Reflexão do mês de março

 “… cada manhã e me excita o ouvido…”   (Is 50,4)

Março é o mês do “escuta interior”. Um tempo favorável, particularmente forte e intenso neste Ano Santo, de recolhimento e de silêncio, que o Senhor nos dá para afinar a nossa capacidade de escuta. Trata-se de uma escuta profunda, interior, que nos faz transformar em “corações ardentes” que pulsam, com renovado vigor, na direção do irmão ou da irmã ao lado, como sinal de segura esperança e de consolação, de graça e de ressurreição. “Cada manhã excita o nosso ouvido” para fazer-nos perceber a sua divina presença bem pertinho de nós. Uma presença vivificante, mais íntima do nosso íntimo, como chama viva do seu amor que queima toda dúvida e tristeza e faz novas todas as coisas: transfigura a dor, transforma o luto em alegria e nos dá “uma língua adestrada para que saibamos dizer palavras de conforto à pessoa abatida”.

Quem sabe, talvez, quanto tumulto na nossa vida interior durante o trabalho do luto, quem sabe que agitação, que emaranhado de pensamentos, sentimentos, tormentos, preocupações, dúvidas, conflitos. Quem sabe quantas resistências no confronto com sua Palavra.

Quantas vezes fechamos os nossos ouvidos para não ouvi-la e procuramos subtrair-nos à sua vontade? Quantas vezes procuramos resistir ao seu chamado e não compreendemos a preciosidade da sua presença amável, consoladora, dentro da nossa dor? Para encontrar Deus, e em consequência os nos entes queridos que estão n’Ele, para deixar-nos transformar por Ele, é indispensável fazer silêncio dentro de nós e intensificar a nossa capacidade de escuta interior. Só então Deus poderá resplandecer na nossa vida e fazer-nos ressurgir. Como os nossos filhos no Céu, assim nós na terra.

Por essa razão o Senhor “cada manhã excita o nosso ouvido”! Somente se nos colocamos no caminho da Kenosi (rebaixamento) que Ele mesmo viveu, o caminho da humildade, da espoliação, de esvaziamento, seremos capazes de avaliar verdadeiramente a riqueza que escorre da Cruz, escutar no profundo das nossas vísceras a mensagem de amor que dela emana, contemplar-lhe a beleza “Para saber quem seja Deus devo somente me ajoelhar aos pés da Cruz” (K. Rahner) e escutar.

Rezando: Neste tempo favorável de silêncio e de recolhimento consigo ter momentos de intimidade com Deus, de escuta interior? Quais são os principais impedimentos? Quais as resistências que emergem? Consigo contemplar a preciosidade que está escondida na minha dor, mesmo na morte?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, para ajudar-nos a “estar” aos pés da Cruz, exatamente como fez ela, Mestra do silêncio interior, para contemplar o esplendor, a mensagem de amor.

Andreana Bassanetti

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