saudades

A saudade traduzida por Bráulio Bessa…

A saudade de alguém que foi embora
de um amigo, de um amor, de um parente
de alguém que não está mais entre a gente
com o peito adoentado a alma chora
feito gripe que de noite só piora
uma dor maior que vinte dor de dente
judiando inté do cabra mais valente
sem sentir pena, dó, nem piedade
quer saber quanto custa uma saudade?
tenha amor, queira bem e viva ausente.
Tanto amor no meu peito estocado
esperando por você que já partiu
tão depressa, nem se quer se despediu
vez por outra me pergunto agoniado
se a saudade mora mesmo no passado
por que é que ela vive tão presente?
Hoje eu olho mais pra trás do que pra frente
pra lembrar que já senti felicidade
quer saber quanto custa uma saudade
tenha amor, queira bem e viva ausente.

Enviado por Stela Pinheiro

coloco-tudo-nas-maos-de-deus

É humano acreditar que somos donos da nossa vida e da vida dos nossos filhos. Pensar assim talvez seja confortável, mas não traduz a realidade. Nossa vida não nos pertence, tampouco a dos nossos filhos.

É amor demais que nos leva a acreditar que estamos no controle, e isso nos faz sonhar e planejar para nossos filhos uma vida inteira de alegrias, conquistas e vitórias. Por mais difícil que seja admitir, o sofrimento faz parte da nossa jornada.

No momento em que essa preciosa vida cumpre seu tempo e parte, nosso chão é tirado. Precisamos urgentemente reaprender a viver. O que nos faz sofrer sem medidas é nosso olhar meramente humano, que demora a compreender que a vida não foi tirada, mas transformada numa vida eterna.

Compreendemos então que é preciso entregar esse “suposto” controle da vida, que pensávamos ter, nas mãos de Deus, como sinal de fé e confiança. Somente Ele pode nos socorrer quando já não conseguimos caminhar com nossas próprias forças.

Conforme vamos levando a Ele nossas feridas, as mudanças vão ocorrendo, a paz vai ressurgindo, e aos poucos nos abrimos para seu agir.

Nesse momento Deus nos convida a ver sua graça acontecer em meio a dor; a ver a ressurreição e a vida onde tudo parece ter terminado.

Só a fé pode despertar em nós essa esperança. E a esperança nascida da fé nos amadurece, nos purifica e nos aproxima de Deus.

A cada instante vemos o agir de Deus.  Ainda que sejam pequenos os passos, podemos afirmar que não estamos paralisados no mesmo lugar.  Pelas mãos de Deus temos sido conduzidos, e em meio a tanta dor, evidencia-se ali, naquele momento, Seu amor, carinho e cuidado por nós.

Através desse abandono e confiança vamos aprendendo a misteriosa lógica do amor: quanto mais damos, mais recebemos; quanto mais consolamos, mais somos consolados; quanto mais amamos, mais somos amados.

“Que eu seja dócil no cumprimento da vontade do Bom Deus, que eu não O desagrade com minha vontade própria, que eu me submeta aos Seus desígnios e siga firmemente a direção que o Senhor me apontar.” (Santa Teresinha do Menino Jesus).

Apesar da incrível dor da saudade, cremos que ao final desta vida Cristo nos espera, e ao seu lado, nossos filhos e entes tão amados que nos precederam no Céu.

E como disse Santa Teresinha do Menino Jesus: “Eu não morro, entro na vida!”

Uma morte, diferentes lutos

Uma morte, diferentes lutos

Embora sofrendo a perda da mesma pessoa, as reações de cada familiar são diferentes entre si, o que pode gerar situações de muita angústia nas famílias. É preciso não julgar e entender que essa diversidade é normal

Na maioria das culturas o choro é uma das formas mais comuns de expressão da dor e do sofrimento. Mas, e quem não chora? Significa que não está sofrendo? O senso comum defende a ideia de que quem chora está sentindo a dor da perda com intensidade, logo parece que quem não age desta forma não está sentindo a tristeza. Esta afirmação, além de não ser verdadeira, gera muita culpa naqueles que não conseguem expor seu pesar e sofrimento pela morte de uma pessoa querida de uma forma visível

Na mesma família, reações diferentes são comuns e normais

Por razões particulares, ligadas muitas vezes à história de vida e a traços de personalidade, as pessoas têm jeitos diferentes de expor seus sentimentos. Algumas pessoas demonstram alegria, tristeza, preocupação de forma muito clara. Outras são discretas nessas manifestações mas mesmo assim conseguem dar vazão a elas. Há aquelas que têm verdadeira dificuldade em demonstrar o que realmente estão sentindo. Isto não quer dizer, absolutamente que não estejam sentindo.

A demonstração da dor não dimensiona necessariamente o tamanho dela. Mas é muito comum que no luto familiar, surjam comentários: “será que ele(a) não está sentindo nada?” “parece que nem sentiu a morte da mamãe porque nunca o vi chorando”
“não quis ir ao cemitério, não deve ter consideração por quem perdeu”.

Para atravessar o luto é importante que cada pessoa encontre sua forma de dar vazão à dor da perda que não necessariamente será semelhante à do outro familiar. Se para alguns, ir ao cemitério é uma forma de encontrar algum alívio e viver a saudade de quem partiu, para outros, esta visita pode tornar-se altamente estressante, tensa e de pouco alívio. O núcleo familiar deve ter espaço para que cada membro demonstre sua dor do jeito que pode, do jeito que lhe pareça melhor.

O que faz as pessoas se expressarem de forma diversa

psicologia tem se ocupado do estudo das diferenças individuais em vários campos, incluindo o luto. Sabe-se que mesmo gêmeos idênticos têm personalidades completamente diferentes, porque cada ser humano é único em seu jeito de ser, de pensar, de agir e de sentir. Assim também há muitos fatores que determinam a forma como cada pessoa reagirá à perda de alguém amado, como a história de vida, a infância, perdas anteriores, sua capacidade de vincular-se, a relação que tinha com quem perdeu, a idade, o sexo, a cultura, dentre outras variáveis. Sendo assim, uma mesma perda produz diferentes processos de luto numa família.

A forma como as crianças manifestam seu pesar é diferente da forma como um idoso o faz. A época da vida em que perdemos uma pessoa pode ser um fator importante. Os adolescentes, por exemplo, vivem uma fase da vida em que a onipotência é uma característica marcante- “posso viver perigosamente porque nada vai acontecer comigo”- e o processo de luto deles pode ser altamente influenciado por esta postura, sendo comum que eles tenham atitudes de negação diante da dor da perda de alguém querido.

Em geral, homens e mulheres têm formas diferentes de ser, especialmente porque nossa cultura impõe valores rígidos ao homem quanto à expressão de seus afetos. O famoso “homem não chora” é ouvido por eles desde a infância e pode colaborar para um processo doloroso de contenção das emoções. Assim, as mulheres parecem ter mais “autorização social” para manifestarem suas emoções, ao passo que ao homem cabe o papel de restaurador da família e eles acham que tem que voltar rapidamente para vida como se nada tivesse acontecido.

Esses padrões pregados pela cultura podem ser fortes complicadores para aqueles que não se ajustam ao esperado. É importante que a família compreenda as diferentes manifestações do luto para que isto não produza mais sofrimento.

Somos únicos porque nossa história é única e por isso temos um jeito único de dizer o que sentimos.

Lélia de Cássia Faleiros Oliveira – Psicóloga Clínica, Mestre e Doutoranda pela USP, com curso de atualização no LEM – USP (Lab. de Estudos sobre a Morte). 

A Lição da Borboleta

A LIÇÃO DA BORBOLETA

Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. 

A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.  Nada aconteceu!

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.  Se Deus nos permitisse passar através de nossa vida sem quaisquer sofrimentos, Ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi forças… e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria… e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade… e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar. 

Eu pedi coragem… e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor… e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores… e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi… mas eu recebi tudo de que precisava.”

Viva a vida sem medo, enfrente todas as dificuldades e lembre-se: ao final da missão, Deus e nossos filhos  estarão nos esperando de braços abertos!

 

Uma abençoada semana a todos!!!

 

Tudo no seu tempo certo

PARA TUDO HÁ UM TEMPO

Desejo partilhar com vocês mais uma experiência que Deus me permitiu viver.

Há mais de oito anos aprendo a viver sem a Renatinha. Digamos que sem sua presença física, porque no coração ela está muito presente.  O amor verdadeiro não se acaba. Transcende o tempo, espaço e permanece vivo. O laço que nos une é eterno.

Nos encontros mensais do nosso grupo vamos sempre aprendendo a lidar com o luto. Já partilhamos ali a experiência do primeiro aniversário sem o filho ou filha. O primeiro natal, o primeiro dia das mães, dos pais, enfim, a dura realidade de reaprender a  viver, principalmente em certas datas marcantes. E Deus tem nos capacitado.

Até então guardava os resultados de todos os exames médicos feitos por ela. Foram quase dois anos de luta contra a doença. Havia muitos exames. Guardava também suas roupas e pertences.

Acredito fielmente que tudo, e para tudo, tem um tempo certo. E cada pessoa tem o seu. O que para uns acontece num piscar de olhos, para outros leva uma eternidade. Não existe comparação, não existe fórmula, regra, manual.

A vida se escreve vivendo. Só não aprendemos se nos fechamos. Aí não tem como Deus agir. “Eu estou à porta e bato” disse Jesus. Se abrirmos Ele fará morada. Ele carregará nosso fardo e nos ajudará a caminhar.

Desde que a Renatinha foi morar no Céu, mantinha guardado a maioria de seus pertences. Estavam intocáveis.  Cada um sabe a hora certa de doar ou desfazer  de tudo. Isso não é o mais importante. O importante é estarmos prontos.

Se esse gesto for encarado como uma obrigação, uma regra, uma imposição, talvez cause uma violência tão grande e sem proporções, capaz de deixar estragos sem limites. Por isso me permiti elaborar melhor internamente e esperar a hora certa chegar. E como saber se ela chegou? Deus nos mostra. Quando Ele age, o coração fica em paz. Tudo acontece naturalmente.

Minha família nunca me cobrou tal atitude. Sempre houve comigo muita paciência, respeito e amor. Na família cada um tem seu jeito de sofrer e enfrentar a dor. O importante é todos permanecerem unidos em Deus nessa dolorosa missão. Caso contrário haverá outras dores a se enfrentar.

Recentemente estava me preparando para mudar. No início achei realmente que seria mais uma das minhas tantas mudanças de endereço. Mas não. Deus estava me preparando para dar mais um passo no processo do luto.   Deus é sutil, é gentil, nos respeita e age com tanta simplicidade que corremos o risco de não perceber seu agir.

Estava finalizando a mudança quando me vi sozinha, num quarto quase vazio. Lá estavam os exames guardados ainda, não tinha tido coragem mexer neles. Mas foi preciso. Sentei-me no chão e fui abrindo, um a um. Senti meu coração quase explodir pela dor. Não resisti. Chorei e me lancei nos braços de Deus.

Percebi então que estava na hora de dar mais um passo e deixar tudo o que lembra sofrimento guardado no coração de Deus. No meu só quero que fiquem as boas lembranças.  Assim agi e desfiz de todos. Enquanto desfazia deles, conversando com Deus, veio em meu coração as roupas e demais pertences. Percebi então que era chegada a hora de desfazer deles, não porque estavam incomodando ou ocupando espaço, mas porque nesse gesto de doar o que pertencia a ela, eu estava escrevendo uma nova página na minha vida. Uma página escrita com as lágrimas da esperança, da confiança, da certeza de que ela não vai mais precisar de nada material simplesmente porque ganhou a vida eterna no Céu.

Não seriam essas roupas que representariam sua presença. Não! Sua presença está no meu coração, que bate forte por ela todos os dias desde o abrir dos meus olhos até quando me deito novamente.

Tudo tem seu tempo. Que saibamos respeita-lo para não cometermos nenhuma violência conosco mesmo. Tenhamos paciência conosco. Façamos a nossa parte que Deus fará a dele.

E assim vamos seguindo, ora chorando, ora sorrindo, ora caindo, ora levantando. Cada dia é um degrau a mais que alcançamos. Cada dia vivido nos aproxima dos nossos filhos.

Que possamos compreender que apesar das noites escuras que temos que atravessar, apesar do cansaço do dia a dia, nossa vida está nas mãos de Deus.

Que possamos ser fieis até o dia que Deus reservou para o reencontro com os nossos filhos no céu. Que assim seja!

Regina Araújo

Dona Benê e Sr. Antônio Bicarato: agora juntos no Céu…

 

 BENEDITA E ANTÔNIO BICARATO: AGORA JUNTOS NO CÉU…

 

Sr. Antonio e D. Benê

 

Falecimento de uma senhora admirável

Da. Benedita Bicarato (Benê, esposa do Sr. Toninho), da paróquia de São João Bosco, no Jardim das Indústrias, em São José dos Campos -SP. Faleceu na noite do dia 30 de janeiro de 2011, depois de 4 anos de hemodiálise e 18 dias de internação. Foi sepultada na memória litúrgica de São João Bosco, 31 de janeiro. Era uma mulher culta, inteligente, com idéias muito claras e uma fé muito viva. Sua resignação diante do sofrimento dispensa qualquer comentário. Demonstrava uma gratidão muito profunda aos seus pais, especialmente o seu pai, sobre quem não escondia uma extrema admiração. Testemunhava uma belíssima vivência matrimonial, revelando uma grande amizade pelo seu esposo. Nas missas era uma presença atenta e participante. Ao término das celebrações, uma amiga que me trazia muito contentamento ao me procurar para cumprimentar e abraçar. Na última Quinta-feira Santa, em 2010, integrou o grupo dos Apóstolos e participou do Lava-pés. Foi uma presença marcante! Ela não sabia se conseguiria estar na celebração porque, naquele dia, tinha de fazer hemodiálise e não sabia se estaria bem à noite. Seus familiares, na missa de sétimo dia, trouxeram a público esta oração maravilhosa escrita por ela:

Senhor, hoje estou aqui para fazer sala contigo.

Desaprendi há muito tempo o sentido do silêncio, do murmúrio.

Ouvi muito o vento que curva as árvores e esqueci como é o som da brisa que, quase calada, passa por meu rosto como um beijo suave.

Há tanto barulho, Senhor, que houve momentos absurdos que me fizeram esquecer Teu nome.

E, quando voltei a mim, senti uma necessidade muito grande de Tua presença.

Por todos os lados ruídos, latidos, gritos, e meu coração, calado, mais que nunca precisando de Ti.

Curvei meus ombros e humildemente chego silenciosa para esse abraço amigo, fraterno. Quero ouvir teu coração batendo ao lado do meu, numa cadência bonita, carregada de sons meninos, onde volto a ser criança precisando de colo.

texto inédito, sem data, de

Benê Bicarato

* 25/12/1944

+ 30/01/2011

postado por Pe. Rogério das Neves

Pe. Rogério das Neves |

Em 12/01/2012 21:47, Antonio Bicarato escreveu:
À medida que se aproxima o primeiro aniversário de sua partida, avoluma-se sua presença dentro de mim. Recordações, detalhes, amores, alegrias, sonhos feitos e desfeitos juntos, num vai e vem confuso às vezes, povoam minha mente e coração. E nesses dias de tanta chuva em Brasília, me veio este pensamento…
BENÊ E AS ROSAS
Toda manhã, ao sair de meu quarto, a primeira coisa que me é dado admirar é o roseiral no jardim interno da casa onde moro.
Como ultimamente tem chovido praticamente todos os dias, às vezes o dia todo, percebo que as rosas não gostam de tanta chuva assim. Gostam mais dos dias ensolarados. Ficam mais radianrtes, com brilho e luz, irradiando alegria.
Já a minha rosa – a Benê – amava de paixão a chuva. Sim, exultava igualmente com os dias cheios de sol, vibrava ao ver o céu azul e límpido, sem qualquer sombra de nuvem, como amava também imaginar anjos, cordeirinhos ou outros animais desenhados pelas nuvens no horizonte. Mas, encantada mesmo ela ficava é com a chuva. Janelas grandes, vidros transparentes na casa que eram para que pudesse admirar a chuva. Parecia que se deixava banhar a alma e um sorriso lhe abria o rosto sempre lindo.
Ah, Benê, você era mesmo ímpar, incomparável. Até aí no céu tenho certeza que encontrou “sua” maneira de estar entre os santos e anjos e de louvar e bendizer a Deus.
A saudade nos machuca, mas a certeza do reencontro nos anima a prosseguir na caminhada. O tempo passa, quase 365 dias já, e, no entanto, que são eles diante do micromilionésimo de segundo da eternidade que você já vive?
Enquanto isso, olho as rosas e vejo você. Especialmente uma, cor-de-rosa, linda, linda, que acabou de desabrochar!
Toninho
12/01/2012.

Caro amigo, Sr. Toninho.
É impossível não se emocionar ao sentir, por suas palavras, a grandeza da pessoa a quem o senhor se refere. Eu tive poucas oportunidades de conhecer pessoalmente tudo isso, mas estas oportunidades foram marcantes e se harmonizam perfeitamente com a imagem que suas palavras transmitem. A gente quase ameaça a ficar triste diante do sagrado impulso de querer estar junto, tocar, falar e ouvir; movimento impossível de se realizar quanto se desejaria. Mas a beleza excede infinitamente ao sentimento frágil da saudade. O amor revelado na dor e na saudade, mostram que ninguém está tão longe assim. Talvez, muito mais próximo agora do que antes. A saudade nos mergulha no mistério, enxagua a nossa alma, e rega ainda mais a roseira do amor plantada no nosso coração.
Obrigado pelo seu testemunho de amor.
Pe. Rogério das Neves

Vera Lucia |

Benê, mesmo em tão curta convivência juntas creia, muito me ensinou! O amor, o carinho e principalmente o respeito com o proximo que voce praticava deixou marcas. O destino assim determinou, mesmo que nossa amizade precoce tivesse sido interrompida pela natureza jamais será pelos ensinamentos de Deus. Esteja bem ao lado do Pai.

 

 

Faleceu Antônio Bicarato, colaborador da CNBB

Segunda, 24 de novembro de 2014 – 17h30 CNBB

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Morreu hoje, 24, pela manhã, o colaborador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Antônio Bicarato. Seu Toninho, como era conhecido, atuou na instituição desde 2011, inicialmente como auxiliar de administração e, em seguida, como revisor de textos. Em nota de pesar, o secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, expressa solidariedade à família, amigos e colaboradores da instituição. “Toninho, oblato redentorista, dedicou sua vida e seus dons com generosa fidelidade à Igreja, na oração diária da Liturgia das Horas e do Rosário de Nossa Senhora, na dedicação aos mais pobres, na educação da família e na pronta disponibilidade para servir. Na CNBB, passaram por suas mãos boletins de notícias, documentos, comunicados e tantas importantes publicações que animaram e colaboraram com a ação evangelizadora da Igreja no Brasil”, afirma no texto. Leia, na íntegra, a nota:

 Nota de pesar pelo falecimento de Antônio Bicarato

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB manifesta pesar pelo falecimento do Sr. Antônio Bicarato, carinhosamente chamado de Toninho. Aos 74 anos, o colaborador estava em tratamento contra um câncer no pâncreas e faleceu na manhã de hoje, 24. O sepultamento está agendado para esta tarde, às 17 horas, em São José dos Campos – SP

Natural de Santa Cruz do Rio Pardo – SP, Toninho atuou na CNBB desde setembro de 2011, inicialmente como auxiliar de administração e, atualmente, como revisor de textos. O assessor era viúvo e deixa cinco filhos e duas netas.

Toninho, oblato redentorista, dedicou sua vida e seus dons com generosa fidelidade à Igreja, na oração diária da Liturgia das Horas e do Rosário de Nossa Senhora, na dedicação aos mais pobres, na educação da família e na pronta disponibilidade para servir. Na CNBB, passaram por suas mãos boletins de notícias, documentos, comunicados e tantas importantes publicações que animaram e colaboraram com a ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

Manifestamos nossa solidariedade, unindo-nos fraternalmente aos familiares, amigos e colaboradores desta Conferência no testemunho de fé nas promessas do Ressuscitado.

“Vem, servo bom e fiel, participar da alegria do teu Senhor”! (Mt 25,23)

 Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

 extraído da página eletrônica: http://www.cnbb.org.br/imprensa-1/noticias/15401-faleceu-antonio-bicarato-colaborador-da-CNBB

 

Palavras escritas pelo Sr. Antônio Bicarato pouco depois da morte de Dona Benê e que seus filhos agora publicaram na lembrança da Missa de sétimo dia do Sr. Antônio, celebrada por Dom Leonardo Ulrich Steiner, na capela Nossa Senhora Auxiliadora, Jardim Pôr do Sol, da Paróquia de São João Bosco, em São José dos Campos, da qual a família fazia parte.

Se me dado fosse tal ventura, partiria em sua busca, e não deixaria, como deixei, tantos sonhos para amanhã.

O amanhã nunca chegou. A duras penas, aprendi que o presente é o momento a ser vivido com toda a intensidade e jamais deixado para depois.

Se asas me dado fosse ter, partiria em sua busca na velocidade do vento, para poder realizar um ao menos de tantos desejos seus… que morreram desejo.

Você sempre achava possíveis coisas que impossíveis eu julgava. Não acreditava que todo sonho, uma vez sonhado, só não se realiza se nós o tornamos impossível.

A montanha, tenha ela a altura que tiver, sempre estará sujeita a ser vencida pelo esforço do homem.

Se deuses queremos ser, deuses seremos, a despeito da pequenez e dos limites do ser humano. Deus em nós colocou rasgos de sua onipotência!

Sonhar alto, como você sempre sonhou, alarga os horizontes, quase infinitos os tornando.

Assim, me dado fosse, partiria em sua busca, rasgaria os céus, e a traria não mais nas asas do sonho, mas da realidade presença, tendo-a em carne e osso, viva, palpitante, mesmo que por um fugaz momento.

Que não seria fugaz, pois a aura da eternidade já faz parte de você!

Toninho – Papa – Vô

Antônio Bicarato

14 de junho de 1940 – 24 de novembro de 2014

Na morte seremos “aspirados” para dentro de Deus

ressurreição

“Viver sem morrer é viver menos, é impedir o pleno ser, é partir sem nunca chegar, é jamais poder ressuscitar, é aceitar viver em vão. Por isso, cedo quiseste voar, buscando a libertação” (L. Boff)

 No Dia de Finados dedicamos a fazer memória daqueles(as) que são parte radical de nossa vida: deles(as) nascemos, por eles(as) somos. Recordamos, na oração e no afeto, aquelas pessoas que amamos e que fizeram a “travessia” para a “Vida maior”, a vida que não terá fim.

Ao mesmo tempo, este dia será ocasião para aprofundar o sentido de nossa existência. De fato, a morte não fala dela mesma, mas da vida.

Para muitos, a morte é a que dá profundidade à vida humana, que permite saborear cada instante em sua fragilidade e em sua beleza. Para outros, a morte é a que tira o sentido de tudo o que fazemos. Na visão cristã, a morte não é o fim de tudo; ela é o despertar da “vida eterna”. É a experiência de ressurreição.

Quando alguém sabe “para quê e para quem vive”, realizando sua original missão, pode morrer em paz. Os que vivem intensamente enfrentam com grande serenidade seu envelhecimento e a proximidade da morte, vendo nela mais uma etapa no processo normal de seu amadurecimento e de sua realização.

É o modo como alguém vive que qualifica a morte. Há mortes que, para além da inevitável dor que causam aos familiares e amigos, provocam paz, agradecimento, vontade de viver seriamente, de se levantar da superficialidade e da mediocridade.

É duro situar-se diante da morte das pessoas queridas. Corta fundo o coração uma esperança ferida. Diante da morte de quem amamos, reduzimo-nos ao silêncio; quanto mais intenso o amor, mais sofrida é a dor de um adeus. Quantas pessoas “partem no horário nobre da vida”: quantos projetos sem realizar, quantos sonhos despedaçados!…Parece que morre também uma parte de nós.

Quando alguém parte, um pouco dele permanece conosco, e um pouco de nós vai com ele.

Um tímido protesto contra Deus brota do fundo do coração: “Onde está Deus?”

É na escuridão da dor e da morte que a Fé se manifesta e nos revela que fomos feitos por mãos celestiais; confessamos que a Vida é mais, é maior e que é eterna. Somos chamados à vida, criados para a liberdade, para a bondade, para a amplidão dos céus.

Confessamos que a vida vem de Deus e volta para Ele.“O amor é Deus, e a morte significa que uma gota desse amor deve retornar à sua fonte” (Tolstói). E a nossa última morada não é sob a lápide fria de um túmulo, mas no coração do mistério de um infinito Amor.

Aos olhos do Criador, tudo tem sentido.  Até o “sem sentido” (morte) revela o Deus presente, solidário…

Em cada pessoa que morre, morre um “pouco” de Deus. Deus “morre com”, para “ressuscitar com” e manifestar a força de seu Amor e Vida.

Deus não está distante da dor, do fracasso, da morte… Ele se faz presente, caminha conosco  e sofre nossa fragilidade. Nesse sentido, a Ressurreição é possível porque Deus se mistura com a morte, e faz emergir daí a Vida eterna.  Em Deus morremos, em Deus vivemos.

Na vida e na morte somos de Deus. Quando Ele  tecia nossos órgãos complexos, nosso cérebro, nosso coração, nossos sentidos, nosso corpo… no ventre  de nossa mãe, foi deixando sinais digitais de sua mão criadora e “pegadas” de seu amor.

E se são pegadas de amor, como poderiam terminar na tumba? Deus não nos criou para a morte mas para o amor que vence a morte, para a festa de amor sem fim.

O Deus Pai e Mãe nos formou e nos sustenta em cada batida do coração; nossa respiração, nosso hálito de vida, sempre se move e se renova dentro da imensa “respiração” do Espírito. E o mesmo Deus que um dia nos teceu nas entranhas com ternura, com essa mesma mão poderosa de amor nos conduzirá de retorno à mesma fonte de ternura: seu coração vulcânico de vida, para que desfrutemos ali da festa do amor sem fim, juntamente com todos os nossos entes queridos que fizeram a travessia antes.

Nosso Hoje, então, se vestirá de Sempre. Nele Somos… e Nele seremos… para sempre!!!

Somos todos peregrinos e vivemos contínuas “travessias provisórias” até fazermos a grande travessia para Deus. Quando nascemos recebemos o sopro do Criador; quando morremos somos “aspirados” para dentro de Deus. Nosso destino é o Coração de Deus: “D’Ele viemos e para Ele retornamos”. Por isso somos eternos: já vivemos a eternidade nesta vida. Descobrimos no coração de nossa vida mortal a eternidade que vive em nós.

O que é real em nós é a vida eterna, a dimensão de eternidade que está no cerne desta vida.

A vida eterna não é somente a vida depois da morte. A ressurreição não é uma experiência após a morte. E o que se chama de vida eterna não é a vida depois da morte, mas é a vida antes, durante e depois da morte. E que é eterna. Eterno é o que não está no tempo.

Segundo G. Rosa, “as pessoas não morrem, ficam encantadas”. Encantadas no coração de Deus e na nossa memória. Confessamos que sua passagem pela vida a humanidade ficou um pouco mais enriquecida e engrandecida.

Neste dia de Finados, fazer memória das pessoas que já fizeram a travessia é despertar a reverência pela vida. A vida é tanta surpresa, tanta novidade e riqueza que desperta o assombro e o encantamento.

Fazer memória daqueles que viveram intensamente (mesmo que por pouco tempo) nos mobiliza e nos compromete a viver mais intensamente. E viver intensamente  é viver aqui e agora de “modo eterno”.

A vida é dom que não pode ser desperdiçado. Para quê viver? Tem sentido ? Quê marcas quero deixar?…

Alguém já afirmou que a morte é a realidade mais universal, pois todos morrem, mas nem todos sabem viver. Por isso, viver é uma arte; é necessário reinventar a vida no dia a dia, carregá-la de sentido.

“A tragédia não é quando um ser humano morre; a tragédia é aquilo que morre dentro da pessoa enquanto ela ainda está viva” (Albert Schweiter).

Quem viveu intensamente deixa “marcas”; fazemos, então, memória dessas marcas. “Aquilo que a memó-ria amou fica eterno” (Adélia Prado). A memória é a presença da eternidade em nós. Tudo o que recor-damos da pessoa que “já partiu” é semente de eternidade. Sua passagem entre nós não foi em vão.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. De travessias. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada. Nesse caminho em direção à plenitude, um dia, todos nós partiremos como seres imortais que somos ao encontro d’Aquele que nos criou. Portanto, como seguidores de Jesus, no dia de Finados vamos celebrar a vida, a vida verdadeira, a plenitu-de dos irmãos que já vivem para sempre, que estão no coração de Deus. Porque a vida, como um rio, tem duas margens; a ponte para cruzar de uma margem à outra é construída diariamente com o amor, a fraternidade, a solidariedade, a esperança…, que ao longo da vida vamos semeando em nós, nos outros e na criação, dando a esta vida uma dimensão celestial.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

Diretor do Centro de Espiritualidade Inaciana – CEI – RJ

 Fonte: Revista online de Catequese da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB-Regional Leste 2.