Amor infinito (de Marilza, mãe do Pablo)

Amor Infinito.

 

Meu nome é Marilza, tenho 42 anos, sou enfermeira e mãe solteira.

No dia 12 de Julho sofri mais um trauma em minha vida.

Estava trabalhando na Santa Casa quando às 19:00 hs minha filha me procurou no emprego pedindo para que eu me mantivesse calma, e me deu a pior notícia do mundo, que meu filho Pablo minha cunhada e meu sobrinho Cleverton sofreram um acidente de caminhão na rodovia dos Tamoios e que meu filho estava hospitalizado em  Caraguá. No momento ainda não sabíamos o que havia acontecido realmente, mas desde então pedi que Maria passasse na frente e acreditava que Jesus e Maria jamais me desamparariam, que não seria nada grave, e fui para o hospital para saber o que houve com o coração na mão.

No caminho meu cunhado disse que teria tido 02 óbitos, mas que meu filho não havia morrido e no meio daquele transtorno fui muito egoísta até porque em meio a tristeza estava feliz porque acreditava que meu filho estava hospitalizado mas estava vivo.

Cheguei ao hospital totalmente desesperada, mas confiante e companhia da minha filha mais velha (Bruna), conversei com a enfermeira Irmã Patrícia e depois de alguns minutos de desespero a Irmã me disse  que já havia terminado a cirurgia e que o estado dele era gravíssimo, e eu era para eu entrar para vê-lo.

Entrei na emergência da UTI, e quando olhei para aquele rapaz na esperança que seria meu filho, uma mistura de sentimentos muito grande tomou conta de mim, parecia que eu ia morrer de desespero.

Olhei toquei naquele rapaz totalmente machucado, entubado e disse para a enfermeira “estou feliz por estar vivo, mas esse rapaz é meu sobrinho e não o meu filho” e cheguei perto do seu ouvido e disse “Filho Deus está com você, você vai ficar bem, tenha fé”.

Olhei para a enfermeira e falei ”se meu sobrinho está aqui, então quem morreu foi meu filho”.

Ai acabou toda a minha esperança de encontrá-lo vivo. Fui para o velório e aguardei lá a noite toda pelo seu corpo até que liberado pelo IML.

Quando seu corpo chegou meu desespero foi tanto, me senti uma pessoa esquecida por Deus e por Maria, a dor da perda de um filho ainda jovem, cheio de sonhos, planos para o futuro, um rapaz com 18 anos de idade. O homem da casa, que nos protegia (eu e suas duas irmãs), um rapaz bem criado, o qual eu criei com a maior dificuldade, trabalhando muito, estudando, economizando muito dentro de casa para sobrar dinheiro para pagar a faculdade e eu sempre na esperança de dar uma vida melhor a eles, e após cinco meses de formada, perco um dos bens mais preciosos da minha vida.

Isso sem contar que no mês de outubro dia 22, faz 17 anos que tive um natimorto com 9 meses de gestação e fiquei quase louca e até hoje sofro muito com isso e meu contato co ele depois de nascido foi que o peguei no colo mesmo morto.

Imaginem agora com a perda do Pablo com 18 anos, tamanha foi minha revolta! As vezes chorava muito e perguntava pra Deus o por quê? Por quê meu filho de novo?

O meu trabalho procuro desenvolvê-lo com muito amor ao próximo, procuro confortar as pessoas que estão morrendo naquele momento, segurando-as pela mão, pedindo a proteção de Maria, pedindo para que confiem em DEUS, que Deus tudo pode e para confiar em Maria. Sempre procuro amenizar o sofrimento do meu próximo, sempre trabalhei a noite, e as pessoas me perguntavam se eu não tinha medo de deixar meus filhos sozinhos em casa, e eu sempre respondia: “Eu cuido dos filhos de Deus e Ele cuida dos meus em casa”. E acontece essa tragédia com meu filho que me tirou o chão, a tristeza é imensa e inexplicável, tamanha dor, tamanho sofrimento, a dor é tão grande que chegamos a sentir uma dor física, sentimos o coração moído, dilacerado, como se um trem passasse por cima da gente.

Mas a tragédia acontecida foi enorme que balançou toda a estrutura familiar, minha cunhada que também faleceu no acidente tinha apenas 29 anos e deixou 04 filhos, sendo a mais nova com 07 anos.

Vendo meu irmão sofrendo com a perda da mulher e meus sobrinhos com a perda da mãe eu resolvi levá-los para morar na minha casa, até que melhore a situação, cuido dos meus sobrinhos para meu irmão trabalhar, minha casa parece uma creche em meia a dor.

Graças a Deus somos uma família unida, um ajuda o outro a levar a cruz.

Hoje tenho minhas duas filhas que me dão força para suportar essa dor, essa saudade, esse amor infinito pelo meu filho e certeza absoluta que está no céu!

Ah! Detalhes, o meu sobrinho que sofreu o acidente, que era o condutor do caminhão, ficou 30 dias em coma, teve traumatismo craniano, traumatismo abdominal, fratura na perna. Mas Deus o libertou, ele pegou alta hospitalar e esta na minha casa, também sendo cuidado por mim e minha família, sua recuperação é um presente de Deus para nós, pois os médicos que o atenderam no dia do acidente, a dois meses, não acreditavam que ele sobreviveria.

Estou sofrendo muito com a perda do meu filho e da minha cunhada, mas o que me da força para seguir em frente mesmo sem vontade de viver, e ter a certeza de que meu filho esta com Deus e que Nossa Senhora no instante que ele sofreu o acidente, Ela veio buscá-lo ele não era uma rapaz de freqüentar missa, reza, terços. Isso eu fiquei devendo como mãe, mas ele usava um escapulário no pescoço, e Nossa Senhora promete que quem usar seu escapulário, Ela vem buscar na hora da morte.

Mesmo assim, fica aquela dor, aquelas perguntas, eu tentando achar respostas. Às vezes imagino que não era a hora dele morrer, não é possível um rapaz jovem ir embora assim tão cedo chego a ter muitas dúvidas de tanta dor que sinto em meu coração.

Mas um dia estava muito triste chorando muito, estava em meu trabalho por volta de 03:00 horas da manhã, estava calmo o pronto atendimento, então sentei em uma poltrona na observação e rezei o terço da misericórdia, e pedi a Nossa Senhora que me mostrasse que meu filho estava bem! Então cochilei sentada, e tive uma visão do meu filho todo vestido de branco em pé, na minha frente sorrindo pra mim e depois de 3 dias também tive a mesma visão da minha cunhada, também toda sorridente.

Mas o desespero continua, e eu pedindo, chorando e rezando muito.

Um outro dia estava indo trabalhar às 18:30hs dirigindo, chorando muito, então passo perto da casa da minha amiga Katia ela é devota de Nossa Senhora, ela reza o terço todos os dias, então pensei muito na Katia, pensei que teria que ir visitá-la e pedir que rezasse por mim e pelo Pablo.

Foi então que cheguei no meu trabalho muito triste e iniciei a mais uma jornada; a primeira pessoa que atendo no pronto atendimento, por coincidência ou providência de Nossa Senhora, é a minha amiga Katia. Então conversamos muito, e ela me disse que tinha participado da novena de Nossa Senhora das Graças e rezou muito pelo meu filho Pablo, e foi sorteada com uma medalha milagrosa e me entregou a medalha e pediu para que eu fizesse a novena.

Com toda essa verdadeira prova de amor e cuidado de Maria comigo, meu coração como mãe continua dilacerado que às vezes penso que vou enfartar, é insuportável viver sem meu filho.

Mas eu sinto a necessidade de continuar firme e cuidar de quem ficou!!!

Um pensamento sobre “Amor infinito (de Marilza, mãe do Pablo)

  1. Boa noite,Marilza
    Sou Cristina,mãe de Tales filho no céu,sinta-se abraçada por alguém que em muito se identificou com você.Perdi meu filho,cinco meses após a formatura de forma trágica .Imagino sua dor quando soube que o rapaz machucado não era seu filho e que seu filho se encontrava entre as vitimas do acidente,Sei o que é isso…..
    Se me permitir,lhe abraço forte bem junto ao meu coração (em pensamento) nesse momento pedindo a Nossa Senhora que a cubra com seu manto enxugando suas lagrimas.Ninguém melhor que Maria para entender a nossa dor
    Deus a abençoe
    Cristina

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