Brigar com Deus.

 

Brigar com Deus

Padre Zezinho

Composição: Padre Zezinho

(Falado)
Esta canção é para os pais que já perderam um filho, e por isso, brigaram com Deus.
Eu não tenho respostas prontas para essa dor!
Há feridas que não se curam com pomadas, mas com o tempo.
Para eles, que continuam zangados com Deus esta canção!

Admito que eu já duvidei,
Depois daquela morte repentina num farol,
Depois que dos meus olhos Deus levou a luz do sol,
Depois daquela perda sem aviso e sem sentido,
Admito que eu já duvidei.

Admito que eu briguei com Deus porque não respondeu
Quando eu Lhe perguntei porquê;
Ele, que tudo sabe, tudo pode, tudo vê,
Parece que não viu, nem me escutou lá no hospital.
Admito que eu fiquei de mal!

Doeu demais e, quando dói do jeito que doeu,
A gente chora, grita e urra e põe pra fora aquela dor.
E desafia o Criador e quem se mete a defendê-lo.
Comigo não foi diferente do que foi com tanta gente
Que perdeu algum amor.

Briguei com Deus, briguei com Deus
E se eu briguei foi por saber que Deus ouvia.

Admito que eu me revoltei;
Onde é que estava Deus com Seu imenso amor?
Se Deus é amoroso, então por que deixou?
Por que tinha que ser do jeito que foi?
Admito que eu O desafiei,

Admito que eu O desafiei,por não achar sentido no que Deus me fez;
E nem me perguntei porque será que o fez.
Briguei com quem levara alguém que eu tanto amei!
Admito que eu já blasfemei.

Doeu demais e, quando dói do jeito que doeu.
A gente chora e grita e urra, e põe prá fora aquela dor.
E desafia o Criador e quem se mete a defendê-Lo.
Comigo não foi diferente do que foi com tanta gente
Que perdeu algum amor.
Briguei com Deus, briguei com Deus
Briguei com Deus, mas acabei no colo Dele.

Admito que voltei pra Deus.
E até nem sei dizer porque foi que voltei.
Eu acho que voltei porque não me calei.
Voltei porque, talvez, não sei viver sem crer.
Admito que voltei pra Deus.

Admito que ainda creio em Deus,
Mas tenho mil perguntas a doer em mim.
Eu tenho mil perguntas para Lhe fazer.
Espero que Ele um dia queira responder!

Ele sabe o que é que eu penso dele. (3x)

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4 pensamentos sobre “Brigar com Deus.

  1. É bem por aí.Eu também achava que Deus iria me proteger desse sofrimento.A minha vida inteira fiz o maior sacrifício para agir corretamente,aceitando tudo que acontecia,sempre agradecendo e ensinando isso para meus filhos.Sempre que ficava preocupada pedia para Nossa Senhora ir a frente,e assim foi até que meu dia chegou.Quando todos gritavam e choravam eu disse: acabo de entregar meu anjo no colo de Deus. Todo mundo dizia: a ficha não caiu,isso não é normal.Achei que não fosse aguentar.Quando fez 1 ano eu disse :nossa ,como que sobrevivi? Agora já se passaram 3 anos.Com toda sinceridade, eu estou me arrastando pela vida.Aceito por que sei que não sou melhor que ninguem.No começo ainda tinha que esconder da minha mãe quando ela perguntava . Ele dizia que não ia aguentar perder a avó,no fim foi antes q ue ela.Não vou brigar com Deus poque tenho confiança que tudo acontece para o nosso bem.Mas que Deus me perdoe ao querer dar palpite mas filho não devia morrer antes .Agradeço a Deus por me dar a oportunidade de te-lo por 26 anos conosco .Realmente ele era uma pessoa especial.E o sofrimento dos irmãos que dizem não adianta pedir mâe,Deus faz o que ELE acha que deve e pronto. Sinto muito mas agora eu também penso um pouco assim.Passo meus dias tentando ajudar os que precisam,sou voluntária,trabalho nas pastorais,mas até agora eu não me sin to no direito de viver.Ainda acho que ele foi muito cedo,que ele estava sendo bem mais útil no mundo do que eu. A saudade dói cada vez mais.

    • Querida Edna,

      Meu nome é Eliete, faço parte da família “Grupo Filhos no céu”.
      Edna, lendo o seu depoimento, somos capazes de enxergar a saudade no amor que dói porque está presente em uma ausência física.
      Também, sentimos em você, uma fé que teima sempre em ficar, só quem tem fé confia em Deus o próprio filho e ainda agradece pelo dom da vida desse filho.
      O amor de mães especiais, chamadas para abraçar essa missão, é sempre assim, uma esperança na dor.
      Descobrimos que o padecer no paraíso fica sem sentido quando o filho parte em direção ao céu, primeiro do que nós.
      Padecemos e não é mais no paraíso, padecemos mesmo é na terra, o amor está sobrando e faço o que com ele?
      Ai então entra Deus. De uma forma inexplicável e totalmente irracional para as situações humanas. Vimos Ele carregar os nossos filhos em Seu braços, levando os daqui e sentimos Ele voltar e nos colocar no mesmo lugar que nossos filhos.
      O Senhor nos carrega para o nosso descanso (Sl 60,4), ficamos em Sua presença, observando a vida e sua dinâmica (Sl 114,9), em uma nova perspectiva, estamos diante de uma vida que brutalmente foi amadurecida, porque fomos forçados a nos despedir de quem amamos.
      Deus intervém na vida humana sempre, transforma o que é mal em algo bom (Gn 50), não deseja que a esperança seja apagada (Mt 5,15), Ele nos quer vivos Nele, desejoso por Ele.
      Então perguntamos assim: “Por que, então o Senhor levou o meu filho?” Ele não nos responde com palavras, frases diretas ditas por Ele, o Senhor nos responde com a cruz do Seu Filho e o maior presente que a humanidade pode ter recebido, que a presença viva, ressuscitada do Seu Próprio Filho em nosso meio.
      Somos convocados a uma nova missão, VIVER o filho que partiu em meio a uma Páscoa ACESA a quase 2000 anos.
      Como diz o apóstolo Pedro: “Portanto… não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança..(I São Pedro 3,15).
      A tua esperança é o amor, a fé e a saudade que celebra a vida que é eterna e que um dia encontrará o filho que vive do outro lado da ponte.

      Deus te abençoe profundamente, esteja em nossas orações.

      Eliete Gomes

  2. Eu também briguei com Deus e até admito que minha fé Nele não faz diferença. Vamos continuar com os sofrimentos nesta vida e nunca saberemos quando teremos o alívio da chegada da nossa morte.
    Sabemos que um ladrão, um assassino, e um corrupto têm a mesma chance de ser perdoado e admitido no Reino Dele, então para que acreditar e levar uma vida cristã?
    Qual é este critério de justiça? Dizei uma só palavra e serei salvo.
    Continuarei com a vida pautada pelas boas ações, mas ainda sem esperança.
    Quando o filho morre a esperança desaparece. A escuridão predomina e a fé diminui.

    • Prezado Márcio
      É possível brigar com Deus porque Ele existe. Também é possível discordar de seu jeito, não aceitar os seus critérios, desafiá-lo e até negá-lo. Tudo isso pode acontecer porque Ele faz parte da realidade e nos interpela quanto à nossa própria existência. É assim que se tira da clássica frase de Dostoiévski, na obra: Os irmãos Karamazov, de 1879: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. Ou seja, sua existência, por mais enigmática que possa ser, muda o contexto de nossa maneira de viver a vida. Nós vivemos a partir do que cremos. E Ele estará sempre em questão, para ser amado ou odiado, para se aderir ao seu amor ou para ser rejeitado, para se crer n’Ele ou negar até sua existência. Certamente Sua existência não depende nem do conhecimento e nem da fé que se tem nela.
      Desculpe esse palavreado, mas isso é para dizer que crer aqui se torna uma opção que cada um é convidado a fazer. Mas o que imprta é que essa decisão pode abrir caminhos ou fechá-los, pode nos ajudar a viver ou nos fazer sofrer mais. Há sempre a possibilidade de a gente pensar que, na estrada, quando estamos para encontrar uma curva, pode haver do outro lado um abismo ou uma bonita paisagem. Mas é importante pensar que eu não posso ter a certeza de que a estrada acaba só porque eu não vejo o que tem do outro lado. Continuar caminhando poderá me levar a encontrar: o abismo ou a bela paisagem.
      Caro Márcio, quando se perde um filho, todas as coisas param esperando de nós uma difícil posição. Ninguém está pronto para isso. Mas, a vida pode adquirir cores diferente a partir do que nós decidimos. Claro que isso precisa de tempo e paciência. Enquanto isso não acontece, é muito natural brigar com Deus. Mas, também se pode sempre reconciliar-se com Ele:”Senhor eu não sou digno de que entres sob o meu teto, mas dize uma só palavra e meu servo ficará curado…”
      Deus o abençoe muito e a seu filho também.
      Pe. Rogério das Neves

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