DOR DA PERDA DO FILHO

 

Quatro estações são necessárias para que se possa passar adiante depois de uma perda. O primeiro tudo depois da morte é sempre o mais difícil: o primeiro aniversário, o primeiro natal, o primeiro réveillon, as primeiras férias… são as ocasiões mais doloridas. Mas o passar dos dias ameniza a dor e vai dando lugar a uma certa nostalgia, ao carinho da lembrança.

Pensamos no instante da perda que nunca mais seremos capazes de sorrir, mas isso não é verdade. Depois de algumas auroras e alguns entardeceres, vamos descobrindo que a vida ainda está muito presente, que ainda somos capazes de nos alegrar com outras coisas, sem que isso diminua o amor e a saudade que sentimos de quem partiu.

Aceitamos dificilmente a morte porque nos esquecemos com facilidade que nossa vida na terra é apenas uma passagem. E quando alguém parte, é como se acordássemos para essa realidade: somos eternos para a vida, mas não a terrena! Inconscientemente pensamos na nossa própria morte e na daqueles que ainda estão conosco.

Mas… enquanto o sangue pulsar nas nossas veias, é a vida que pulsa e tudo o que podemos e devemos fazer é vivê-la. Alguém que amamos parte para sempre e isso é tremendamente doloroso. Essa pessoa é insubstituível ao nosso coração, já que cada pessoa é única em si no nosso viver e somos conscientes disso. Mas outros que amamos e que nos amam ainda estão por aqui e isso deve ser motivo de alegria e reconforto.

Por esses, pelo menos, devemos nos reerguer, reagir, fazer um esforço. E para nós, para nosso bem. Deus nos consola; amigos, família nos consolam… só precisamos é aceitar as mãos estendidas. Quatro estações e um pouco de paciência… o sol vai brilhar novamente, a alegria vai de novo encher o coração e tudo vai voltar ao normal. É preciso acreditar nisso!

Letícia Thompson

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saudades

A saudade traduzida por Bráulio Bessa…

A saudade de alguém que foi embora
de um amigo, de um amor, de um parente
de alguém que não está mais entre a gente
com o peito adoentado a alma chora
feito gripe que de noite só piora
uma dor maior que vinte dor de dente
judiando inté do cabra mais valente
sem sentir pena, dó, nem piedade
quer saber quanto custa uma saudade?
tenha amor, queira bem e viva ausente.
Tanto amor no meu peito estocado
esperando por você que já partiu
tão depressa, nem se quer se despediu
vez por outra me pergunto agoniado
se a saudade mora mesmo no passado
por que é que ela vive tão presente?
Hoje eu olho mais pra trás do que pra frente
pra lembrar que já senti felicidade
quer saber quanto custa uma saudade
tenha amor, queira bem e viva ausente.

Enviado por Stela Pinheiro

coloco-tudo-nas-maos-de-deus

É humano acreditar que somos donos da nossa vida e da vida dos nossos filhos. Pensar assim talvez seja confortável, mas não traduz a realidade. Nossa vida não nos pertence, tampouco a dos nossos filhos.

É amor demais que nos leva a acreditar que estamos no controle, e isso nos faz sonhar e planejar para nossos filhos uma vida inteira de alegrias, conquistas e vitórias. Por mais difícil que seja admitir, o sofrimento faz parte da nossa jornada.

No momento em que essa preciosa vida cumpre seu tempo e parte, nosso chão é tirado. Precisamos urgentemente reaprender a viver. O que nos faz sofrer sem medidas é nosso olhar meramente humano, que demora a compreender que a vida não foi tirada, mas transformada numa vida eterna.

Compreendemos então que é preciso entregar esse “suposto” controle da vida, que pensávamos ter, nas mãos de Deus, como sinal de fé e confiança. Somente Ele pode nos socorrer quando já não conseguimos caminhar com nossas próprias forças.

Conforme vamos levando a Ele nossas feridas, as mudanças vão ocorrendo, a paz vai ressurgindo, e aos poucos nos abrimos para seu agir.

Nesse momento Deus nos convida a ver sua graça acontecer em meio a dor; a ver a ressurreição e a vida onde tudo parece ter terminado.

Só a fé pode despertar em nós essa esperança. E a esperança nascida da fé nos amadurece, nos purifica e nos aproxima de Deus.

A cada instante vemos o agir de Deus.  Ainda que sejam pequenos os passos, podemos afirmar que não estamos paralisados no mesmo lugar.  Pelas mãos de Deus temos sido conduzidos, e em meio a tanta dor, evidencia-se ali, naquele momento, Seu amor, carinho e cuidado por nós.

Através desse abandono e confiança vamos aprendendo a misteriosa lógica do amor: quanto mais damos, mais recebemos; quanto mais consolamos, mais somos consolados; quanto mais amamos, mais somos amados.

“Que eu seja dócil no cumprimento da vontade do Bom Deus, que eu não O desagrade com minha vontade própria, que eu me submeta aos Seus desígnios e siga firmemente a direção que o Senhor me apontar.” (Santa Teresinha do Menino Jesus).

Apesar da incrível dor da saudade, cremos que ao final desta vida Cristo nos espera, e ao seu lado, nossos filhos e entes tão amados que nos precederam no Céu.

E como disse Santa Teresinha do Menino Jesus: “Eu não morro, entro na vida!”

Uma morte, diferentes lutos

Uma morte, diferentes lutos

Embora sofrendo a perda da mesma pessoa, as reações de cada familiar são diferentes entre si, o que pode gerar situações de muita angústia nas famílias. É preciso não julgar e entender que essa diversidade é normal

Na maioria das culturas o choro é uma das formas mais comuns de expressão da dor e do sofrimento. Mas, e quem não chora? Significa que não está sofrendo? O senso comum defende a ideia de que quem chora está sentindo a dor da perda com intensidade, logo parece que quem não age desta forma não está sentindo a tristeza. Esta afirmação, além de não ser verdadeira, gera muita culpa naqueles que não conseguem expor seu pesar e sofrimento pela morte de uma pessoa querida de uma forma visível

Na mesma família, reações diferentes são comuns e normais

Por razões particulares, ligadas muitas vezes à história de vida e a traços de personalidade, as pessoas têm jeitos diferentes de expor seus sentimentos. Algumas pessoas demonstram alegria, tristeza, preocupação de forma muito clara. Outras são discretas nessas manifestações mas mesmo assim conseguem dar vazão a elas. Há aquelas que têm verdadeira dificuldade em demonstrar o que realmente estão sentindo. Isto não quer dizer, absolutamente que não estejam sentindo.

A demonstração da dor não dimensiona necessariamente o tamanho dela. Mas é muito comum que no luto familiar, surjam comentários: “será que ele(a) não está sentindo nada?” “parece que nem sentiu a morte da mamãe porque nunca o vi chorando”
“não quis ir ao cemitério, não deve ter consideração por quem perdeu”.

Para atravessar o luto é importante que cada pessoa encontre sua forma de dar vazão à dor da perda que não necessariamente será semelhante à do outro familiar. Se para alguns, ir ao cemitério é uma forma de encontrar algum alívio e viver a saudade de quem partiu, para outros, esta visita pode tornar-se altamente estressante, tensa e de pouco alívio. O núcleo familiar deve ter espaço para que cada membro demonstre sua dor do jeito que pode, do jeito que lhe pareça melhor.

O que faz as pessoas se expressarem de forma diversa

psicologia tem se ocupado do estudo das diferenças individuais em vários campos, incluindo o luto. Sabe-se que mesmo gêmeos idênticos têm personalidades completamente diferentes, porque cada ser humano é único em seu jeito de ser, de pensar, de agir e de sentir. Assim também há muitos fatores que determinam a forma como cada pessoa reagirá à perda de alguém amado, como a história de vida, a infância, perdas anteriores, sua capacidade de vincular-se, a relação que tinha com quem perdeu, a idade, o sexo, a cultura, dentre outras variáveis. Sendo assim, uma mesma perda produz diferentes processos de luto numa família.

A forma como as crianças manifestam seu pesar é diferente da forma como um idoso o faz. A época da vida em que perdemos uma pessoa pode ser um fator importante. Os adolescentes, por exemplo, vivem uma fase da vida em que a onipotência é uma característica marcante- “posso viver perigosamente porque nada vai acontecer comigo”- e o processo de luto deles pode ser altamente influenciado por esta postura, sendo comum que eles tenham atitudes de negação diante da dor da perda de alguém querido.

Em geral, homens e mulheres têm formas diferentes de ser, especialmente porque nossa cultura impõe valores rígidos ao homem quanto à expressão de seus afetos. O famoso “homem não chora” é ouvido por eles desde a infância e pode colaborar para um processo doloroso de contenção das emoções. Assim, as mulheres parecem ter mais “autorização social” para manifestarem suas emoções, ao passo que ao homem cabe o papel de restaurador da família e eles acham que tem que voltar rapidamente para vida como se nada tivesse acontecido.

Esses padrões pregados pela cultura podem ser fortes complicadores para aqueles que não se ajustam ao esperado. É importante que a família compreenda as diferentes manifestações do luto para que isto não produza mais sofrimento.

Somos únicos porque nossa história é única e por isso temos um jeito único de dizer o que sentimos.

Lélia de Cássia Faleiros Oliveira – Psicóloga Clínica, Mestre e Doutoranda pela USP, com curso de atualização no LEM – USP (Lab. de Estudos sobre a Morte). 

A Lição da Borboleta

A LIÇÃO DA BORBOLETA

Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. 

A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.  Nada aconteceu!

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.  Se Deus nos permitisse passar através de nossa vida sem quaisquer sofrimentos, Ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi forças… e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria… e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade… e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar. 

Eu pedi coragem… e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor… e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores… e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi… mas eu recebi tudo de que precisava.”

Viva a vida sem medo, enfrente todas as dificuldades e lembre-se: ao final da missão, Deus e nossos filhos  estarão nos esperando de braços abertos!

 

Uma abençoada semana a todos!!!

 

Tudo no seu tempo certo

PARA TUDO HÁ UM TEMPO

Desejo partilhar com vocês mais uma experiência que Deus me permitiu viver.

Há mais de oito anos aprendo a viver sem a Renatinha. Digamos que sem sua presença física, porque no coração ela está muito presente.  O amor verdadeiro não se acaba. Transcende o tempo, espaço e permanece vivo. O laço que nos une é eterno.

Nos encontros mensais do nosso grupo vamos sempre aprendendo a lidar com o luto. Já partilhamos ali a experiência do primeiro aniversário sem o filho ou filha. O primeiro natal, o primeiro dia das mães, dos pais, enfim, a dura realidade de reaprender a  viver, principalmente em certas datas marcantes. E Deus tem nos capacitado.

Até então guardava os resultados de todos os exames médicos feitos por ela. Foram quase dois anos de luta contra a doença. Havia muitos exames. Guardava também suas roupas e pertences.

Acredito fielmente que tudo, e para tudo, tem um tempo certo. E cada pessoa tem o seu. O que para uns acontece num piscar de olhos, para outros leva uma eternidade. Não existe comparação, não existe fórmula, regra, manual.

A vida se escreve vivendo. Só não aprendemos se nos fechamos. Aí não tem como Deus agir. “Eu estou à porta e bato” disse Jesus. Se abrirmos Ele fará morada. Ele carregará nosso fardo e nos ajudará a caminhar.

Desde que a Renatinha foi morar no Céu, mantinha guardado a maioria de seus pertences. Estavam intocáveis.  Cada um sabe a hora certa de doar ou desfazer  de tudo. Isso não é o mais importante. O importante é estarmos prontos.

Se esse gesto for encarado como uma obrigação, uma regra, uma imposição, talvez cause uma violência tão grande e sem proporções, capaz de deixar estragos sem limites. Por isso me permiti elaborar melhor internamente e esperar a hora certa chegar. E como saber se ela chegou? Deus nos mostra. Quando Ele age, o coração fica em paz. Tudo acontece naturalmente.

Minha família nunca me cobrou tal atitude. Sempre houve comigo muita paciência, respeito e amor. Na família cada um tem seu jeito de sofrer e enfrentar a dor. O importante é todos permanecerem unidos em Deus nessa dolorosa missão. Caso contrário haverá outras dores a se enfrentar.

Recentemente estava me preparando para mudar. No início achei realmente que seria mais uma das minhas tantas mudanças de endereço. Mas não. Deus estava me preparando para dar mais um passo no processo do luto.   Deus é sutil, é gentil, nos respeita e age com tanta simplicidade que corremos o risco de não perceber seu agir.

Estava finalizando a mudança quando me vi sozinha, num quarto quase vazio. Lá estavam os exames guardados ainda, não tinha tido coragem mexer neles. Mas foi preciso. Sentei-me no chão e fui abrindo, um a um. Senti meu coração quase explodir pela dor. Não resisti. Chorei e me lancei nos braços de Deus.

Percebi então que estava na hora de dar mais um passo e deixar tudo o que lembra sofrimento guardado no coração de Deus. No meu só quero que fiquem as boas lembranças.  Assim agi e desfiz de todos. Enquanto desfazia deles, conversando com Deus, veio em meu coração as roupas e demais pertences. Percebi então que era chegada a hora de desfazer deles, não porque estavam incomodando ou ocupando espaço, mas porque nesse gesto de doar o que pertencia a ela, eu estava escrevendo uma nova página na minha vida. Uma página escrita com as lágrimas da esperança, da confiança, da certeza de que ela não vai mais precisar de nada material simplesmente porque ganhou a vida eterna no Céu.

Não seriam essas roupas que representariam sua presença. Não! Sua presença está no meu coração, que bate forte por ela todos os dias desde o abrir dos meus olhos até quando me deito novamente.

Tudo tem seu tempo. Que saibamos respeita-lo para não cometermos nenhuma violência conosco mesmo. Tenhamos paciência conosco. Façamos a nossa parte que Deus fará a dele.

E assim vamos seguindo, ora chorando, ora sorrindo, ora caindo, ora levantando. Cada dia é um degrau a mais que alcançamos. Cada dia vivido nos aproxima dos nossos filhos.

Que possamos compreender que apesar das noites escuras que temos que atravessar, apesar do cansaço do dia a dia, nossa vida está nas mãos de Deus.

Que possamos ser fieis até o dia que Deus reservou para o reencontro com os nossos filhos no céu. Que assim seja!

Regina Araújo