Entrevista com a fundadora do “Filhos no Céu”

«Filhos no céu», quando morre o sangue do próprio sangue

 Entrevista com sua fundadora, Andreana Bassanetti

ROMA, sexta-feira, 3 de novembro de 2006 (ZENIT.org).- “Filhos no céu” é uma associação, uma «escola de fé e de oração», que oferece um caminho de fé e de esperança para superar a dor pela perda prematura de um filho e reencontra-lo no Céu, quer dizer, no mistério de Deus.

Fundou e anima esta associação Andreana Bassanetti, psicóloga e psicoterapeuta de Parma, Itália, que não conseguiu salvar do suicídio sua filha de vinte e um anos, Camilla.

Frente a esta dor pela morte de sua filha, Andreana depois de seis meses sem conseguir levantar-se da cama, conseguiu sair de casa e encontrou uma igreja aberta. Entrou com a sensação de que alguém a esperava fazia tempo e desde aquele dia, atraída por uma força desconhecida, durante oito meses, voltou a ajoelhar-se diariamente naqueles bancos.

Lendo os salmos, relata a psicóloga, «senti uma voz interior que pronunciava palavras de amor. Mais que uma voz era um sopro quente, intensíssimo, como uma melodia, um canto de palavras esfumadas, que me penetrava e me enchia e me desfazia interiormente: conseguia perceber confusamente só a palavra amor».

Bassanetti conta que «tudo durou só uma dezena de segundos porém teve um efeito grandioso, milagroso, me libertou da pesada mó que me paralizava», e acrescenta: «Sobre o monte o Senhor provê, Deus me havia dado um coração novo. Me dei conta de que estava chorando: silenciosamente, lágrimas quentes me regavam o rosto. Como se pode resistir a um amor tão grande?».

«Aquela noite foi para mim uma noite em verdade santa, milagrosa –escreve a fundadora de «Filhos no Céu»–. Voltei pra casa transformada, com o coração cheio de gratidão, selando no profundo as palavras do salmo 39: «Aqui estou, Senhor, para fazer tua vontade».

Assim o conta à Zenit Andreana Bassanetti nesta entrevista.

–Como se pode superar uma dor tão forte como a morte de una filha?

–Bassanetti: Quando morre um filho por causas acidentais ou naturais, para um progenitor o tormento é indescritível. É a dor maior que um ser humano pode experimentar. Um desprendimento tão dilacerante que não cicatriza nunca: a existência daquele que fica, se consegue supera-la, já não voltará a ser nunca a mesma, porém o Senhor tira só para dar um don maior.

Nos meses nos que não conseguia suportar a dor e pensava que iria morrer também, o Senhor me visitou verdadeiramente e me encheu de graças, me envolveu entre seus braços maternos, me consolou, medicou minhas feridas e sobretudo abrandou meu coração, endurecido pela dor. Tomei consciência d’Ele, de seu Mistério, de sua Presença, de seu Espírito que vivifica a alma, incendeia o coração e abre a mente ao céu. E na luz que me envolvia totalmente e me fazia renascer para o amor e a a esperança, reencontrei Camilla. A igreja se converteu no lugar privilegiado de nossos encontros, um momento sublime de espera, de diálogo, de união porque se o corpo aproxima, o espírito vai mais além, une, funde, confunde.

Se hoje tento reconstruir minha história pessoal, tratando de dar-lhe uma ordem cronológica, já não posso começar desde a infância. Começa quase aos cinqüenta anos, com um acontecimento tremendo, dramático, lutuoso, de fracasso, crucificante: a morte de minha filha Camilla de apenas vinte e um anos. Aquele fato me fez encontrar a Deus.

Ou melhor, minha verdadeira vida começou quando Deus irrupção na minha vida. Retocando tudo porém sem desconcertar, revolucionando a ordem e o sentido de antes, porém ao mesmo tempo restituindo a cada acontecimento um sentido primordial que me precede, me antecipa e me surpreende cada vez.

Trata-se de um sentido que me supera em muito, me sobrepassa e que se substrai a qualquer análise psicológica ou psicanalítica. Um autêntico milagre que deu impulso verdadeiro a minha existência.

–Como é possível dar graças a Deus pelo suicídio de uma filha?

–Bassanetti: Há verdades que o Senhor escondeu no secreto do nosso coração, que requerem todo um longo caminho na obscuridade, exigem toda a fadiga de uma busca, até o encontro com Ele. Para reencontrar os filhos no Caminho verdadeiro, a Verdade nos diz que só há um Caminho: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me» (Lucas, 9,23).

Em lugar de rebelar-se, querendo o regresso dos filhos a uma dimensão, o progenitor tem que ir adiante, na sua liberdade de escolha, negar-se a si mesmo. Negar a maternidade-paternidade humana para elevar-se a uma maternidade-paternidade divina, na nova dimensão que o estado espiritual do próprio filho requer.

É importante não ter medo da dor. Ainda seja aguda e aparentemente incontrolável, nenhuma noite é tão longa que não permita a chegada de um novo dia. Ainda que o percurso seja longo e difícil, é bom não deixar-se aniquilar pela dor mas respeitar os próprios estados de ânimo, superando as exigências interiores que, pouco a pouco, se manifestam. Não há que apressar-se saltando etapas importantes que são um fundamento necessário e construtivo para si e para toda a família.

–Imagino que esta experiência terá mudado também seu modo de trabalhar…

–Bassanetti: Certamente. O objetivo já não é só o bem estar, a saúde daquele menino ou menina ou adulto que certamente são sempre importantíssimos. Juntos buscamos o encontro com Deus, a salvação pessoal, na liberdade das escolhas e no respeito das linguagens pessoais.

A experiência dolorosa que vivi com Camilla me ajuda a que nenhum outro sofra suas mesmas penas, e isto o ofereço por sua intercessão, a favor de todos os jovens de algum modo necessitados, e estou segura de que ela junto com os meninos que estão no céu com ela, está intercedendo por mim.

–Em seus livros, a senhora fala da dor de Maria diante da Paixão e da morte de Jesus crucificado. Por quê?

–Bassanetti: Creio que se tem que refletir sobre o mistério de Maria, uma mãe que vê a paixão, a morte e a Ressurreição de seu filho.

Tem-se que permanecer com Maria ao pé da Cruz e como ela sem temor penetrar no mistério da morte, à luz de quem a venceu, sabe transfigurar toda cruz em sua ressurreição.

Ela, a Mãe das dores, que conhece bem o sofrimento, que compreende bem toda existência traspassada, fez possível este mistério de graça. Ela foi a primeira que manteve aberta a porta de seu coração humano destroçado para que a alegria divina fluísse em todo seu esplendor e a obra de Deus se manifestasse em toda sua beleza. Por isso é testemunha e modelo humilde e fiel de um mistério que vai além de toda adversidade e tragédia humana, além de toda vida crucificada.

Na minha opinião, há em cada coração uma riqueza que não se pode descuidar, nem evitar, nem banalizar, nem remover. É o coração mesmo de Maria, fonte efusiva de vida nova, «causa de nossa alegria», que nos dá seu bem maior, Jesus.

–A senhora afirma também que há um nexo entre a família, a dor e a Eucaristia. Pode nos explicar?

–Bassanetti: Sim a família é uma pequena igreja doméstica, como sublinhou João Paulo II, uma família golpeada por um luto tão grande é um pequeno «tabernáculo vivente» que guarda zelosamente a Hóstia santa e imaculada que se entrega a nós. O dom que se faz Eucaristia, bem de graça.

Cada vez que um pai e uma mãe, uma irmã ou um irmão, um «pobre mais pobre», quer dizer, quem fica privado de seu bem mais querido, se aproxima e abre seu coração traspassado, cansado de chorar, me prostro em silenciosa adoração diante da Hóstia que se faz visível naquele tabernáculo. E cada vez que alguém reaviva minha ferida, se reaviva também o milagre de sua Presença e a riqueza que leva consigo.

A Associação «Filhos no Céu» desenvolve um trabalho de acompanhamento das famílias ao longo de um processo de elaboração psicológico-espiritual do luto. Encaminha as famílias a viver a «lectio divina» [modo tradicional de orar a Sagrada Escritura para que a Palavra de Deus possa penetrar nos corações, ndt.] para que a Palavra ressoe em sua vida pessoal. Até agora, mais de dez mil famílias entraram em contato com esta associação. Está ativa em cerca de cem dioceses na Itália, Espanha, em vários países da América Latina, nos Estados Unidos, na Inglaterra e na Nova Zelândia.

 

ZS06110302 – 03-11-2006
Permalink: http://www.zenit.org/article-21621?l=spanish

12 pensamentos sobre “Entrevista com a fundadora do “Filhos no Céu”

  1. Tive meu segundo filho em 2012, estava tudo bem durante a gravidez. As 36 semanas o Bernardo nasceu e nod deu a alegria de conviver com ele durante 02 dias. .. foi muito triste mas, sofremos muito mas sabemos que Deus tudo sabe e Nele tudo podemos e temos! Agradeço a Deus por ter esta oportunidade de ter sido mãe novamente e de ter um Anjo na terra e outro Anjo no céu! Um forte abraço fraternal a todos!

    • Prezada Carla, a Paz de Jesus!

      Realmente fomos agraciados com a vida dos nossos filhos. A vida não se mede pelo tempo que se viveu mas pelo amor com que se viveu, e isso não nos resta dúvida, amamos com todas as nossas forças. Nosso amor ultrapassou a limitação da vida e se tornou eterno na presença de Deus.
      Carla, é a fé que nos sustenta diante de uma dor tão devastadora. É pela fé que continuamos, e continuamos certos de que nossos filhos vivem em Deus e com Deus. Sem Deus tudo se torna sem sentido, escuro, vazio, desespero.
      Louvamos a Deus por sua fé! Que Ele continue a derramar sobre você e sua vida todas as graças necessárias, e que o Bernardo interceda junto a Jesus por todos vocês.
      Sinta-se acolhida e abraçada por cada um de nós da família dos filhos no céu. Conte sempre com as nossas orações, e se possível nos apresente também em suas orações. Obrigada por nos escrever.
      Grande abraço,

      Regina Araújo

  2. Me perdoe pelo erro .. rs mas acho que foi por impulso colocar ‘pastor’ .. suas palavras são adimiráveis … é como se acalentasse meu coração padre =) como eu queria conhcer o senhor e sentar para debater este assunto .. fico me perguntando se um dia vou ve lo .. ele tava tão perto de mim e ao msm tempo tão longe .. fico pedindo sinais aá Deus .. e me pergunto por que um rapaz tão jovem e cheio de vida se foi .. um herói para familia e um sorriso uma bondade sem tamanho .. a morte dele me fez repensar tanta coisa.. tantos quesitos na vida , fez eu pensar em tudo até em meu relacionamento com meus pais .. é como se eu tivesse mudado .. antes eu achava que morrer era uma coisa normal .. talvez pq eu perdi so pessoas mais velhas vó vÔ e etc .. mais perder ele me fez repensar td isso .. tenho medo de levar essa tristeza pra sempre .. to tenatando focar em outras coisas mais td me lembra ele .. obrigado padre ! Deus esteja sempre com vc

  3. Pastor , á alguns dias tenho visitado este blog .. n perdi um filho,n perdi ngm proximo a mim .. mas á 3 meses um amigo do meu irmão se foi com 23 anos.. desde o dia 19 de setembro n tem um so dia que eu n pense neele que n veja video fotos e eu choro demais vendo as coisas dele
    todos os dias.. sabe n tem explicação é como se fosse um parente meu .. eu n consigo entender tamnha trsiteza .. n consigo ficar sem pensar nele é estranho demais … eu n consigo enteder é um saudade sem explicaçaõ eu peço a Deus pra tirar isso de mim ..me ajuda ;( paz de cristo ! e que Deus abençoe todos vcs

    • Olá, Mariana.
      Agradeço pela sua mensagem. Queria esclarecer, para desfazer alguma confusão, que eu sou padre católico. Não que isso seja um problema para receber a sua mensagem… Mariana, você está tocando com as mãos um dos maiores mistérios da vida humana: a morte. A separação de uma pessoa querida, por um acontecimento assim atroz e incontrolável, nos põe em contato com nossa limitação e com a frustração dos sentimentos. Apesar de não se tratar de um filho, o que tornaria a situação ainda mais dramática, a perda de um amigo transforma o mundo à nossa volta. Mas eu queria acenturar um lado positivo na reflexão sobre a dor da perda de uma pessoa querida: o amor. A saudade e o sentimento de que a vida não é a mesma sem alguém, por mais que o tempo passe, nos mostra que nós não existimos para nós mesmos, não somos absolutos; e, por outro lado, nos faz pensar na importância que os seres humanos podem ter na vida uns dos outros. O nosso amor é para sempre! O nosso amor sobrevive à morte. De uma certa maneira, nem a morte pode nos separar. E, para nós que cremos que Jesus Cristo morreu por nós, para que pudéssemos viver eternamente ao seu lado, a saudade não constitui um sonho absurdo e irrealizável mas um sinal do eterno, um anseio pela vida que não termina e pela comunhão perfeita, com Deus, e com as pessoas que amamos.
      Rezamos por você, Mariana, e desejamos que a sua fé seja muito maior que tristeza, que seu amigo, de junto de Deus, continue essa amizade através da intercessão, por você por todas as pessoas que ele ama, mesmo lá do Céu.
      Um abraço.
      Pe. Rogério das Neves

  4. Padre eu tenho 2 filhos maravilhosos um de 25 e outro de 22. perdi o de 22 anos ha cinco meses, em um acidente de carro. rezo o terço por ele todos os dias e vou na missa 2 vezes por semana,e estou me sentindo muito bem graças a Deus na medida do possível.Sei que devolvi para deus uma pedra preciosa,não faltou nada que eu não fizesse por ele, e ele por mim.
    Mas esses dias eu estava rezando e chorando e de repente eu vi na minha frente uma bolha de sabão bem grande com a imagem minha e ele me abraçando, quando ele segurou minha mão e olhou no meu rosto o telefone tocou e a imagem sumiu! O que será isso?

    • Olá, Maria Conceição.
      Agradeço muito pela sua mensagem. Quero expressar minha solidariedade pela perda do seu filho querido e, ao mesmo tempo, oferecer a você a orações de nosso grupo de pais e mães.
      É muito bom ouvir você dizer que consegue harmonizar essa nova situação de sua vida, isto é, da falta de seu filho, com a consciência e a recordação de que vocês souberam aproveitar bem os momentos que Deus lhes concedeu para estarem juntos, tanto você como ele. Há muita consolação nisso. Claro que, mesmo assim, o coração terá seus momentos de aperto e as lembranças dele também poderão fazer a saudade aumentar e entristecer os seus momentos. Esteja preparada para isso também.
      Sobre a sua dúvida, eu não tenho nenhuma especialidade para interpretar uma experiência assim subjetiva, mas eu tenho alguns palpites que, acho, podem fazer sentido e ajudar você a estar tranqüila: Penso que nada deve suscitar em você qualquer preocupação com o hoje de seu filho. Como você mesma diz, vocês têm motivos de sobra para saber que tanto ele quanto você estão muito bem hoje. Seu filho não saiu e nem sairá de sua vida. Num certo sentido, ele está mais presente ainda. Por isso, é natural sonhar com ele, recordá-lo de um momento para outro e, até, alguma vez, lembrar-se dele através de algum recurso do seu inconsciente, como uma aparente visão ou encontro. Isso é muito humano. Nosso inconsciente é muito rico e cheio de imagens e símbolos. É importante saber que são coisas que estão já na nossa mente, e se manifestam de um modo meio indeterminado. Acho que vale a pena pensar nessas coisas como manifestações do nosso amor e de nossa saudade e não como fenômenos exteriores a nós, como se fossem coisas articuladas inteligentemente fora de nós para nos dizerem coisas de maneira enigmática, que nós não entendemos mas ficamos tentando decifrar. Não vale a pena perder a paz interior por nada assim, ainda mais no seu caso, de alguém que mostra tanta sabedoria e serenidade diante dessa experiência da vida. Eu dou um conselho: pense na beleza que você pode tirar dessa experiência. Seu filho não está ausente. Ele te abraça. A imagem que você tem nessa “visão” é frágil como espuma, mas o vínculo entre vocês é permanente, por isso, quando a imagem se vai, ele continua no seu pensamento e no seu coração…
      Espero que essas dicas possam ajudá-la e desejo-lhe muita paz e muito amor. Um abraço.
      Pe. Rogério das Neves

  5. Padre, Boa Noite:

    Achei até que o Sr. não fosse me responder, obrigada pelas palavras.
    Queria uma explicação: sou católica, vou todos os sabados as vezes durante a semana a missa participei muito de grupo de oração, só que me aconteceu uma coisa esquisita
    Por 3 vezes eu senti um pingo de agua (não sei ) cair em mim.
    a ultima vez uma pessoa estava presente e viu que este pingo veio do nada.
    até ela ficou que parada me olhando
    O que será isso?
    A morte da minha filha foi repentina, morreu de embolia pulmonar fulminante.

    • Olá, Gislene.
      Espero que você esteja melhor. Que a esperança seja sempre maior do que a dor.
      Queria comentar o que você me pergunta, sobre o que é esse acontecimento que chama a sua atenção: Uma pessoa que vive o que você está vivendo torna-se alguém muito sensível. Por vezes, é possível sentir-se atraído por alguma coisa que em outros tempos não faria sentido nenhum. A ausência de sua filha hoje, na verdade, é a maior presença que ocupa a sua atenção. Ela está em tudo! Fala em tudo! E, é muito compreensível que, alguma vez, a lembrança dela seja motivada por algum acontecimento ou coisa que você presencie. Em outros tempos isso não diria nada a você. Mas hoje, tudo é interpretado a partir dela.
      Não quero fazer parecer que sei tudo o que acontece ou que pode acontecer, mas provavelmente, há alguma explicação natural para o que está chamando a sua atenção. Por outro lado, se soubermos fazer bom uso das interpretações que damos a alguma vivência isso poderá nos ajudar, poderá nos trazer algum consolo, ou então alguma lição, desde que não nos tire da realidade. Por exemplo, uma vez uma mãe me falava sobre suas preocupações com um filho, que não procurava Deus, que estava andando com companhias não tão exemplares, e ela rezava e chorava muito por ele. Ela contou que veio participar da Missa e, quando foi comungar, naturalmente por descuido, o padre colocou na sua língua duas partículas consagradas em vez de uma. Ela disse que quando percebeu isso sentiu uma alegria profunda, porque achava que Jesus lhe tinha dado um sinal de que estava cuidando de seu filho. Ela pensava como se estivesse comungando por ela e por ele. Uma hóstia para cada um. Ninguém falou de nada fora do comum, mas achei aquilo tão bonito! Trouxe tanta consolação para ela! E eu acredito mesmo que Deus fala com a gente, de um jeito muito simples, nos conduzindo a um encontro pessoal e espiritual.
      Acho que isso pode acontecer com você também. E espero que aconteça muitas vezes! Que Jesus fale com você e a ajude a viver essa dor tão misteriosa e atroz. Continuemos unidos pela oração e pela nossa confissão de fé e esperança na Ressurreição dos mortos e na Comunhão dos santos.
      Fraternalmente!
      Pe. Rogério das Neves

  6. A 3 MESES PERDI MINHA FILHA DE 29 ANOS, NÃO SEI O QUE FAZER COM ESSA SAUDADE.
    Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
    GISLENE

    • Cara Gislene
      Suas palavras são mais do que palavras! Você descreve a saudade agindo no cotidiano da vida de quem não consegue se sentir à vontade sem a presença da pessoa amada, no caso, a sua filha. Eu diria, você mostra o quão misteriosa é essa experiência. No evangelho segundo Mateus, quando apresenta a assim chamada cena dos “santos inocentes” (Mt 2,13-18), encontramos a citação de um texto do profeta Jeremias: “Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos e não quer ser consolada, pois não existem mais”. Penso que esse texto, mais do que falar de desespero, fala sobre uma dor que corrói, a dor da mãe pela saudade dos filhos. Cremos que essa descrição não seja a única resposta. Existe ainda luz onde não vemos nada. Deus é capaz de iluminar tudo e transformar todas as pessoas. O silêncio que nada preenche ainda pode ser preenchido. Desejamos isso a você. Que Deus a abençoe muito e faça sentir a sua amável pesença…
      Pe. Rogério das Neves

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