Meditações sobre os mistérios do Rosário: Mistérios Gozosos

Primeiro Mistério da Alegria

O anjo Gabriel anuncia a Maria a Encarnação do Filho de Deus.

“No sexto mês Deus enviou o Anjo Gabriel a uma virgem chamada Maria. Ele entrou e disse a ela: ‘Não temas, Maria, porque achaste graça junto de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem darás o nome de Jesus.’ ” (Lc 1, 26-28.30-31)

Pai Nosso – dez Ave Marias – Glória…

A perda da minha adorada menina, na flor de seus dezesseis anos, por um banal erro médico, me tinha reduzido a um estado de prostração tal que não conseguia nem mesmo sair de casa.

Em vão amigos e parentes se alternavam para sustentar-me, dar-me força e coragem, não havia nada a fazer. Nem mesmo os meus familiares, meu marido e meu filho, além de meu pai e minha mãe que moram no andar acima de mim, conseguiam desviar-me daquele estado de apatia que já estava se tornando mortal.

Que sentido havia para continuar a viver em um mundo assim injusto, onde aconteciam as coisas mais tremendas, onde ninguém, nem mesmo os médicos, sente mais a responsabilidade do próprio trabalho, onde quem paga são somente os inocentes, os mais fracos, os menores?

Já me tinha fechado com minha dor imensa sob um sino de chumbo, convicta de que ninguém conseguiria movê-lo. Depois, por acaso, vim saber da Associação “Filhos no Céu” e foi para mim a salvação. Logo na primeira tarde, no momento dos testemunhos, tomei a palavra para apresentar-me aos outros pais. Estranhamente, eu que evitava havia muito tempo o assunto não parava mais de falar.  Contava o que tinha acontecido comigo, nos mínimos detalhes, até mesmo os sentimentos profundos que tinha experimentado.

Creio que o calor e a força que me dava o grupo naqueles momentos – uma nova, estranha família que não conhecia mas que sentia já assim próxima – me ajudou a dissolver todas as barreiras que eu tinha construído dentro de mim e consegui também dizer, sobretudo ao meu marido e a meu filho que estavam presentes, todas as coisas que havia muito tempo tinha escondidas no coração.

Na noite seguinte tive um sonho: a minha menina, toda luminosa, me sorria e avançava na minha direção quase dançando, trazendo-me um maravilhoso lírio branco. De repente, eu pensava que ela quisesse me premiar pelo esforço que tinha feito de sair do meu fechamento, do meu egoísmo. Mas logo compreendi que o verdadeiro significado era outro. Depois de pouco mais de um mês, indo ao médico por causa de pequenos distúrbios, ele me deu a agradável notícia: eu estava grávida. Portanto o meu anjo tinha vindo anunciar a mim que em breve haveria uma nova vida no meu ventre e na minha família. Como Maria. Nasceu, de fato, uma bela menina.

Até hoje, depois de dois anos, recordo com tanta alegria daqueles dias, que eu chamo “de milagre”. Olho esta esplêndia criaturinha que está ao meu lado e me sinto verdadeiramente bendita pelo Senhor, com Maria. Agora sei que para além da dor e da morte existe um anjo no Céu que ilumina todos nós, nos protege e nos conduz, na espera de reunirmo-nos de novo pela eternidade…

(extraído e traduzido do livro “Come Maria, con Maria. – Meditazioni sui misteri del Rosario”  de Andreana Bassanetti, Paoline, Milano, 2001, pp. 18-19)

Segundo Mistério da Alegria

Maria visita Isabel e é saudada “Mãe do Senhor”.

“Logo que Isabel ouviu a saudação de Maria o menino saltou em seu ventre. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em grande voz: ‘Bendita tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre.’” (Lc 1,41-42)

Pai Nosso – dez Ave Marias – Glória…

Perdemos nosso filho, o menor, com apenas dezessete anos, em um acidente nas montanhas junto com um querido amigo seu de dezenove anos, filho único.

Diante de uma dor assim grande, a maior pedida a um pai ou mãe, poderíamos ter  vivido a nossa dor privadamente, fechando-nos aos outros e ao mundo, mas a nossa escolha foi diferente.

Tínhamos uma fé tão sadia que nem mesmo uma tragédia assim tão grande tinha feito vacilar, antes através da oração constante e intensa, conseguimos bem logo abandonarmo-nos à vontade do Senhor e a confiar-lhe a alma de nosso filho, um presente preciosíssimo que nos tinha concedido por dezessete anos, que agora voltava àquele que é pai perfeito.

Um dia enquanto rezávamos o Rosário sentimos um chamado especial, exatamente no segundo mistério da alegria, quando Maria visita Isabel para assistí-la no parto.

Também nós deveríamos esquecer o nosso estado, a nossa grande dor para visitar quem estava em necessidade.

Agora o Senhor nos estava chamando para ir aos pais do menino que morreu junto com o nosso, que, perdendo o filho único, certamente tinham mais necessidade que nós. A experiência de dor que um pai vive diante de uma provação similar é única e se torna também única a ajuda que alguém pode dar: a escuta, a compreensão, a partilha, o conforto que pode dar a um outro pai nas mesmas condições são insubstituíveis, não transferíveis a nenhum outro.

Agora a nossa fé está enraizada profundamente na rocha, o nosso falar de Deus não tem comparação com a evangelização que fazíamos na nossa paróquia antes do nosso luto, pelo contrário, tornou-se tão credível e incisivo que quem está ao nosso lado – nos diz – consegue “tocar” Deus com a mão, consegue viver por antecipação as realidades celestes.

Pouco a pouco o Senhor nos pôs ao lado de tantos outros pais, quase sempre os mais difíceis e obstinados, isto é, os que sofreram a mesma tragédia que nós mas não conseguem abandonar-se à Sua vontade, são atormentados por mil “Por quês?” sem resposta e não conseguem encontrar a Sua paz.

Nós procuramos estar ao lado deles, com a nossa presença, com a nossa oração, procurando cantar junto com eles o nosso Magnificat

(extraído e traduzido do livro “Come Maria, con Maria. – Meditazioni sui misteri del Rosario”  de Andreana Bassanetti, Paoline, Milano, 2001, pp. 20-21)

Terceiro Mistério da alegria

Jesus, Filho de Deus, nasce em Belém em uma gruta.

“Enquanto se encontravam em Belém, completou-se o tempo e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Envolveu-o em faixas e o depôs em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na instalagem da cidade.” (Lc 2,6)

Pai Nosso – dez Ave Marias – Glória…

Somos um pequeno grupo de jovens, entre vinte e trinta anos, e escolhemos dedicar nossa vida no acolhimento de crianças abandonadas ou rejeitadas.

Vivemos em uma comunidade no Piemonte e, mesmo se, aparentemente, pode parecer que o nosso grupo seja estranho à Associação “Filhos no Céu”, nós partilhamos o mesmo espírito, a natureza e os objetivos e, mesmo estando distante logisticamente, não deixamos de participar dos vários compromissos e encontros que organiza.

De fato, desde a primeira vez que “por acaso” ouvimos falar da Escola de Fé e Oração, nos identificamos com o caminho profundo e intenso preparado para os pais que têm um filho no Céu, à descoberta e à formação de uma nova maternidade-paternidade em Cristo.

O mesmo chamado que tivemos nós!

Cada vez que nos trazem uma criança, em geral rejeitada por pais que vivem segundo uma mentalidade do mundo, vemos nela a mesma rejeição que, em um certo modo, em Belém e em toda parte, foi reservado a Jesus, antes, durante e depois do seu nascimento.

Também nós, como Maria, vemos naquela criança que nos é confiada a mesma luz de Deus e, como ela, procuramos preparar-lhe uma gruta acolhedora no nosso coração, antes, e na comunidade, depois. Um lugar quente que a faça sentir acolhida e amada.

A semente da maternidade-paternidade que o Senhor pôs em nós é doada às crianças mais solitárias e abandonadas, em Cristo, por Cristo e com Cristo, para que o seu anúncio de paz e de amor seja levado ao mundo inteiro, começando exatamente por quem ele põe ao nosso lado, os mais necessitados.

Maria é a nossa guia e por caminhos estranhos e complexos nos conduziu à Associação “Filhos no Céu” para que tomássemos parte em um caminho de Fé e de Oração.

Hoje estamos sempre mais conscientes que os nossos caminhos, já convergentes, se cruzam em uma contínua troca recíproca. De fato, muitos pais da Associação “Filhos no Céu” vêm até nós para fazer experiência direta com nossas crianças.

O clima que sentimos durante os encontros, a presença viva de tantos jovens da nossa mesma idade que estão no Céu, já imersos na experiência amorosa de Deus, nos sustenta e nos ilumina em uma comunhão que une Céu e terra, numa nova maternidade-paternidade que nos faz sentir “um” em Cristo.

(extraído e traduzido do livro “Come Maria, con Maria. – Meditazioni sui misteri del Rosario”  de Andreana Bassanetti, Paoline, Milano, 2001, pp. 22-23)

Quarto Mistério da alegria

Jesus, apresentado ao Templo, é reconhecido como Messias e Salvador do mundo.

“Completado o tempo da purificação, levaram o menino a Jerusalém para oferecê-lo ao Senhor. Um homem justo e piedoso, foi ao Templo; e enquanto os pais levavam o Menino Jesus, ele o tomou nos braços e disse: ‘Eis que ele é posto como sinal de contradição, assim como uma espada traspassará a tua alma, a fim de que sejam revelados os pensamentos de muitos corações.” (Lc 2,22.25.27-28.34)

Pai Nosso – dez Ave Marias – Glória…

Meu filho nasceu a 2 de fevereiro, o dia da Candelária (dia de Nossa Senhora das Candeias), quando são distribuídas as velas abençoadas, isto é, o dia no qual Jesus, apresentado no Templo, é reconhecido como “luz para iluminar todos os povos e glória do povo de Israel”. Todos me diziam que aquela estranha coincidência, de nascer sob o símbolo da luz, era prenúncio de uma bênção e de uma iluminação divina toda especial. Desde os primeiros dias de vida o apertava no peito, bem consciente do precioso dom que me tinha sido confiado, e o levei ao Templo para o batismo, como Maria com o seu Jesus, vivendo um antegozo das maravilhas que me estariam reservadas. Este menino, filho único, foi de fato para mim e para meu marido um farol luminoso e resplandecente capaz de dar cor e sabor mesmo aos dias mais cinzentos. Mesmo as pessoas que se aproximavam dele não podiam não ficar contagiadas pela sua exuberância e simpatia que se desprendiam de cada poro de sua pele.

Sei que para cada pai ou mãe o próprio filho é especial, mas verdadeiramente, mesmo pelo testemunho de muitas pessoas, a presença de nosso filho transmitia toda a luz e a alegria que foram preanunciadas no seu nascimento. Pode haver felicidade maior para uma mãe ou um pai?

Mas um dia, cheio de trevas, o sol da nossa vida se obscureceu e não surgiu mais.

De Nova York nos chegou um telefonema: da nave onde prestava seu serviço de Comissário, durante a travessia, o seu coração cessou de bater. A minha dor era tão grande que eu esperava que acontecesse um infato também comigo. Me revoltei contra Deus, me senti traída, não só como mãe, mas também pela promessa que me tinha feito escolhendo para o nascimetno do meu filho um dia tão especial.

Vivi por três anos num escuro e num desespero mortal, me recusava a continuar vivendo.

Um dia me levaram a um encontro da Associação “Filhos no Céu” e vi tantos outros pais que tinham vivido a mesma experiência, e estavam estranhamente serenos: chamava a atenção a paz que traziam no coração.

Como era possível?

Participei do santo Rosário e refletindo sobre o mistério que me tinha sido assinalado, o quarto mistério da alegria, que refletia a minha história pessoal, compreendi que a apresentação de Jesus no Templo é sim para Maria anúncio de luz, mas também a “oferta” de seu filho ao Pai, uma espada dolorosíssima de renúncia à sua maternidade pessoal, para abraçar a maternidade universal…

(extraído e traduzido do livro “Come Maria, con Maria. – Meditazioni sui misteri del Rosario”  de Andreana Bassanetti, Paoline, Milano, 2001, pp. 24-25)

Quinto Mistério da alegria

Jesus, fica no Templo entre os doutores para ocupar-se das coisas do Pai.

“O encontraram três dias depois, no Templo, sentado no meio dos doutores, atento a escutar e a interrogar-lhes. Ao vê-lo, eles ficaram admirados e sua mãe lhe disse: ‘Filho, por que fizeste isso? Eis que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos!’. Mas ele respondeu a eles: ‘Por que me procuráveis? Não sabeis que eu devo me ocupar das coisas de meu Pai?’” (Lc 2,46.48-49)

Pai Nosso – dez Ave Marias – Glória…

Tudo aconteceu muito depressa, com a velocidade de um raio, desde quando a TAC tinha diagnosticado um tumor benigno que requeria, em todo caso, uma cirurgia urgentíssima. Minha mulher e eu permanecemos sentados sobre aquelas cadeiras contíguas à sala de cirurgias por dezesseis horas, durante toda a operação, convictos de que o nosso menino, vinte e dois anos, filho único, conseguiria sobreviver. Era jovem e forte, cheio de saúde e de vida, não devíamos temer. Foi quando vieram dizer-nos que da sala de cirurgia, por uma crise respiratória, tinha sido levado para a reanimação, que começamos a nos preocupar-nos verdadeiramente. Entrou quase imediatamente em coma e depois de alguns diasdesapareceu da nossa vista, passou para a vida eterna.

Quando rezamos os mistérios do Rosário, em particular no quinto mistério da alegria, revivemos os momentos trágicos que passamos. Também nós, como Maria e José, perdemos nosso filho e com angústia o procuramos por toda parte, desesperadamente.

Onde estava nosso filho? Por que tanto sofrimento? O primeiro “flash” de luz, no imenso escuro que nos envolvia, veio de um livro que “por acaso” encontramos na nossa livraria. Parecia uma resposta mandada do Céu: O livro saiu acidentalmente da prateleira enquanto mudávamos um ornamento.

Foi para nós o primeiro passo, mas o mais determinante. Aprendemos a distinguir o “sofrer”, que é fechamento em si mesmo, sem via de saída, do “saber sofrer”, que é a busca de sentido e de valor do sofrimento humano fechados no mistério de relação de amor entre Deus e o homem e que se realiza num caminho de fé e de oração.

Reencontramos nosso filho no Templo, exatamente como Maria e José e mesmo se, como eles, não tínhamos compreendido o porque de tudo que aconteceu, nos conforta saber que o nosso Pai celeste nos ama, está amando nosso filho mais do que pudemos nós e nos recomendamos à sua vontade.

O encontro depois com muitos outros pais que viveram a mesma experiência nos permitiu aprofundar “o que Deus quer de nós”, a verdadeira pergunta que cada pai deveria fazer-se.

Hoje nasceu em nós uma nova maternidade-paternidade oferecida a outras crianças…

(extraído e traduzido do livro “Come Maria, con Maria. – Meditazioni sui misteri del Rosario”  de Andreana Bassanetti, Paoline, Milano, 2001, pp. 26-27)

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