Transformar o pranto em esperança

Transformar o pranto em esperança

 

Aprender a olhar nossas dores de frente e não fugir delas é um grande desafio que a vida nos apresenta. O sofrimento requer de nós um profundo mergulho na fé, na confiança e amor a Deus. Ao convidar Deus para participar do nosso sofrimento, fundamentaremos nossa vida na esperança. Quanto mais a gente ama, maior é o potencial de sentir dor, talvez porque entramos no mistério do amor.

Deus nos convida a experimentar “não estar no controle”, a viver mais profundamente a nossa fé confiando em seu amor.  É uma grande ilusão acharmos que a vida é nossa propriedade. Às vezes queremos que as coisas aconteçam do nosso jeito, mas diante de uma grande dor percebemos o quanto somos impotentes e que as revoltas em nada mudam a realidade.

Dizer que acolhemos a vontade de Deus é um ato de fé e não uma expressão fatalista. Fé é muito diferente de fatalismo, é seu extremo oposto, porque a fé nos conduz à esperança, nunca a uma resignação passiva dos acontecimentos.  Confiar em Deus nos permite viver em expectativa ativa da providência divina. A fé cria em nós uma nova disposição de acolher a vontade de Deus em nossa vida, porque Ele sim está no controle. Fé é essa confiança que dispensa qualquer explicação, apenas se confia, porque sabemos em quem colocamos nossa confiança.

Transformar esse imenso sofrimento chamado saudade em ocasião de crescimento é graça que somente Deus concede. Claro que não é nada fácil viver com essa saudade que machuca e maltrata, a falta que nosso(a) filho(a) faz. A cruz, símbolo principal da nossa fé, nos convida a ver a graça de Deus onde há dor; a ver a vida onde pensamos já não mais existir; Cristo ressuscitou, e com Ele nossos filhos, por isso somos convidados a confiar que o caminho da cruz nos leva a uma nova vida, a vida eterna na presença de Deus e dos nossos filhos que no céu se encontram. Mas geralmente queremos afastar de nós o sofrimento, escapar a qualquer custo da dor. 

Não podemos mudar muitas circunstâncias em nossa vida, porém podemos mudar nossa reação diante delas.  As perdas geralmente são inegociáveis, mas precisamos escolher como enfrentá-las. Talvez transformar a atitude de revolta e amargura em aprendizado: “o que esse sofrimento pode me ensinar?”; “o que Deus deseja que eu faça nesse momento?”; “o que aconteceu comigo pode me ensinar a olhar a vida com novo olhar?”; “posso transformar meu sofrimento em testemunho de vida para os outros?”; “O que Deus espera de mim daqui para frente?”.  O sofrimento pode ser transformado em degraus na nossa caminhada espiritual, até porque se não fizermos assim, correremos o risco de viver angustiados, revoltados, seguindo em caminho oposto ao ensinado pelo Divino Mestre.

O período da Quaresma nos oferece essa oportunidade de crescimento na fé. É um período especial para aprendermos a ter os mesmos sentimentos de Cristo. Somente olhando para Ele aprenderemos a fazer a vontade de Deus, a assumir nossa missão, confiantes de que não estamos sozinhos, mas Cristo caminha conosco.

Com Cristo aprendemos a transformar o pranto em esperança, a viver o abandono na fé, na confiança e no amor a Deus, seguindo firmes no caminho que nos levará ao encontro dos nossos filhos no céu. O amor vindo de Deus não se acaba, é um amor que se faz presente na eternidade.

Que possamos viver intensamente a Semana Santa acolhendo em nosso coração a Paz oferecida pelo Cristo Ressuscitado: “A Paz esteja convosco!” (Lc 24, 36), “Coragem, eu venci o mundo!” (Jo 16, 32).

Regina Araújo

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7 pensamentos sobre “Transformar o pranto em esperança

  1. Querida Regina,
    Palavras sábias…que confortam o nosso coração de dor e muita saudade de nossos filhos. Entender o amor pleno de Deus nos faz repensar os momentos de sofrimento, e aí ficamos tão pequenos diante do grande AMOR de nosso Pai.
    FELIZ PÁCOA NO SENHOR!!!
    Marcilene Passos

    • Querida Marcilene, a Paz de Jesus!

      A partir do momento que fomos envolvidos no mistério de Deus, caminhamos pela fé. Somente a fé em Deus nos capacita para essa árdua missão.
      A saudade é realmente uma dor que transpassa a alma, e essa dor só é
      amenizada com a presença suave e amável de Deus.
      Nós, pais e mães que passamos por essa dor somos chamados a viver a experiência de fé aos pés da cruz, certos de que como Cristo ressuscitou e vive, assim também nossos filhos vivem a plenitude da vida eterna ao lado do Pai. Em Deus a vida é transformada, é eterna!
      Não estamos sós, cremos nisso! Então, lancemo-nos nos braços amados de Deus e Ele nos enviará as graças que tanto precisamos para cumprir nossa missão. Por Deus, com Deus e para Deus!!!
      Escreva-nos sempre que for possível, e conte conosco. Estamos unidos em oração. Obrigada pelo carinho e amizade. Deus abençoe!
      Feliz Páscoa para vocês também!
      Abraços,

      Regina Araújo

  2. Ah! Amiga Regina!!

    Boas lembranças nos traz quando fala de esperança.
    Do calvário à cruz, nos parece que apenas uma paisagem nos é proposta, um amor sofrido.
    Mas o que são os amores sofridos quando sabemos que a única coisa que vence a morte é o Amor?
    Em um momento de reflexão e encontramos o amor como único e poderoso antídoto para a dor.
    Um Amor que habita em uma virgem.
    Um Amor que cita versos de bem-aventuranças.
    Um Amor que toca e cura, olha e cura, fala e cura, cala e cura.
    Um Amor transfigurado no Filho Amado.
    Um Amor chorado.
    Um Amor amigo.
    Um Amor mestre.
    Um Amor servo.
    Um Amor calado e condenado.
    Um Amor crucificado.
    Um Amor que morre sozinho para dar frutos.
    Um Amor envolto aos sudários enrolados a parte.
    Um Amor ressuscitado.
    Eis a proposta maior, amar antes da morte, amar depois da morte e amar na morte.
    Na Santa Semana católica sejamos, parafraseando o seu convite, Paz da Esperança no Cristo que venceu a morte porque é Amor.

    Deus te abençoe profundamente e tenha uma Feliz Páscoa

    Eliete Gomes

    • Querida Eliete,

      Só o Amor que origina de Deus justifica tudo. Talvez não acabe com o sofrimento, mas o transforma pela fé em esperança.
      Dia após dia Deus tem dado sinais de seu Amor por nós, frágeis humanos. Uma das provas vivas desse Amor é essa família dos “Filhos que estão no Céu”, nascida da dor, da solidariedade, da esperança, e porque não dizer, do Amor maior e cuidado de Deus por nós.
      Obrigada por estar conosco!
      Deus abençoe e Feliz Páscoa para você também!
      Beijos,

      Regina

  3. Pe Rogério, essas palavras acalmaram um pouco meu coração, perdi meu filho Rafael a 52 dias e estou perdido e sem rumo,, não estou conseguindo trabalhar, choro todos os dias, ele tinha 21 anos, morreu de aneurisma na aorta, tento me agarrar na fé para conseguir suportar,, tenho uma filha que tenho que amparar,, ela sente muita falta do irmão..oro a Deus que tire essa angustia do meu coração…

    • Caro Ramon.
      O seu filho Rafael há de ajudá-lo a continuar a sua missão, especialmente em relação à sua filha, que precisa tanto de você. 52 dias são muito pouco tempo… 21 anos são muito pouco tempo… A eternidade é a medida de tempo do amor. Esse é para sempre. Não pense que seu amor está encerrado no tempo. Em Deus tudo ganha significado e perpetuidade. Tudo tem sentido, embora nem tudo nós saibamos explicar, mas a fé e o amor não dependem de nossas explicações ou compreensões. Confie sempre! Ame sempre!
      Pe. Rogério das Neves

      • Caro Ramon, a Paz de Jesus!

        Louvado seja Deus que te permite entender que somente pela fé é possível viver e cumprir essa difícil missão. Sozinhos não temos nenhuma condição de enfrentar tamanha dor. É pela fé que se percorre esse caminho.
        Assim como você, temos aprendido diariamente a enfrentar a vida carregando no coração esse imenso vazio, essa imensa dor chamada saudade, sempre confiando nas graças de Deus.
        Não temos uma receita pronta, mas dia após dia Deus tem nos capacitado para cumprir nossa missão.
        Não exija muito de você. Chorar é preciso, alivia o coração. Não vou dizer que com o tempo a dor se acaba, porque isso não é verdade, mas ela se acalma. Aos poucos vamos colocando as coisas nos lugares, vamos reaprendendo a viver, enfim, Deus vai nos dando as graças que precisamos diariamente, confie!
        Embora a saudade se torne nossa “fiel companheira”, saberemos senti-la envolvida no amor de Deus, no amor que ensina, que nos faz crescer, que nos aproxima de Deus e consequentemente dos nossos filhos que estão no Céu. Como disse o padre Rogério, o Rafael há de ajudá-lo nessa missão, afinal ele já se encontra na presença de Deus Pai e pode pedir, aliás, pede a Jesus por você e por sua família.
        Nossa família conta conosco, nossos filhos que ficaram precisam de nós, e certamente nós também precisamos deles. Sua filha conta com você. Seu amor por ela o ajudará a olhar para a vida com confiança, muita fé e esperança. Por ela, por sua família, e sobretudo por Deus, você encontrará as forças que tanto precisa. O importante é viver um dia por vez, e confiar que nos momentos mais difíceis Deus nos carrega nos braços.
        Às vezes falar nos ajuda um pouco, por isso, sempre que precisar, escreva-nos, estaremos sempre à disposição, como uma grande família, rezando uns pelos outros.
        A saudade dói demais, mas como dizemos aqui no Grupo, “a saudade é o amor que fica”, é o amor eterno dos nossos filhos em nosso coração.
        Que Deus nos ajude e nos guarde!Conte sempre conosco!
        Fraternalmente,

        Regina Araújo

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