Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar…

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar…

© Letícia Thompson

Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar que uma pessoa que chega na nossa vida é um presente que nos foi oferto.

Há presentes assim valiosos que não duram muito, quando nossos corações desejariam que durassem eternamente e ignoramos por que eles se vão quando a vida parece apenas começar.

Mas se nos perdemos nesse mundo de questões sem respostas, a dor será muito maior que as lembranças de tudo o que a vida nos permitiu juntos enquanto durou a caminhada na terra.

Se tivéssemos que voltar atrás, teríamos preferido não ter encontrado, não ter conhecido, somente por que não pudemos guardá-lo no nosso seio mais tempo?

Não…

O vento passa, mas nos refresca; a chuva vem e vai, mas sacia a terra. O importante mesmo não é a quantidade de tempo que as coisas ou pessoas duram, mas a riqueza que elas trazem à nossa alma, o amor que nos permitimos dar e o que aceitamos receber.

As dores das partidas definitivas são indizíveis, indefiníveis, mas que elas nunca nos impeçam de nos lembrar da vida compartilhada.

Que as lágrimas não nos impeçam de sorrir novamente um dia quando a dor for mais amena e as lembranças felizes começarem a voltar, como as flores no jardim a cada primavera.

A eternidade existe para que esperemos por ela, para que tenhamos o consolo de saber que um dia, se o Deus-Pai permitir, Ele que nos ama de amor infinito, poderemos novamente nos encontrar.

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3 pensamentos sobre “Que as lágrimas não nos impeçam de nos lembrar…

  1. Querida Stela,

    Mesmo não tendo conseguido te enviar uma mensagem ontem, fui à missa e comunguei em sua intenção. Coloquei no altar do senhor seu coração de mãe, que especialmente ontem sofria mais.
    Sabe, às vezes pensamos que já estamos, digamos “fortes”, e por isso pensamos também que conseguimos lidar com todas as datas, mas amiga, bem sabemos que não é assim. Existem dias mais doloridos, mais exigentes, mais intensos. Dias em que nosso desejo é ficar quietinhas na cama, sem ter que falar com ninguém. Penso que nesses dias nem somos nós que fazemos as coisas, mas a graça de Deus que providencia tudo e nos permite realiza-las. Sinto que nesses dias cada gesto nosso é uma oferta de sacrifício. E acredito que Deus as recebe dessa forma, pois sabe o quanto é difícil para nós viver a vida sem nosso filho ou filha. Ele sabe que fazemos um esforço monumental para tocar a vida, e isso é também avançar na fé. Continuar a missão não é tarefa fácil não. Só mesmo pela graça e misericórdia de Deus.
    São dias tão exigentes que às vezes tentamos esconder nosso choro por pensarmos que estamos vacilando na fé. Não amiga, não estamos! Chorar de saudade por um filho ou filha que já partiu é sinal do mais puro amor. É manifestar que estamos sentindo sua falta, que está doendo, que estamos lutando, mas que não está sendo fácil.
    Até Jesus chorou, então porque nós, pequenos e frágeis mortais, não podemos chorar?
    São lágrimas de saudade, mas uma saudade envolvida na esperança do reencontro no céu.
    Já fazem oito anos e sete meses que a Renatinha partiu e a dor continua intensa. Foi assim no último domingo, dia dos pais. Creio que não tenha sido diferente para os outros pais.
    O que acontece é que Deus vai acalmando nosso coração e nos faz confiar ainda mais na vida eterna.
    No barco da nossa vida, se Deus é o capitão, as tempestades virão, mas se acalmarão até atravessarmos para a outra margem.
    Você percebeu que ontem você conseguiu fazer o que o Renam gostava? Você comeu pastel de queijo com coca-cola, não foi isso? É uma vitória quando conseguimos fazer as coisas que eles gostavam. Deveria ser assim, deveríamos dar continuidade às coisas que os faziam felizes. Deveria… mas não é assim tão simples. Talvez quem vê de fora pense que é questão de esforço, mas nós sabemos que tudo acontece no seu tempo, que devemos e precisamos respeitar nossos limites.
    Só para ilustrar, ficamos vários anos sem visitar alguns lugares, porque doía demais. Eram lugares que a Renatinha amava passear. Tínhamos uma dificuldade enorme de lidar com isso, até que chegou o dia que tivemos que escolher em ir ou não ir com a família, e optamos em ir e viver cada dia que se apresentava como um presente de Deus a nós.
    No caminho parecia que o coração ia explodir. As lágrimas vieram, e quando chegamos amiga, sentimos ainda mais forte a presença dela em nosso coração. Então entendemos que devemos, na medida do possível, continuar a fazer o que tem que ser feito. Ninguém é obrigado a nada; não existe receita ou fórmula pra se viver a dor do luto. Mas optamos em fazer o que ela gostava e foi maravilhoso. Um final de semana abençoado, muita paz, muita luz, e sentimentos tão bons que nos unia. Foi um dia maravilhoso para nossa família.
    Com certeza virão dias que optaremos em não fazer ou não ir, que mal há nisso? Cada dia o seu peso. No Grupo dizemos: um dia por vez!
    Acho que ninguém deve se machucar se ainda não está preparado. Tudo tem seu tempo e cada um seu jeito. Aos poucos a gente vai descobrindo nossos limites. O seu ontem foi surpreendente: você comeu pastel de queijo com coca-cola… nós entendemos o que é isso e como foi importante esse seu gesto!
    Podem passar anos e anos, e a dor sempre vai existir. Ela não vai desaparecer por termos fé, mas a fé, e só ela, nos capacita para vivermos mesmo sofrendo, porque cremos que ao final, na presença de Deus, nossos filhos nos esperam para aquele abraço que está a tanto tempo guardado, para aquele encontro que tanto esperamos. Nem preciso te falar, você sabe de tudo isso e muito mais.
    O que eu queria mesmo era te dizer que você não está sozinha. Em uma família, a dor de um dói no outro. Sinta-se abraçada por cada um de nós da família dos “Filhos no Céu”. Conte sempre conosco.
    Que o amor de Deus e dos nossos filhos possam aquecer sempre nosso coração. Que cada amanhecer nossos olhos se voltem para o céu, e de lá venham as graças e forças que tanto precisamos.
    Deus a abençoe!
    Com muito carinho,

    Regina

    • Obrigada Regina.
      Vc sabe da minha admiração e carinho por vc e todos do Grupo.
      Mesmo na dor, me sinto acolhida, amada e acariciada por cada um.
      Se Deus nos colocou juntos, o propósito é realmente partilharmos cada avanço, e tbm cada fase de imobilidade que nossa nova vida apresenta.
      E, assim, um ajuda o outro a continuar confiando na promessa do reencontro.

  2. Hoje, 12/08/15, meu Renan completaria (ou completa?) 19 anos!
    Quanta saudade no coração.
    Quanta imaginação ao pensar em que altura estaria? E o corte de cabelo? Estaria estudando o quê, trabalhando onde?
    E assim vai passando o dia.
    Agradeço sim, tudo o que pude viver com ele, e tudo que, mesmo já partido, me ensina sobre amor e confiança.
    Ah! E comi pastel de queijo com Coca-Cola em sua homenagem!

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