Artigo de Rodolfo e Regina (publicado no jornal “Indisparte”)

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Jornal Indisparte – Dezembro de 2010

Tradução do texto publicado:

Uma flor que alegra o Céu

Renatinha é a nossa segunda filha, com Érika e André são os três dons de Deus na nossa vida. Em 15 de janeiro de 2007 Renatinha partiu para o Céu, tinha apenas 17 anos e seis meses. Daquele dia até hoje tivemos que aprender a viver novamente diante de uma realidade verdadeiramente dura e cruel.

A nossa família sempre foi muito unida. De repente nossa mudou. Em maio de 2005 fomos surpreendidos com a notícia de que a Renata estava com uma grave doença: “Linfoma de Hodgkin”. É uma forma de câncer que se origina nos gânglios do sistema linfático. E nosso mundo desabou. Mesmo sabendo que isso poderia acontecer qualquer um, não esperávamos que pudesse acontecer a nós.

Choramos como nunca. Foi a única vez que vi a Renata chorar. Acho até que naquele dia ela foi ungida por Deus e recebeu das mãos d’Ele graça e forças necessárias para enfrentar o que vinha pela frente. Era dia 25 de maio, véspera da Solenidade do Corpo e Sangue de Nosso Senhor. Com os olhos da fé entendemos que Jesus, com seu Corpo e Sangue, quis nos fortalecer e carinhosamente nos dizer que estava conosco, que não nos abandonaria, que podíamos confiar n’Ele. Foram quase dois anos de luta, mas também de muita presença de Deus. Pouco a pouco fomos nos adaptando com as idas e vindas ao hospital. Era a Renatinha quem nos confortava com seu sorriso celestial. Uma força incrivelmente contagiante. A nossa casa vivia cheia; fomos rodeados de amigos, todos queriam demonstrar sua solidariedade. Realmente ninguém pode percorrer o caminho da fé sozinho. Somos uma grande família, a família de Jesus Cristo.

A confiança em Deus que a Renata tinha não era desse mundo. Uma jovem de 15 anos enfrentar com coragem a doença e dela tirar lições de vida, só mesmo para quem tem uma fé madura. Mesmo durante o tratamento ela continuava a dar-nos coragem com a sua esperança e confiança.

Dia 15 de janeiro de 2007 Deus veio buscar a Renatinha. Ela já estava pronta, aliás, ela já nasceu pronta, quem precisava de tempo para preparar-se éramos nós. Depois desse dia a nossa família teve que reaprender a viver. Compreendemos um pouco daquilo que falou Santa Teresinha: “O bom Deus quer que eu me abandone como uma criancinha despreocupada com o que irão fazer dela”.

Ela não nos deixou, apenas nos antecedeu no Céu e hoje vive de uma outra forma, transformada numa vida que desejamos tanto alcançar: a VIDA ETERNA. Sabemos que ela caminha conosco e intercede por nós, como fazem os Santos de Deus.

Não foi fácil e ainda não o é, mas sabemos que nossa Pátria não é aqui. Um dia também partiremos e se fizermos por merecer, nos reencontraremos na presença de Deus. Uma das coisas que nos mantém em pé é essa certeza do reencontro no Céu, mas antes precisamos cumprir a nossa missão com a dignidade de “filhos de Deus”. Os nossos dois filhos que ficaram, Érika e André, precisam da nossa presença a cada dia. A história deles ainda está sendo escrita. Somos parte dessa história e também responsáveis por essas vidas. A minha família ainda chora a ausência da “Rê”, mas são lágrimas de saudades, não de desespero.

Nasceu no coração o desejo de nos unirmos a outras famílias que também viveram a mesma dor e dar consolo a outras famílias, já que Deus, desde o início nos consola.

Aprendemos que o amor existe para ser partilhado, não guardado, escondido dentro do coração. Demos vida a um grupo de reflexão “Filhos no Céu”, na Diocese de São José dos Campos, no Brasil, inspirado nos encontros que acontecem na Itália, na Associação “Figli in Cielo”, com a ajuda do Pe. Rogério Augusto, que desde o início esteve ao nosso lado e gentilmente foi em busca de informações e orientações. Assim pudemos apresentar ao nosso bispo este desejo, e após sua aprovação, iniciamos os encontros, dia 19 de setembro de 2009. Durante os encontros, a partilha das diversas experiências nos trazem serenidade ao coração. Muitas mães chegam prostradas pela dor, mas aos poucos vão encontrando consolação. A paz enche os nossos corações que novamente se abrem para o Amor de Deus. Não existe outro caminho. Se tentarmos percorrer outro caminho ou se o percorremos sozinhos, correremos o risco de viver no desespero e na angústia, e de viver sentimentos que não provém do coração de Deus. Encontrar-nos tem sido um dom de Deus para nós, nos sentimos já como uma grande família, a “família dos filhos que estão no Céu”. Louvamos a Deus pela comunhão que existe entre nós “famílias” e os “Filhos no Céu” não só na nossa diocese, mas em todas as outras espalhadas pelo mundo. Louvado seja Nosso Senhor, Jesus Cristo!

Regina e Rodolfo Araújo

do Brasil

 

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2 pensamentos sobre “Artigo de Rodolfo e Regina (publicado no jornal “Indisparte”)

  1. Cara Maria das Graças, a paz de Jesus esteja com vocês!

    Conte sempre com as nossas orações. A família dos filhos que estão no céu se une a vocês, e juntos caminharemos unidos pela dor e pela esperança de um dia nos reencontrarmos com eles no reino de Deus.
    Fácil não é, mas Deus a cada instante nos envia suas graças para que possamos continuar. Contamos também com a intercessão de nossos filhos, que não cessam de pedir por nós junto a Jesus.
    Às vezes realmente nos sentimos sós, mesmo estando no meio de muita gente. Nosso coração carrega a dor da saudade, que repete a cada segundo o nome do(a) nosso(a) filho(a). 24 horas por dia pensamos neles, mas sabemos que mesmo sentindo tamanha dor é preciso continuar. Nossa família e amigos contam com isso, sobretudo Deus espera que sejamos fiéis em tudo e em cada momento. Fomos e somos privilegiados e abençoados por sermos pais de filhos maravilhosos, que tanto nos ensinaram e nos ensinam.
    Vocês são pessoas de fé, filhos amados de Deus e sabem que Ele jamais nos desampara. É a esperança e confiança no amor de Deus que nos mantém em pé, seguindo em frente cumprindo a missão que Ele nos confiou.
    Jesus nos diz a cada momento: “Coragem, Eu estou contigo!” E é por Ele, com Ele e para Ele que vivemos.
    Conte sempre conosco e receba nosso abraço.

    Fraternalmente,

    Regina e Rodolfo

  2. ola regina e rodolfo eu tambem sofro a mesma dor,dor cruel no mesmo ano q a sua filha foi alegrar o ceu o meu querido reginaldo com 27 anos foi tambem enfeitar o ceu,um filho mto querido so tinha bondade no coração e amigos de todos cheio de planos,ia se casar deixou eu seu pai seus irmãos sua sobrinha sua namorada foi tudo como um sopro hoje gosto do silencio ,pra curtir a saudade seu sorriso contagiante q so me fez feliz?hoje no meio tanta gente me sinto só por favor reze por mim

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