O sorriso do Eterno

por Regina Araújo

Em muitos momentos já mencionei que considero as coisas de Deus um pouco “contraditórias”. Na verdade acho que elas fogem um pouco da lógica humana. Uma dessas contradições é encontrar alegria em pleno sofrimento.

Humanamente a gente imagina que quando alguém está gravemente enfermo, e tem consciência dessa gravidade, não existe motivo para alegria. Puro engano. É aí que entra a “lógica” de Deus. É nesse momento que, desprendendo de nós mesmos nos abrimos para o agir de Deus. Se não olharmos com os olhos da fé, dificilmente compreenderemos.

Disse Jesus Cristo que seu “fardo é leve e seu jugo suave”.  Como um fardo pode ser leve e um jugo suave? Pois sim, foi refletindo essas palavras que percebi que nas coisas mais contraditórias Deus também se faz presente.

Se analisarmos friamente, diante de uma doença incurável o que nos resta é “sentar e chorar”. Não! Não porque é aí que se inicia um longo processo de amadurecimento da fé.  É aí que praticamos a paciência, perseverança e confiança.

Com Jesus realmente o “fardo é leve e o jugo suave”, porque Ele se faz presente e nos dá sua Paz, sua Alegria.  De nós mesmos não é possível. Talvez até tenhamos razões para enlouquecer, tamanha é a dor que nos atinge ao ver um filho em tão grande sofrimento. Mas não. Jesus acalma nosso coração de tal forma que somos transformados. Se permitirmos, nosso coração transborda Paz.

Vivi quase dois anos dentro de um hospital acompanhando a Renatinha no tratamento de quimioterapia e suas consequências. Pude conhecer pessoas tão maravilhosas e fortes que talvez nem se considerassem tão fortes e guerreiras assim. Cada qual com uma diferente história de vida.

Durante o tratamento, a Renata foi submetida a uma cirurgia cardíaca. Ainda na UTI, esperávamos que ao amanhecer ela desse alguns sinais de recuperação e, para nosso espanto, ela simplesmente “acordou” com um sorriso impressionante. Quase morri de alegria. Naquele dia mesmo ela sentou-se e se alimentou como se nada tivesse acontecido. Recebeu algumas visitas autorizadas e a todos dava aquele sorriso inexplicável, celestial, presença do “Eterno”.

Em pouquíssimos dias ela já estava no quarto novamente e ao chegar recebeu a notícia de que uma jovem recém internada estava muito deprimida. Essa jovem quis conhecê-la, pois no hospital a “fama” daquele sorriso corria pelos corredores. Era incrível alguém sorrir naquele “ambiente” tão triste e assustador.

A Renata recebeu a jovem no quarto e para minha surpresa conseguiu acalmá-la e consolá-la. Eu mesma não consegui falar nada. Apenas assistia a tudo num canto do quarto. Era forte demais pra mim. De onde vinha tanta coragem para animar outra pessoa sendo que ela própria havia saído de uma cirurgia seríssima decorrente das sessões de quimioterapia que haviam lesado seu coraçãozinho, e mesmo assim conseguia ver a “beleza” do mundo… É questão de fé!

Houve também ocasiões em que ela foi “convidada” para receber alguns pacientes na oncologia, pois chegavam chorando, angustiados, alguns desesperados e ela, uma jovem de 15 anos, com “aquele sorriso” os acalmava.

Era impossível não haver reação positiva dos outros pacientes, porque como uma menina, naquelas condições de tratamento, naquela luta gigantesca poderia ainda sorrir e encontrar forças para consolar? Pois sim, a Renata assim fazia.

Conhecemos muitas pessoas. Jovens, adultos, idosos. Muitos já estão com ela no céu. Muitos continuam sua jornada nesta vida.

O certo é que inexplicavelmente ela sorria. E não era um sorriso qualquer. Era o sorriso de quem sabia em quem colocava sua confiança. Contagiante e profundo, seu sorriso nos acalmava. Dava-nos consciência de que somos limitados demais para entender os desígnios de Deus.

A Renata conseguia enxergar as coisas do “Alto”, tanto que na sua caminhada diária jamais mencionou qualquer palavra de tristeza, desânimo, revolta. Pelo contrário, havia ali, atrás daquele olhar feliz, a presença do “Eterno”. Talvez por isso nunca se desesperava.

Nesses últimos seis anos, desde a descoberta da doença e da partida da  Renatinha para Deus, conheci muita gente vivendo sofrimento parecido, mas percebi que quando Deus o permite, Ele mesmo capacita.

Normalmente essas pessoas especiais são revestidas de uma força divina. Elas realmente conseguem enxergar o que vale a pena.

Nós, às vezes por motivos banais, conseguimos ser dominados pelo mau humor, fechamos o semblante de tal forma que ficamos cegos para os ensinamentos de Deus. Muitas vezes coisas bem menores nos tiram a paz, a alegria e nos fazem amargurados, grosseiros, indiferentes. Por bem menos ficamos ranzinzas e exigimos de Deus respostas imediatas. Realmente precisamos evoluir mais e estar atentos ao aprendizado que Deus diariamente nos proporciona.

Precisamos aprender com essas pessoas tão especiais que Deus coloca ao nosso lado, e muitas vezes partem tão cedo, mas que sempre deixam sinais do “Eterno” gravado em nosso coração.

Que um dia tenhamos também estampado em nosso rosto, esse “sorriso” sinal da presença de Deus, pois assim seguramente estaremos no caminho que nos conduz à presença do Altíssimo. “Em tudo dai graças a Deus”.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Regina Araújo

 

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