Um dia de cada vez…

Um dia de cada vez

Como sempre dizemos, “um dia de cada vez”. A cada dia bastam suas preocupações. Assim vamos aprendendo a caminhar pela estrada da vida. É aquela velha história, cada pessoa vive a vida do seu jeito, fazendo a leitura dos acontecimentos com a sabedoria que lhe foi permitido adquirir com o passar dos anos.

Se o caminho é acidentado, cheio de abismos, de curvas e obstáculos e o de outras pessoas, no entanto, é mais tranquilo, sem obstáculos aparentes, não quer dizer que essas pessoas não enfrentam dificuldades ou sofrimentos. Cada um enfrenta as dificuldades, desviam dos obstáculos e abismos e contornam as curvas conforme a visão que tem da vida, conforme a direção que dão ao seu olhar…

A morte de um filho ou uma filha, teoricamente fora da ordem natural nos causa um grande abalo, em todos os aspectos.  Tira nosso chão, causa um enorme vazio, um estado de choque, de torpor, de pavor. O sofrimento causado pela morte de um filho ou uma filha é, sem dúvida nenhuma o maior sofrimento que um ser humano pode conhecer. Para ele não existe nome, nem explicação.

Mergulhar na dor pode gerar sentimentos negativos que nos afastam dos cuidados amorosos de Deus e das pessoas que nos amam e estão ao nosso lado.  Muitas vezes não conseguimos enxergar mais nada a nossa volta, nem mesmo olhar a força que está dentro do nosso coração.

A dor da saudade, no nosso caso de pais e mães que temos um filho ou filha no céu, é indescritível, chega a ser absurda. Mas, queremos permanecer mergulhados na dor que destrói ou através dessa dor avançar na fé e nos aproximarmos ainda mais de Deus e dos nossos filhos?

Claro que palavras não aliviam a dor, mas nos levam a refletir o que queremos fazer da nossa vida. Quando o vazio enorme causado pela saudade bater forte e parecer que estamos sós no mundo… Quando parecer que a vida não tem mais sentido e que nada mais vale a pena, chegou a hora de avançar na fé e entregar o controle nas mãos de Deus. “Quando estou fraco então é que sou forte” (2 Cor. 12, 10).

Diante do mistério da morte é a fé que nos manterá “em pé aos pés da cruz”.  É a fé que nos fará mergulhar nos braços do Pai e nele encontrar forças e paz que tanto necessitamos para seguir em frente. É a fé que nos dará condições de transformar essa dor em missão, e nos ajudará, aos poucos, a olhar novamente para a vida com esperança e confiança. Retomar a vida é necessário.

Seguir em frente com fé não quer dizer que deixamos de sofrer ou que amamos pouco, muito pelo contrário, é sinal que começamos a entender que o amor é eterno, que nossos filhos estão vivos em Cristo e nos esperam para o grande dia do reencontro no céu. É verdadeiramente questão de fé! Perpetuar o sofrimento significa que ele está falando mais alto do que o amor.

Nós fomos abençoados com a vida dos nossos filhos. Conhecemos o amor em sua forma mais sublime e divina: o amor de mãe e de pai. Geramos, cuidamos, amamos os filhos, presentes de Deus. Mas a missão deles foi cumprida com louvor, e por mais difícil que seja, e é, precisamos seguir em frente, cumprir nossa parte, nossa missão, aprendendo a cada dia a olhar a vida com os olhos da fé, da esperança, da confiança plena em Deus.

O sofrimento nos desprende das coisas passageiras, nos ensina a sermos mais sensíveis e solidários com a dor do irmão e a sair de nós mesmos ao encontro do nosso próximo.

No mundo tereis aflições. Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Teremos momentos de tristeza, claro, mas mesmo assim ainda conseguiremos novamente ser felizes. Deus não nos desampara nunca. Sua graça nos capacita constantemente.

Elevemos a Deus nossa prece de dor, mas também de fé e de gratidão pela imensa bondade em ter nos presenteado com a vida dos nossos filhos. Unidos a Deus, e a eles, sigamos em frente, na certeza de que nossos filhos apenas nos precederam.

Abrindo nosso coração poderemos sentir mais intensamente o amor de Deus nos conduzindo pela estrada da vida. “Digo-vos: levai em frente esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida.” (Papa Francisco). Não estamos sós!

Que Nossa Senhora da Consolação, Mãe que sentiu essa dor sem nome, e mesmo assim permaneceu em pé aos pés da cruz e seguiu fiel à sua missão, nos ampare e nos conduza ao encontro eterno no céu. Amém!

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