paraíso e nos fizesse entrar num mundo celestial.

Mas esta sua excessiva sensibilidade e os longos treinamentos que devia fazer para a escola acabaram por afadigá-lo, isolá-lo e criar dentro dele uma melancolia que pouco a pouco se transformou em depressão.

Foi o início da sua paixão, um Getsêmani que durou pelos menos quatorze anos. Consultamos diversos especialistas, mas sem resultados. Foram anos tremendos de sofrimento indizível onde qualquer pai toca com a mão a própria impotência.

Não sabíamos mais o que fazer e a um certo ponto até mudamos de cidade para ver se um ambiente mais estimulante poderia distraí-lo e aliviá-lo dos seus pensamentos tristes, mas não adiantou nada.

Tudo parecia inútil. Creio que para um pai ou mãe  não existe pena maior que ver o próprio filho no sofrimento e não ter nenhuma possibilidade para poder aliviá-lo. Também Maria seguiu a humilhação, a angústia, a paixão e morte de seu Filho sem poder ajudar a levar uma cruz tão grande. É somente a ela, de fato, que fazemos apelo nas nossas orações para que interceda com o seu Jesus, junto do Pai, para que liberte o nosso menino de qualquer responsabilidade, Ela que é mãe entre as mães, sabe que o gesto extremo do nosso filho foi feito sem uma plena advertência e um deliberado consentimento.

(extraído e traduzido do livro “Come Maria, con Maria. – Meditazioni sui misteri del Rosario”  de Andreana Bassanetti, Paoline, Milano, 2001, pp. 28-29)

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