A maior de todas as dores

A maior de todas as dores 

Toda vez que a gente tenta avançar na compreensão da vida, dar um passo  em direção ao crescimento espiritual, geralmente essas tentativas estão envolvidas em algum tipo de “dor”: separação, solidão, doença, desemprego, dificuldades variadas, e, sobretudo a perda de um filho, uma filha ou ente querido.

O sofrimento no decorrer da vida é inevitável, seja por motivos pequenos ou superiores a nossa força. Qualquer dor, física ou emocional, significa sofrimento certo. Um machucado, uma doença, o rompimento de um relacionamento, a perda de alguém querido, enfim, cada motivo pode gerar a dor em intensidades diversas. Os fatos e motivos podem ser os mesmos, mas cada pessoa reage de forma única, de acordo com sua visão da vida, e de acordo com sua espiritualidade.

A dor da perda de um filho, uma filha ou ente querido é a maior de todas as dores. Ela tira de nós as expectativas para o futuro; tira nosso chão, acaba com os nossos objetivos de vida. Essa dor nos desafia espiritualmente. É um exercício imenso da nossa fé. 

É nesse momento que verdadeiramente provamos nossa fé e amor ao Deus que por toda nossa vida afirmamos amar. Ter fé enquanto tudo está tranquilo, não exige muito. Mas ter fé diante da partida de um filho, uma filha ou ente querido, ah isso sim, requer muito esforço! 

É nessa hora que descobrimos a dimensão da nossa fé. É nessa hora também que, se abrirmos nosso coração, fazemos a maior experiência do amor de Deus. 

Experimentamos a presença na ausência. Sim, presença de Deus na ausência dos nossos filhos e entes queridos. E isso faz toda a diferença!

A despedida nesse caso ultrapassa nosso entendimento humano. Embora cada um tenha a sua história, todos nós sabemos que essa imensa dor gera uma saudade incontrolável. Essa saudade pode gerar sentimentos diversos. Podemos, através dela, relembrar momentos de felicidade intensa e transformá-la em doces recordações ou, através dela dar um mergulho no vazio, no desespero que consome e atormenta. A diferença é a direção que damos a ela. Tudo vai depender de como enfrentamos a situação.  

O processo de acolhimento do sofrimento é formado por várias etapas.  Qualquer que seja a resposta que damos num primeiro momento, o certo é que com o tempo vamos colocando as coisas nos lugares e a visão, que até então pode estar muito turva, vai ficando clara novamente. 

Aos poucos a paz chega em forma de aceitação, que vai tomando conta do nosso coração e vamos assim aprendendo a olhar a vida com mais serenidade.

E não é o “pouco” ou “muito” sofrimento que delimita o tempo da aceitação. Não, pelo contrário, é nosso olhar para ele.  

A maior de todas as dores pode nos conduzir ao caminho do eterno, ou pode nos paralisar e nos afastar do amor de Deus. 

A decisão é um ato de livre arbítrio. Não é fácil, talvez nem tenhamos forças num primeiro momento, mas aí precisamos humildemente buscar a ajuda necessária em Deus, nos familiares, nos amigos. 

A vida precisa ser vivida, mesmo que o coração esteja esmagado pela dor. 

A saída às vezes está, num primeiro momento, em “silenciar”, acolher no coração mesmo sem entender, sem ter as respostas a tantas perguntas que invadem nosso interior, e depois, aos poucos se permitir retomar a vida com um olhar mais maduro e mais voltado para as coisas que realmente contam. 

Olhar a vida de frente, com suas alegrias e tristezas, conquistas e derrotas, mas certos de que essa dor, a maior de todas, nos aproxima de Deus, nos capacita para enfrentarmos as surpresas da vida e assumirmos a grande missão chamada SOLIDARIEDADE. 

Quem passa por tamanho sofrimento consegue ajudar com serenidade a um outro irmão que sofre. Entende verdadeiramente que é “consolando que se é consolado”.

É a partir daí que poderemos dar uma resposta de fé e coragem, assumindo a missão, percebendo que é preciso “combater um bom combate” para poder ao final, receber das mãos de Deus a coroa da vida eterna, e o prêmio do reencontro com os nossos filhos e entes queridos. 

Grupo de Reflexão “Filhos no Céu” – Diocese de São José dos Campos – SP

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