DOR DA PERDA DO FILHO

 

Quatro estações são necessárias para que se possa passar adiante depois de uma perda. O primeiro tudo depois da morte é sempre o mais difícil: o primeiro aniversário, o primeiro natal, o primeiro réveillon, as primeiras férias… são as ocasiões mais doloridas. Mas o passar dos dias ameniza a dor e vai dando lugar a uma certa nostalgia, ao carinho da lembrança.

Pensamos no instante da perda que nunca mais seremos capazes de sorrir, mas isso não é verdade. Depois de algumas auroras e alguns entardeceres, vamos descobrindo que a vida ainda está muito presente, que ainda somos capazes de nos alegrar com outras coisas, sem que isso diminua o amor e a saudade que sentimos de quem partiu.

Aceitamos dificilmente a morte porque nos esquecemos com facilidade que nossa vida na terra é apenas uma passagem. E quando alguém parte, é como se acordássemos para essa realidade: somos eternos para a vida, mas não a terrena! Inconscientemente pensamos na nossa própria morte e na daqueles que ainda estão conosco.

Mas… enquanto o sangue pulsar nas nossas veias, é a vida que pulsa e tudo o que podemos e devemos fazer é vivê-la. Alguém que amamos parte para sempre e isso é tremendamente doloroso. Essa pessoa é insubstituível ao nosso coração, já que cada pessoa é única em si no nosso viver e somos conscientes disso. Mas outros que amamos e que nos amam ainda estão por aqui e isso deve ser motivo de alegria e reconforto.

Por esses, pelo menos, devemos nos reerguer, reagir, fazer um esforço. E para nós, para nosso bem. Deus nos consola; amigos, família nos consolam… só precisamos é aceitar as mãos estendidas. Quatro estações e um pouco de paciência… o sol vai brilhar novamente, a alegria vai de novo encher o coração e tudo vai voltar ao normal. É preciso acreditar nisso!

Letícia Thompson

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Reflexão do mês – Abril de 2018

“Então Jesus abriu a mente deles... (Lc 24,45)

Abril é o mês da “Corporeidade do Ressuscitado” . O tempo no qual Jesus deseja abrir a nossa mente e o nosso coração às profecias anunciadas nas Sagradas Escrituras. Ressuscitado da morte, aparece aos Seus discípulos, e hoje a todos nós, no esplendor do seu novo estado, “em carne e osso”. Se faz visível com um corpo real, consistente, igual ao que tinha durante a sua vida terrena, mas diferente na substância, incorruptível, eterno, reconhecível somente com olhos novos. Só com os olhos da fé. Só com os olhos do amor confiante.

Jesus não “vem” entre os discípulos, “está”, “é” com eles. Está já ali, ao lado deles e, portanto, ao nosso lado. Se faz visível só a quem sabe reconhecê-lo. E é belo, tranquilo, confortante saber que também os nossos filhos no Céu, com Jesus, em Deus, têm mantida a sua identidade corpórea, têm um corpo igual àquele de antes que tanto amamos, “em carne e osso”, hoje glorioso e, já aqui e agora, estão aqui, ao nosso lado. Basta ter olhos novos para saber reconhecê-los.

Se da fase da rebelião, da dor cega, das culpas e dos temores, permitimos a Jesus de abrir-nos para um além, podemos perceber a sua presença real ao nosso lado.

Sentimos dia após dia que nos confortam, nos iluminam, nos acompanham. Mais nos aproximamos com fé do Mistério de Jesus Ressuscitado, da sua Palavra, mais nos aproximamos da sua nova realidade.

A proximidade torna-se encontro, o encontro torna-se diálogo. Não lhes vemos com os nossos olhos, mas o relacionamento íntimo com eles lhes faz sentir tão vivos e reais a ponto de fazer a sua corporeidade quase visível.

Refletindo e Rezando:

Creio firmemente no mistério da ressurreição de Jesus? Quais são as minhas dúvidas? Creio que meu filho, minha filha, como Jesus, tem seu corpo transformado e transfigurado em relação ao que era antes? É o mesmo de antes, mas é diferente de antes? Quais as transformações a ressurreição de Cristo suscitou em mim? Sou testemunha credível e eficaz da ressurreição de Cristo?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, que esperou contra toda esperança e creu nas promessas do Senhor, de tirar toda dúvida da nossa mente e do nosso coração para que se abram ao grande mistério da Corporeidade de Jesus Ressuscitado.

                                                                                  Andreana Bassanetti

Reflexão do mês de março

“… dirigiu preces e súplicas …”    (Hb 5,7)”

Março é o mês das “Súplicas”. O tempo no qual Jesus, dirige acuradas orações ao Pai, “com fortes gritos e lágrimas”, para que pudesse salvá-lo da morte. Também ele, como homem, teve de passar através da Sua hora.

Durante a Sua vida terrena, não Lhe foram poupados nem o sofrimento nem a morte. Mesmo sendo Filho, se fez carne e, como cada um de nós, conheceu o sofrimento, aprendeu a obediência por aquilo que sofreu e, tornado perfeito, tornou-se causa de salvação eterna para todos aqueles que lhe obedecem. Para estar verdadeiramente ao lado de cada homem, Jesus tornado igual a todo homem a cada um de nós. Para participar das nossas misérias, as assumiu Ele mesmo. A Sua carne de fato conheceu a debilidade, a agonia e a morte como acontece a cada um de nós no curso da nossa vida. As Suas súplicas, com fortes gritos e lágrimas, são similares àquelas que cada um de nós, no nosso Getsêmani, diante da morte do filho, dirigiu ao Pai.

Pelo Seu pleno abandono, pela Sua plena obediência à vontade do Pai: não a minha, mas a tua vontade seja feita, as Suas súplicas foram ouvidas. Não porque foi subtraído da morte física, mas por ter sido subtraído ao seu poder. Deus transformou a Sua morte em uma exaltação de Vida.

E assim fará para cada um de nós à medida que nos abandonarmos a Ele e fizermos a Sua vontade. As nossas orações e súplicas serão ouvidas e nos tornaremos causa de salvação eterna.

Refletindo e rezando:

As orações e as súplicas que dirijo a Deus Pai nos momentos mais escuros e difíceis da minha vida, frequentemente acompanhadas por fortes gritos de dor e das lágrimas, são somente de revolta e de reprovação?

Permaneço firme nas minhas posições ou consigo fazê-las ir além de mim mesmo e aprendo pouco a pouco a obediência através do sofrimento e da morte?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, para ajudar-nos a viver esse tempo quaresmal de modo fecundo, para aprender, como Jesus, a obediência ao Pai por meio das coisas que temos sofrido e para fazer-nos participantes da salvação dos nossos filhos.

Andreana Bassanetti

                                                                                 

PAPA: NÃO SOMOS ETERNOS, SOMOS HOMENS E MULHERES EM CAMINHO

 

1 de fevereiro de 2018 Reflexão

A morte é um fato, uma herança e uma memória: Francisco propôs estas três reflexões para nos salvar da ilusão de sermos donos do tempo.

Cidade do Vaticano
A certeza da morte guiou a reflexão do Papa Francisco na missa celebrada esta manhã (01/02) na capela da Casa Santa.
A primeira leitura fala da morte do Rei Davi. Ele – o grande Rei – o homem que consolidou o próprio Reino também ele deve morrer, não é o dono do tempo.
“Nós não somos nem eternos nem efêmeros: somos homens e mulheres em caminho no tempo, tempo que começa e tempo que acaba”, disse o Papa. Diante desta constatação, Francisco propôs três ideias: a morte é um fato, uma herança e uma memória.
Fato
A morte é um fato. Nós podemos pensar tantas coisas, inclusive imaginar que somos eternos, mas o fato acontece. Cedo ou tarde, chega. É um fato que toca todos nós. Nós estamos em caminho e não ao léu ou homens e mulheres num labitinto:
Mas existe a tentação do momento que toma conta da vida e o leva a girar no momento deste labirinto egoísta do momento sem futuro, sempre ida e volta, ida e volta, não? E o caminho acaba na morte, todos sabemos disso. E por isso a Igreja sempre buscou refletir sobre este nosso fim: a morte.
Herança
“Eu não sou o dono do tempo”, “repetir isso ajuda”, aconselhou o Papa, “porque nos salva daquela ilusão do momento, de tomar a vida como um cadeia de anéis de momentos, que não tem sentido”. “Estou em caminho e devo olhar avante.” Segundo: a herança. Eu vou embora e deixo uma herança. Não a do dinheiro, das propriedades, das posses, mas a herança do testemunho. Davi, por exemplo, deixou a herança da conversão, de adorar Deus antes de si mesmo depois de uma vida de pecados.
Quando pensamos num morto, disse ainda o Papa, sempre pensamos numa pessoa santa. “Existem duas maneiras de canonizar as pessoas: na Praça S. Pedro e nos funerais, porque se torna sempre um santo e porque não representa mais uma ameaça para nós. Mas, ao invés, devemos nos perguntar:
Que herança eu deixarei como testemunho de vida? É uma bela pregunta a nos fazer. E assim nos preparar porque todos nós, nenhum de nós permanecerá “de relíquia”. Não, todos percorreremos este caminho.
Memória
Terceiro: a memória. A morte é memória, uma memória antecipada para refletir:
Mas quando eu morrer, o que eu gostaria de ter feito hoje nesta decisão que eu tenho que tomar hoje, no modo de viver de hoje? É uma memória antecipada que ilumina o momento do hoje. Iluminar com o fato da morte as decisões que eu tenho que tomar todos os dias.
Francisco concluiu convidando os fiéis a lerem o capítulo II do Primeiro Livro dos Reis. Ler e pensar: “eu estou em caminho, o fato – eu morrerei -, qual será a herança que deixarei e como é importante para mim a luz, a memória antecipada da morte, sobre as decisões que devo tomar hoje. Nos fará bem a todos”.

http://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta/2018-01/papa-santa-marta-morte.html

Reflexão do mês – FEV/2018

“ ..E ele ficou no deserto durante quarenta dias..” (Mc 1,13)

Fevereiro é o mês da “Prova”. O tempo no qual Jesus, ‘depois que foi batizado no Jordão por João, viu abrir-se o Céu e o Espírito descer sobre Ele como uma pomba e veio uma voz do Céu: “Tu és o meu Filho amado: em ti está o meu agrado”’. E é também o tempo para cada um de nós, convidados a renovar o nosso batismo, que abre o nosso céu e nos faz saborear a beleza de um amor infinito capaz de superar também a morte.

E “rapidamente”, isto é, assim que aceitamos com fé que somos filhos, somos colocados à prova. Por quarenta dias somos convidados pelo Espírito a medir-nos com a autenticidade do nosso “sim”, no nosso deserto pessoal, tentados pelos nossos limites, pela nossa fragilidade quotidiana, porque somente a percepção do nosso limite permite ao Senhor revelar-nos o que somos chamados a ser, a nossa realidade, a nossa verdade, a nossa vocação, a nossa missão.

O Espírito, porém, nos fortalece, não nos deixa sós: Jesus está conosco! Desde que Ele habitou no deserto o transformou em terra de bênção e de salvação. Mesmo o lugar mais impenetrável, de solidão, de angústia e de morte, com Ele se transforma em lugar de vida verdadeira, em um belíssimo jardim florido. Se durante a nossa quaresma caminharmos junto d’Ele também na provação mais dura e impossível se torna possível respirarmos todos os dias a graça que nos permite saborear em plenitude a alegria da ressurreição abraçados aos nossos filhos que nos olham do Céu.

Refletindo e rezando:

É Jesus a luz do meu caminho quaresmal? Procuro viver esses quarenta dias como tempo oportuno para redescobrir o meu relacionamento íntimo e filial com o Pai?

Faço deserto de todas as inutilidades e distrações que quotidianamente me obscurecem o caminho? No decorrer do quotidiano de problemas e afãs consigo tirar todos os dias pelo menos uma hora de silêncio para escutar somente a sua Voz?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, para ajudar-nos a transformar também o nosso árido deserto em um belíssimo jardim florido.

Andreana Bassanetti

Reflexão do mês de janeiro de 2018

“ ..o reino de Deus está próximo..” (Mc 1,15)

Janeiro é o mês da “Proximidade”. O tempo no qual a boa notícia de Jesus começa a correr pela Galiléia e chega a nós: “o reino de Deus está próximo, já está aqui no meio de vós!”. Graças a Ele as realidades do Reino não são distantes e inatingíveis, mas próximas, ao alcançe de todos. Única condição: “convertei-vos e crede no Evangelho!”. Dois requisitos indispensáveis, um ligado indissoluvelmente ao outro, para fazer florir a vida verdadeira em nós, em cada homem, para uma mudança completa de mentalidade, de coração, de olhares, de afetos e de relações, de escolhas, de vida.

Já de per si a morte prematura de um menino ou de um jovem perturba a vida de quem está próximo e a muda. Pais, irmãos, irmãs, parentes e amigos em diversos modos e intensidade, não são mais os mesmos.

O tempo depois pode amenizar em parte a ferida, mas o vazio e a dor persistem, a morte permanece morte. A mudança não basta! Para entrar na vida verdadeira, onde vivem os nossos entes queridos, Jesus nos diz que é necessário “converter-nos”, isto é orientar-nos e aproximar-nos d’Ele. Viver na sua presença, na sua luz, da sua palavra e “crer no Evangelho”.

Mas como pode o Evangelho operar o milagre de uma profunda conversão e aproximar-nos do Reino? A Palavra nos transforma milagrosamente. Aproximando-nos da Palavra nos aproximamos d’Ele. Ele é a própria Palavra. Acolhendo-a com fé acolhemos a Ele, o encontramos, o conhecemos, nos tornamos um com Ele e Ele nasce e cresce em nós dando-nos vida nova. N’Ele reencontramos os nossos entes queridos que estão no Céu, os sentimos próximos, mais vivos do que nunca. Junto a eles, já aqui e agora, podemos viver as realidades do Reino.

 

Refletindo e rezendo:

Depois da morte de meu filho, de minha filha, de um ente querido, fiz do Evangelho o meu código de vida? Sigo passo a passo o caminho que Jesus traça para mim ou permaneço fechado no meu mundo? Sou capaz de reconhecer as consolações que Jesus me deu?

Procuro repartir com o irmão que encontro ou desperdiço vivendo a vida de antes?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, para ajudar-nos a crer como ela, esperando contra toda esperança, para tornar-nos pedras vivas do Reino, como os nossos filhos, reflexo do amor de Deus em nós, consolação para o irmão visitado pelo luto.

Andreana Bassanetti