Reflexão do mês

Maio de 2017

“Se me amais…” (Jo 20,9)

 Maio é o mês do “Amor”. O tempo no qual Jesus, com um extraordinário discurso de adeus, prepara os seus discípulos para a Sua partida. Hoje as mesmas palavras de conforto e de consolação as repete a cada um de nós que vivemos a morte de um filho, uma filha, uma pessoa querida, para iluminar também a nós o caminho que leva ao Céu. Única condição: o amor por Ele.

Se me amais”, observareis os meus mandamentos – diz Jesus – se amardes o irmão como eu vos amei e estiverdes prontos a dar a vida por ele, vos aproximareis de mim e dos vossos entes queridos que estão em mim. Amar como Ele ama é, de fato, o requisito indispensável que é necessário para permanecer ligados a Ele e aos nossos entes queridos para sempre. “Não vos deixarei órfãos – nos assegura Jesus – mesmo se não o vedes fisicamente recebereis um Espírito de verdade que vos revelará interiormente a minha presença real e a de vossos entes queridos. Quanto melhor a vossa capacidade de amar, tanto mais vereis que eu vivo e os vossos entes queridos vivem, comigo. Também vós vereis, porque eu venci a morte”.

O Espírito de verdade é uma realidade interior que age no coração do homem quando é acolhido. Pode ser recebido somente se o coração está aberto a Jesus Cristo através de um relacionamento de confiança e de amoroso abandono. Tem o escopo de fazer compreender a “scientia amoris” (conhecimento do amor), o amor infinito de Jesus Cristo pelos nossos entes queridos e por nós e o nosso amor por Ele.

O Paráclito, o Espírito de verdade, nos pede, portanto, para sair do nosso mundo egoísta e nos convida a percorrer o caminho do Amor verdadeiro, a reconhecê-lo, acolhê-lo para levar depois o testemunho ao irmão que ainda está na escuridão.

Rezemos

Como vivo a presença do Espírito de verdade em mim? Experimento a sua luz, o seu sustento, a sua consolação? O que significa para mim amar Jesus Cristo? Como cultivo este vínculo com Ele? Como o exprimo na minha vida quotidiana? Como vivo a comunhão com Ele e com todos os nossos entes queridos que estão n’Ele?

Possa Maria, nossa Mãe Consoladora, ajudar-nos a levar o amor de Jesus ao irmão em dificuldade.

 Andreana Bassanetti

Reflexão do mês de Abril

 “…Ele deveria ressuscitar dos mortos…”    (Jo 20,9)

 Abril é o mês da “ressurreição dos mortos”. O tempo extraordinário no qual a Igreja nos convida a ressurgir em Cristo, o Vivente, crucificado e ressuscitado, depois de um tremendo escuro da paixão e morte, que também nós vivemos no profundo do coração pela perda de nosso filho, de nossa filha, ou de algum outro ente querido. E eis a boa notícia, o Kerigma, o anúncio extraordinário que faz resplandecer a vida em nós. Jesus ressuscitou dos mortos, venceu a morte com o amor!

Quantas vezes, em vez disso, desconfiados e perdidos, fechados na nossa dor, incapazes de superar os nossos limites, fomos à tumba de nosso filho, em lágrimas, como Maria Madalena, convencidos que a morte o tivesse levado embora para sempre?

É o amor por Jesus que impulsiona João a ir além da morte, a atravessar o limiar do Mistério, a ver com olhos novos, os olhos da fé, a realidade que o circunda.  De fato, exatamente no sepulcro ele “viu e acreditou” (Jo 20,8) e convida cada um de nós a percorrer o mesmo itinerário, a transformar o sepulcro de lugar de morte em lugar de vida nova, berço da nossa ressurreição.

Será, de fato, o nosso amor por Jesus a impulsionar também a nós a irmos além da morte de nosso filho. Com o Ressuscitado no coração, com forças, mente e coração novos correremos também nós ao seu sepulcro. Veremos a tumba vazia e os sinais que o Ressuscitado deixou para nós. Sem atraso, com plena confiança, poderemos também nós crer que Jesus venceu a morte e está verdadeiramente ressuscitado!

“Quem acredita, vê; vê com uma luz que ilumina todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo ressuscitado, estrela da manhã que não tem ocaso”. (Francisco, Lumen Fidei 1)

Refletindo e Rezando:

Creio que Jesus tenha verdadeiramente ressuscitado? Estou fechado na minha dor, ancorado na paixão e morte de meu filho ou estou disposto a acolher Jesus ressuscitado?

Quanto a Sua ressurreição ilumina a minha? O sepulcro de meu filho transformou-se em lugar de encontro com ele, portanto de vida nova em Deus?

Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, para ajudar-nos a revestir-nos das armas da luz e tornarmo-nos testemunhas alegres da ressurreição, capazes de levar o feliz anúncio de Vida a quem está ainda na escuridão das trevas e na sombra da morte.

Andreana Bassanetti

CONDUZIDOS PELAS MÃOS DE DEUS

No sofrimento experimentamos a misteriosa lógica do amor: quanto mais damos, mais recebemos. Quanto mais consolamos, mais somos consolados. Quanto mais amamos, mais somos amados. Mas consolar não é simplesmente tentar aliviar, amenizar a aflição, o sofrimento de alguém, é, sobretudo, compartilhar dessa dor na sua totalidade.

As mães e pais que mensalmente se encontram no Grupo, sabem que estão ali por uma missão. Na vida de um cristão, nada é por acaso.

Somos conduzidos pelas mãos de Deus, principalmente quando, nesse momento tão duro de enfrentar, não temos forças, ânimo e vontade de caminhar. A saudade do(a) nosso(a) filho(a) é tão grande que chega a “faltar o ar” para respirar. O vazio imenso dilacera o coração.

Num primeiro momento só é possível visualizar a dor, que machuca, fere, arrasa, mas aos poucos se acalma.

Cremos que Deus está conosco, e por mais difícil que seja compreender, o sofrimento que tanto machuca, também ensina.

Conforme vamos levando a Deus nossas feridas, as mudanças vão ocorrendo, e nos abrimos para que Ele possa agir em nós.

A cruz, símbolo principal da nossa fé, convida-nos a ver a graça onde há dor; a ver a ressurreição e a vida onde tudo parece ter terminado.

A fé desperta em nós a esperança. Ter esperança não quer dizer evitar ou ser capaz de ignorar o sofrimento, mas a esperança nascida da fé nos amadurece  e nos purifica. A fé nos aproxima de Deus.

Ficamos sempre muito emocionados com a coragem que cada um vai adquirindo dia após dia. A cada encontro renovam-se as forças. Ainda que sejam pequenos os passos, podemos afirmar que não estamos paralisados no mesmo lugar, mas pelas mãos de Deus temos sido conduzidos, e em meio a tantas perdas, evidencia-se ali o amor e carinho de Deus por cada um de nós.

A dor nos faz olhar diretamente para Deus e a convidá-lo para entrar definitivamente em nossa vida. Isso nos leva às profundezas de sua misericórdia curativa. É o amor compartilhado, permitindo que o consolo aconteça, de forma serena, suave, ajudando-nos a continuar a caminhada, apesar da dor, certos de que ao final Cristo nos espera, e ao seu lado, nossos filhos e entes tão amados que nos precederam no céu.

A compreensão de outrem somente progredirá com a partilha de alegrias e sofrimentos.” (Albert Eisntein).

Reflexão do mês – Março de 2017

“Se tu conhecesses o dom de Deus”    (Jo 4,10)

 Março é o mês do “Dom”. O tempo no qual Jesus quer oferecer-se totalmente a nós e tornar-se o nosso Dom predileto. Quer fazer-nos conhecer todas as vantagens divinas que recebemos da Sua doce presença. Tanto mais nos aproximamos dele, caminhamos nos seus caminhos e realizamos a Sua vontade, mais nos aproximamos dos nossos filhos e das pessoas queridas que estão nele, já aqui e agora.

Tornamo-nos todos um com eles e lhes fazemos contentes porque hoje eles querem o mesmo que quer Jesus. Se em vez disso nos afastamos dele, nos afastamos também dos nossos entes queridos.

Como aconteceu com a Samaritana no poço de Sicar, também hoje, início do caminho quaresmal, Jesus pára no poço do nosso coração e nos diz: “Dá-me de beber”. Estende a sua mão como um Esposo atencioso e declara o seu amor para nós: Tenho necessidade de ti, te quero, és parte de mim, pupila dos meus olhos.

Se declara por primeiro para fazer-nos conhecer as Suas verdadeiras intenções, inimagináveis, divinas e atrair-nos a Si. Como o melhor dos enamorados, o amor perfeito que todos nós desejamos ter ao lado.

No início parece ser somente Ele a ter necessidade de nós e a dizer: “Tenho sede”. Mas pouco a pouco como aconteceu com a Samaritana, estando na Sua luminosa presença, vemos mais claramente também dentro de nós: as nossas escolhas egoístas, as nossas faltas, a desordem que reina no nosso dia a dia.

Sentimos forte um anseio “Jesus tenho sede de Ti”. Longe das palavras vazias e inúteis que sempre nos confundem, sentimos que somos nós a ter necessidade dele! No poço do nosso coração, com Ele, nascem desejos novos: a necessidade de mudar, de renunciar aos nossos egoísmos, de pôr ordem nos afetos e nas relações, de fazer a Sua vontade. Sobretudo tornarmo-nos nós mesmos um dom para quem vive a mesma dolorosa experiência que nós e infelizmente caminham na ignorância e na escuridão.

 Rezemos:

Sou consciente de que o único e verdadeiro Dom é Jesus? Desejo fazer a vontade de Deus ou pretendo que Deus faça a minha vontade? Neste tempo de quaresma, de conversão, de purificação, fiz um programa diário para libertar-me dos meus egoísmos, da minha superficialidade, das minhas vontades? Peçamos a Maria, nossa Mãe Consoladora, e aos nossos entes queridos no Céu, neste tempo propício de quaresma, para ajudar-nos a ser melhores.

Andreana Bassanetti