Elvira

Elvira, a nossa caríssima referente da família diocesana de Chiavari, através do seu testemunho deixado no “Telepace” antes de alcançar no céu a sua amada Simona, deixou a todos nós o seu testamento espiritual que guardamos no coração com afeto e gratidão implorando o seu olhar fraterno sobre todos nós:

Minha filha subiu ao céu há 7 anos por causa de uma doença incurável. O vazio que deixa um filho não se pode explicar. Inicialmente tudo te parece privado de sentido, a filha não está mais, não a podes ver, não a podes mais abraçar, a tua vida muda para sempre e te perguntas se existe ainda sentido para viver. Todo o resto é como antes, mas nada é mais como antes. Não obstante os esforços que procuras fazer, te conscientizas de que só com as tuas forças não consegues, não conseguirás jamais sozinha, mas ao mesmo tempo, te rendes conta também de que dia após dia consegues ir adiante, sentes uma força e uma ajuda dentro que não é tua, não pode ser tua e nem mesmo humana. Sentes que está nascendo interiormente alguma coisa de novo que te muda dentro, te dá luz e energias novas. Eis então que te abres a este grande mistério de transformação que estás vivendo: com grande estupor constatas que não são as tuas forças a levar-te adiante, alguém que te ama toma conta de ti, está vindo ao teu encontro para dar-te conforto, para enfaixar as tuas feridas, te está sustentando, momento por momento, dificuldade por dificuldade, desespero por desespero. Só Ele sabe dar-te uma verdadeira consolação, a ajuda necessária para continuar o caminho da vida; vais avante no escuro, mas vais avante porque sabes que não estás mais sozinha e só Ele sabe do que necessitas, como conduzir-te. Com o passar do tempo, quando chega um pouco de paz no coração, procuras compreender melhor as numerosas perguntas que surgem no teu coração e percebes que também um momento assim tremendo como a morte vem iluminado pelo amor que Ele nos deu com a sua Paixão e morte para que todos pudéssemos ter a Vida e descobres também que há um projeto sobre ti, de eternidade. Então verdadeiramente a tua vida adquire uma dimensão nova, começas a ver tudo com olhos novos, a compreender que tudo tem um significado bem preciso, até mesmo uma dor tão grande como a morte de um filho pode ser o início de uma vida nova. Todo esse caminho porém não é assim fácil e descontado, eu consegui fazê-lo graças ao acompanhamento que tive com “Figli in Cielo” (Filhos no céu) que o Senhor fez nascer na sua Igreja através do “sim” de Andreana Bassanetti e tantos “sim” que depois muitas outras famílias acrescentaram, inclusive o meu. Sentes no coração o desejo de realizar com os filhos que estão no céu a bela missão de dar a mesma consolação que recebeste a outros pais que estão vivendo a mesma dor. Quando a morte bate à tua porta tens de fato necessidade de pontos de referência, de pessoas que saibam partilhar contigo um momento assim delicado, que saibam escutar-te e acompanhar-te rumo à Verdade, a verdade verdadeira, não aquela que te contam tanto para deixar-te boa e aquietar um pouco a dor. Às vezes temos medo de enfrentar um assunto assim difícil, somos despreparados. As pessoas que antes te estavam próximas se afastam, não sabem o que dizer-te, não conseguem nem mesmo dirigir-te a palavra. Indo ao cemitério, sozinha com a minha dor, sentia a necessidade de aproximar-me de outros pais, que tinham vivido a mesma experiência, teria querido conhecê-los, confrontar-me com eles, mas não sabia como fazer, não tinha nada a propor. Mas o Senhor me fez ler “por acaso” (logo a mim que não leio nunca o jornal), um belo artigo no jornal Avvenire (jornal sob responsabilidade da Conferência dos Bispos da Itália) que falava da então Fundação “Camila Bassanetti”, hoje “Figli in Cielo”, exatamente aquilo que estava procurando. Compreendi que havia alguém que estava me chamando para esta grande missão e experimentei uma grande emoção, a mesma que experimento cada vez que sinto esta Presença que me guia e a ajuda que dão os nossos filhos se percorremos em comunhão com eles este caminho que eles estão já percorrendo no Céu. Estando em estreita comunhão com eles, tenho procurado nestes anos desenvolver na Igreja o ministério da consolação, que quer acompanhar as famílias visitadas pelo luto ao encontro verdadeiro e autêntico com Cristo, com o seu mistério de paixão, morte e ressurreição. Cada um de nós diante da morte de um filho reage de um modo diferente, há quem sente a necessidade de falar a respeito o tempo todo, há quem ao contrário prefere o silêncio, fechado na própria intimidade ou verdadeiramente gostaria de pôr uma pedra sobre tudo aquilo que aconteceu. O egoísmo às vezes nos impede de estar com confiança aos pés da Cruz, onde fomos chamados, para abraçar com Jesus, Maria e as outras famílias a dor maior; somente alí, como nos ensina a nossa grande e bela Família espiritual, compreendemos “il bene più grande” (“o bem maior”, título do livro de Andreana Bassanetti, que traz o seu testemunho pessoal). (extraído de “Indisparte”, periódico italiano semestral de espiritualidade promovido por “Figli in Cielo” I ano II – n.2 – dezembro de 2004).

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