Encontro Mensal Outubro 2017

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Reflexão do mês de Setembro

“Aprendeu o que significa a obediência, por aquilo que ele sofreu.” (Eb 5,8)

 

Setembro é o mês da “Obediência”. É o tempo no qual a Palavra nos convida a parar sobre um aspecto crucial da vida de Jesus para aprender também nós a sua mesma obediência filial pelas coisas que “sofremos”.

Somos assim chamados a compreender e a aderir sempre mais totalmente também nós à vontade do Pai procurando ver com os seus mesmos olhos as experiências vividas, que cotidianamente encontramos, mas sobretudo o evento dolorosíssimo que golpeou a nossa vida.

Quem sabe quantas vezes diante de um fracasso, de uma doença, sobretudo diante da morte de um filho ou de uma pessoa particularmente querida nós repreendemos Deus com a frase “mas o quer de mim?”.

Jesus nos convida a escutar humildemente, docilmente, ab-audire, isto é, a deixar-nos instruir por aquele acontecimento “sofrido” e sentir a vontade boa de um Deus que nos chama a ir além, a dilatar os nossos horizontes e o nosso coração, a amar como Ele nos ama e tornar-nos verdadeiramente seus filhos.

O versículo da Carta aos Hebreus (5,8), farol luminoso sobre o nosso caminho impera no nosso estatuto. Tantas famílias das nossas Comunidades, seguindo os passos de Jesus, aprenderam a obediência pelas coisas que “sofreram”. A morte do Filho (de Deus) ilumina a morte de um filho, a transforma, a transfigura. À sua luz viram a luz e vieram à Luz, ressuscitaram, renascidos do alto, tornaram-se “lugar de vida nova em Cristo”, anúncio autêntico e real de ressurreição, Eucaristia vivente para toda a Igreja. Farol luminoso de segura esperança no mundo. Testemunhas alegres dos seus filhos que estão no Céu.

 Refletindo e Rezando:

Deixo-me instruir, como Jesus, pelo doloroso acontecimento que sofri ou estou fechado a qualquer outro horizonte? Os numerosos por quês, que se aglomeram nos meus dias e nas minhas noites, são uma repreensão a Deus ou são uma busca da sua vontade e adesão ao seu projeto de amor? Quais são os obstáculos que me impedem de abandonar-me à sua escuta mais fiel e colaborativa? A materna presença de Maria aos pés da cruz, ícone da Igreja e de cada fiel, me ajuda a “estar” aos pés da minha cruz, sem sucumbir. Peçamos a ajuda da nossa Mãe Consoladora para poder contemplar, penetrar, e decifrar com olhos novos, a riqueza e o incrível esplendor que dela emana.

Andreana Bassanetti

Partida e chegada

 

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “já se foi”. Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: “já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro” !!!

Assim é a morte.

Quando o veleiro parte,  levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “já se foi”.

O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino.

Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “já se foi”, no céu outro alguém dirá: “já está chegando”. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Assim, um dia todos nós partiremos, como seres imortais que somos, todos nós iremos ao encontro daquele que nos criou.

(Henry Sobel) 

Superar o luto requer tempo

Sufocar a tristeza e as lágrimas pode ser prejudicial, dê tempo ao luto, pois pode demorar semanas, meses, até mesmo anos.

A dor de perder um ente querido é singular. Toda pessoa tem o direito de chorar essa perda o quanto desejar, pois somente ela sabe a dor que passa em seu coração. Em muitos momentos de perda, sempre encontramos os “psicólogos de plantão”, os quais, com suas frases pré-fabricadas, não colaboram em nada com quem está sofrendo a separação. Muitos dizem: “Foi a vontade de Deus”, ou “Ele quis assim!” ou ainda “Foi melhor para ele”. Essas frases pobres e sem fundamento não ajudam em nada; pelo contrário, desfiguram o rosto amoroso do Senhor.

Deus não deseja que o ser humano sofra. O sofrimento é uma condição humana, não um desejo divino. O Senhor é amor, e tudo o que desqualifica o amor de Deus é um jeito impróprio de compreendermos a vida e os seus desdobramentos.

Muitos surgem com frases extremamente “formatadas”, afirmando: “Não chore!”. Como não chorar diante da dor da separação de alguém que nos deixou? Temos, sim, o direito de chorar o quanto quisermos e pelo tempo que desejarmos.

Sufocar a tristeza e as lágrimas pode ser prejudicial

Contudo, o luto é um processo e precisa ser elaborado aos poucos. Sufocar a tristeza e as lágrimas pode ser prejudicial. Dê tempo ao luto, pois pode demorar semanas, meses, até mesmo anos. Durante esse tempo, é normal que você sinta raiva, chore, se revolte e até mesmo questione Deus. É preciso viver esse “outono” para que um novo tempo comece a surgir lentamente, anunciando novas esperanças.

Muitos querem ficar sozinhos, outros preferem partilhar sua dor com algumas pessoas. Tudo isso ajuda a elaborar o processo do luto na vida. Outros ainda buscarão forças na oração.

Sentimentos de culpa

Durante esse processo, muitos questionamentos podem surgir: Por que ofendi tal pessoa naquele dia? Por que não a abracei mais? Por que não lhe disse que a amava? O que não fiz que deveria ter feito? Muitos outros questionamentos poderão surgir. Não os sufoque, mas também não se prenda a eles. Carregue em seu coração a certeza de que Deus, em Seu amor, acolheu seu ente querido.

Alguns rituais podem nos ajudar a superar para viver o processo do luto. Se desejar poderá escrever em uma folha os bons momentos que juntos viveram e também escrever as dores da saudade. Poderá ainda acender uma vela e fazer uma oração ao ente querido. Se sentir necessidade de partilhar com um amigo próximo a dor que sente em seu coração, não fique com medo. Fale, partilhe, desabafe. Nesse momento, é normal que as lágrimas venham. Deixe-as cumprir o papel de desabafo e saudades.

No luto sentimos um vazio enorme

O coração sente que falta algo, um espaço foi aberto. A saudade dói, mas não tenha medo de sorrir novamente, de contemplar as flores, de amar e se sentir amado pelos amigos e familiares. Permita-se recomeçar. A saudade ficará, as lágrimas voltarão, pois o amor que você sente pela pessoa que se foi nunca se apagará. Este amor que você sente lhe dará forças para continuar sua vida e cuidar daqueles que também precisam do seu carinho, do seu abraço e da sua ternura.

Pe. Flávio Sobreiro

(http://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/cura-interior/superar-o-luto-requer-tempo/)