Só a fé e a esperança do reencontro um dia no céu

Não existe nada no mundo que cause tanto sofrimento como a perda de alguém que amamos. Queria ter ido no lugar dele. Tales era muito puro. Queria seguir o caminho de São Francisco, muito de Jesus. Queria um mundo sem desigualdades, sem preconceito,questionava a forma como são atendidas as pessoas simples e doentes mentais nos hospitais, as castas sociais.

Quando ficou doente, com depressão psicótica, percorremos um longo caminho na luta contra o suicídio. Médicos e tratamentos errados, falta de apoio de família e de dinheiro, além do problema que já tínhamos com nossa filha, que foi raptada há 12 anos e sofre com estresse pós traumático. Com o rapto, mudamos de Curitiba para Florianópolis para reiniciar a vida. Enfrentamos muitas dificuldades. A cidade não nos acolheu.

O Tales, muito sensível, compunha músicas classicas. Um filho exemplar, que todos os dias me trazia uma flor. Conseguiu, com dificuldade, terminar seu curso de Engenharia e estava cursando Pós em Segurança do Trabalho em Curitiba.

Um erro médico, a falta de encontrar um médico responsável e dedicado, após quase 5 anos de luta terminaram com o suicídio do menino quando estava quase bom. O Tales se enforcou durante uma crise. Foi muito triste.

Da forma que eu puder, devido à distancia e aos problemas com Milena quero não só participar para meu conforto mas também para confortar aos pais e mães que perderam seus filhos. Não tenho muito a oferecer, pois meu coração está muito partido, mas quero ajudar. Só a fé e a esperança do reencontro um dia no céu com Jesus e Maria é o que realmente existe dentro de mim. É o bastante ou tudo o que quero dividir. Quando meu Filho Querido partiu ao encontro com Deus, no mar foi junto as suas cinzas em uma jangada e uma pequena coroa de flores dizendo:

Filho Querido, te entregamos a Jesus nos braços de Maria!

Muito obrigada pelo carinho em me escrever, pelas orações pelo meu menino e pela oportunidade oferecida.

 Cristina

4 pensamentos sobre “Só a fé e a esperança do reencontro um dia no céu

  1. Cristina
    Acredito que sua força para partilhar a sua dor com os outros pais e mães mesmo a distância é consolo , é ferramenta que vos une, que suaviza também a dor de outros.
    Fiquem com Deus você e os seus!
    Abraço

  2. Ainda não tenho site.

    Apenas digo obrigada pelo conforto que deram as vossas palavras a uma mãe que perdeu um filho brutalmente.

    Que saudade, que apenas matarei na eternidade assim o espero.
    É uma dor sem explicação.

    Conforto com a minha dor a dor dos outros partilhando a mesma.

    Não estamos sózinhos eles acompanham-nos, mas ficamos sem a Luz do Sol, é como ficar cego na escuridão.

    Que possamos ajudar-nos uns aos outros, aqueles que perderam um filho ou mais.

    Deus queira que mais nenhuma mãe perca filhos, para que ao menos essas fossem felizes.

    APENAS APRENDER A CONVIVER COM A DOR.

  3. Cara Cristina,
    “A verdadeira vida não é aqui, mas junto a Deus, onde cada um de nós encontrará alegria se tiver humildemente seguido os passos do homem mais verdadeiro: Jesus de Nazaré, Mestre e Senhor”, disse o Santo Padre, o Papa Bento XVI, junto dos pacientes no ‘Hospice Sacro Cuore’, clínica situada no bairro romano de Monteverde.

    Quando nossos filhos partem para Deus é impossível a compreensão dessas e outras palavras a respeito da morte. A dor é tanta que por mais profundo e belo que seja o significado, para nós, pais e mães, é vazio, sem sentido. Mas com o passar dos dias vão ganhando vida dentro do nosso coração.

    Na verdade não existe uma receita para enfrentarmos esse momento doloroso de nossa vida. O vazio que fica, a dor que machuca, as perguntas que surgem, aos poucos vão sendo transformadas pela fé e nossa vida ganha outro sentido. Nossa fé dá um salto que talvez em situações de alegria, de realizações, não daria. Aproximamos-nos de Deus, carentes, quebrados, despojados de tudo, pois só n’Ele encontramos o alívio, o consolo, o conforto para nossa alma, que chora a ausência do(a) filho(a) que partiu.
    Se permitirmos Deus agir em nós, aos poucos uma paz vai invadindo nosso ser e já não nos debatemos mais, mas nos entregamos nos braços do Pai e seguimos nosso caminho, desejosos do nosso “reencontro” no Céu. Como disse Santa Teresinha: “O bom Deus quer que eu me abandone como uma criancinha despreocupada com o que irão fazer dela”.

    Perguntam-me como posso suportar essa ausência e respondo que por mim mesma não posso, mas como disse São Paulo aos Filipenses: “Tudo posso naquele que me fortalece…” (Fl 4, 13). É por Deus, para Deus e com Deus que se torna possível. Deus sempre nos socorreu, nos ajudou e nos conduziu e continuará a nos conduzir até o fim. As nossas forças podem ter limites, mas “quando estou fraco, então é que sou forte.” ( 2 Cor 12, 10).
    Somente a fé nos levará ao término de nossa missão, afinal, nossos filhos nos precedem no Céu; Já cumpriram com dignidade sua missão, mas nós temos ainda que viver a nossa, mesmo que sofrendo, para merecermos o encontro com nosso Deus e o reencontro com nosso(a) filho(a).

    Dia 15 de janeiro completaram 3 anos que a Renatinha partiu para Deus. É interessante que não existe mais o desespero, mas uma Paz inexplicável e a “fé e a esperança no reencontro um dia no Céu com Jesus e Maria”, como você mesma disse.

    Não foi a morte que veio buscar nosso(a) filho(a), foi nosso Deus. A vida não acabou, mas foi transformada em “Vida Eterna”. A saudade é imensa. A falta que ele(a) nos faz é impossível descrever. Mas precisamos continuar. Nossos filhos que ficaram precisam que tenhamos ânimo novo a cada dia. A vida e a história deles ainda estão sendo escritas. Somos parte dessa história e também responsáveis por essas vidas.

    O Tales, assim como tantos outros filho(a)s que partiram, vivem uma vida nova em Cristo. Já não sofrem mais; já não choram mais, mas gozam da plenitude da vida, de uma Paz eterna emanada do coração do próprio Deus.
    O Grupo Filhos no Céu da Diocese de São José dos Campos tem proporcionado momentos de oração, partilha e solidariedade a todos que trilham por esse caminho.
    Unidos no mistério de Deus, em comunhão com nossos filhos, seguimos na esperança desse reencontro e você, mesmo distante, sinta-se acolhida por cada um de nós.
    Conte com nossas orações. Deus te abençoe!
    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

    Um abraço,
    Regina Araújo
    27/janeiro/2010

  4. Prezada sra. Cristina.
    Somente a fé e a esperança do reencontro…
    É isso que nos move para Deus. Sim, um reencontro. Nós viemos Dele. E esperamos voltar para Ele.
    Neste reencontro maravilhoso com nosso Criador que tanto nos ama, alimentamos também a fé e a esperança de nos reencontrarmos com as pessoas queridas que partiram antes de nós para reencontrá-lo. Já se disse que nós temos “saudades de Deus”, e o que sentimos por nossos entes que partiram nos faz compreender esta sede que temos de infinito, de amor, de plenitude.
    Marcou-me muito a celebração de despedida de nosso primeiro bispo aqui em São José dos Campos, Dom Eusébio Oscar Sheid, que estava partindo para assumir a arquidiocese de Florianópolis, e que depois foi para o Rio de Janeiro. Para expressar o que pensava da saudade que sentiria de nossa diocese, ele dizia naquela ocasião: “Saudade é uma presença parcial que busca a presença total”. Acho que ele definiu bem. Alguma coisa do seu querido filho não foi embora. Permanece aí com a senhora, de tal forma incômoda e incomodante, pequena voz inquieta e inquietante, que busca a presença total. Cremos que a plenitude está em Deus. Cremos que Nele, o reencontro não terá mais as imperfeições e as limitações de nossa frágil existência humana. Acreditamos que esta presença do nosso ente querido, hoje menor do que foi quando ele estava entre nós, torna-se também plenitude hoje se pudermos vivê-la no Mistério de Deus.
    Falando novamente de Dom Eusébio, ele voltou a morar entre nós, em São José dos Campos. Quando teve sua renúncia aceita pelo Santo Padre, passando a ser Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro, anunciou que voltaria para São José dos Campos, justificando que isso era em razão do grande carinho que ele tinha pela diocese que tinha praticamente fundado (gerado, como um pai, ou uma mãe). Quando voltou, na missa de acolhida, eu o vi reencontrar tanta gente, conversando com um por um e lembrando coisas passadas. Quanta alegria ele parecia sentir… Penso nisso como uma obra de Deus: os encontros, despedidas e reencontros do nosso dia-a-dia… Este reencontro talvez possa simbolizar aquilo que nós esperamos em relação aos que desejamos encontrar quando formos ao encontro de Deus. Mas para isso, é preciso mergulhar já no seu Mistério, e a saudade será uma lembrança unida intrinsecamente à esperança. E em Deus, voltaremos a sorrir já, para realizarmos aquilo que Ele espera de nós, para que possamos estar verdadeiramente com Ele.
    Acredito que o seu filho, Tales, tenha realizado a sua missão. E agora ele deseja continuar unido à sua mãe, no Mistério de Deus.
    Que Deus a abençoe.
    Pe. Rogério Augusto

Escreva aqui o seu comentário, seu testemunho, seu pedido. Em breve, responderemos. Paz e Bem!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s