Reaprendendo a viver

A morte, por si só, é um mistério, é incompreensível.  Pela fé cremos que a partir dela se inicia uma nova vida, plena, feliz e eterna. Cremos que nossos filhos estão vivos na presença de Deus, e temos esperança de um dia reencontra-los no céu.   Sem a fé a morte é o fim. O desespero chega e a dor nos vence.

O luto é um processo, um tempo necessário que precisamos para aprender a viver com a dor da saudade. Existem momentos de tristeza profunda, de silêncio interminável, de questionamentos desesperadores.

Experimentamos sentimentos contraditórios, emoções nunca vividas, nem conhecidas. Mas aos poucos a dor se acalma e vamos colocando as emoções nos lugares. Aos poucos vamos percebendo que é preciso retomar a vida, seguir em frente, amar e cuidar daqueles que ficaram ao nosso lado, que também precisam e contam conosco para seguir suas vidas.

Sabemos que nunca mais seremos os mesmos, mas podemos lutar para que esse sofrimento nos faça pessoas melhores, que valorizam cada minuto como se fosse o último, que conseguem olhar a vida com os olhos da fé, muito além das aparências.

São atitudes sábias que transformam a dor em aprendizado, em passos largos rumo ao encontro dos nossos filhos no céu. Do contrário ficaremos  imobilizados e indiferentes ao amor de Deus, dos nossos filhos, familiares e amigos que estão conosco.

O sofrimento realmente pode nos paralisar ou nos ensinar, depende exclusivamente de nós. É claro que num primeiro momento a dor nos tira o chão, vira nossa vida ao avesso, porém,  ao confiarmos em Deus, permitimos que Ele derrame sobre nós as Graças necessárias que nos capacitam.

Não dá para simplesmente “virar a página” e esquecer. Não é possível arrancar a saudade do coração, porque ela é a presença dos nossos filhos. Ela só não vai doer se os esquecermos. Mas quem deseja esquecer?

As lágrimas nunca secarão, e qual o problema em chorar? As lágrimas não significam fraqueza nem falta de fé.   A superação dessa dor, se assim podemos dizer, só se dá a partir de um processo, e cada um tem seu tempo, que não quer dizer esquecimento.

Superar, no nosso caso,  significa continuar, reaprender a viver, refazer a vida a partir dessa dor. É seguir em frente mesmo sem as respostas para os questionamentos. É buscar em Deus forças para enfrentar a vida com suas alegrias e tristezas.

Superar é aprender a olhar além da dor, além do quarto vazio,  do violão que há muito está silencioso… É aprender a olhar além da dor pela falta daquela voz suave a nos chamar de “mamãe”, “papai”, daquele abraço que não nos envolve mais, daquele sorriso que preenchia nosso coração.

É compreender que embora a casa tenha ficado mais vazia,  nela moram pessoas escolhidas por Deus para fazer parte da nossa vida. É, na verdade,  crer que nossos filhos estão vivos em Deus, e que é preciso seguirmos em frente, sem desanimar, por mais profunda que a dor seja. É uma luta constante, que sozinho dificilmente se consegue.

Cada filho é único e seu lugar jamais será preenchido, sabemos disso, e justamente por isso não podemos nos fechar na dor e deixar de amar com toda intensidade aqueles que ficaram.

Já que não podemos mudar a situação, podemos ao menos tentar mudar a maneira de como enfrenta-la.

Que o amor Misericordioso de Deus nos dê sempre, e cada vez mais, força, coragem, fé e a esperança de um dia reencontrarmos com os nossos filhos no céu. Que assim seja, amém!

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